[Resenha]: O Que Me Disseram as Flores — de Alane Brito

Sinopse: Presa a uma promessa feita por seu pai, Ângela decide desafiá-lo a aceitar que não é vontade dela se casar com alguém que conhecia apenas através de cartas. Deixando-se levar por uma mentira, William viaja até a prometida, acreditando encontrar uma moça tão apaixonada quanto ele. Entretanto, depara-se com a força da raiva de alguém com quem sonhava passar o resto de sua vida. Por conta do grande amor que aprendeu a nutrir por ela, decide, então, lutar para conquistá-la. Usando a linguagem das flores para se declarar e, cada dia, se revestindo de uma força descomunal para suportar as palavras afiadas e suas duras atitudes, ele tenta encontrar uma maneira de fazer com que o ódio, que ela tanto demonstra sentir, se transforme em algo bom, mas para isso ele mesmo precisa continuar acreditando que é possível... Um grande amor é realmente capaz de suportar tudo? Conheça a emocionante história de duas pessoas numa mesma batalha, mas que lutam por desfechos diferentes. E que vença o mais obstinado.
Eu recebi essa lindeza como parceria da escritora Alane Brito (P.S: Obrigada, Alane!). 💘💘💘 A propósito, o meu primeiro contato com um de seus textos foi com o livro "O Trio(para conferir a resenha, clique AQUI). Agora apresento-lhes a sinopse, book trailer e o meu parecer de "O Que Me Disseram as Flores", um enredo MAGNÍFICO, uma publicação da editora Arwen.



"Porque há de se permitir amar..."


Um enredo maravilhoso! 💘💘💘

Belo Parque, Santa Catarina, 1909. 
Santiago Marques é filho único e herdeiro de uma família respeitada por toda aristocracia do Brasil. Seu pai é um dos fazendeiros mais promissores da região, eles moram num casarão distante da cidade de Belo Parque. Ele tem um único amigo, chamado Afonso Dantas, que é da mesma classe social e que também possuí uma fazenda. No entanto, este já sonhava com o Bacharelado na cidade grande, especificamente em São Paulo. E, numa manhã de domingo, no final da missa, Santiago depara-se com Elisa, uma nova garota que mudou-se para Belo Parque e por quem se apaixona de cara. Um ano depois eles se casam, e Afonso segue com seu sonho. Porém, antes de partir para a cidade grande, os amigos perpetuam uma promessa... 
"— Promessa? Espere um minutinho, deixe-me tentar lembrar... ah, sim... claro! Não sou de voltar atrás. Está tudo confirmado, com toda certeza. Meu filho se casará com sua filha ou minha filha com o seu. Daqui mais algum tempo quem junta os trapos com uma mulher serei eu. Aí procriaremos e você e eu seremos mais que amigos!  Disse passando a mão na cabeça." (Livro: O Que Me Disseram as Flores, Pág.20)

 


Rio de Janeiro. Época Atual.
Acostumada com a agitação do Rio de Janeiro, Raquel bate de frente com os pais  Susana e Henrique  para que não mudem para a fazenda que herdaram em Minas Gerais. Contudo, mesmo a contragosto, ela, os pais e os dois irmãos mais novos  Sérgio e Lucas  mudam para Minas. Ao chegar na fazenda, Raquel se encanta com a beleza que, por tantas vezes, não apreciara. Percorrendo o casarão, avista duas portas destrancadas, o que faz com que entre no local. O seu fascínio por coisas antigas desperta, fazendo com que vasculhe tudo que está naquele desconhecido quarto. Ela acaba encontrando um velho diário e, por fim, inicia a leitura do mesmo.

"Ângela Marques?, Raquel pensou. Se era minha parente, como eu nunca ouvi falar? Logo supôs que deveria ter sido pelo mesmo motivo de não saber antes da existência do quarto: falta de interesse com tudo que se referia à fazenda. Passou à página seguinte e então começou a ler sem cortes." (Livro: O Que Me Disseram as Flores, Pág.31)

Belo Parque, 27 de Março de 1933. 
Ângela é filha única de Santiago e Elisa Marques. Ela vive com os pais na fazenda da família, e tem dois amigos que moram na fazenda vizinha  Felipe e Lílian  sendo que, com Felipe, permite-se aventurar-se num romance. O que Ângela não contava é que seu futuro noivo — William Dantas — chegara na fazenda para cumprir uma promessa de anos atrás, onde os pais concordaram em uni-los matrimonialmente, o que ela não aceita, desdenhando-o e cometendo atrocidades contra o noivo. 


"O que eu senti foi algo tão estranho. Não notava as imperfeições do solo machucando as minhas costas, nem a dor de suas mãos apertando os meus pulsos. Nada. Quando caí em mim e os desconfortos vieram à tona, o rosto de William estava a centímetros do meu, até podia sentir o seu hálito. Então, vi a estupidez que eu estava prestes a fazer..." (Livro: O Que Me Disseram as Flores, Pág.188)

Apesar de confrontar o noivo, ela fica enciumada quando William e sua amiga tornam-se amigos. O mesmo acontece com Felipe, que mesmo amando Ângela, sabe a importância da promessa feita e se afasta, tornando-se apenas amigo. Sendo assim, maquiavelicamente, Ângela começa a provocar a todos com um novo visitante que mudara pra cidade, chamado Leonardo. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers.

Alguns segundos de pausa: falta-me fôlego para falar desse enredo, algo que eu já esperava. Estou apaixonada, triste, estilhaçada e com uma baita ressaca literária  e isso é um excelente sinal, pois essa história me fez sentir um turbilhão de emoções. Para alguns pode não funcionar, mas para leitores como eu, apaixonados por um MARAVILHOSO drama, só tenho a indicar.

Pela sinopse e o que contei acima, dá pra se ter ideia do que vem pela frente. Assim como Ângela, senti-me revoltada. Afinal, como uma boa aquariana (acredito que Ângela também seja), EU JAMAIS PERMITIRIA QUE ESCOLHESSEM ALGO POR MIM, MUITO MENOS UM MARIDO, mesmo que isso fosse parte de um acordo carregado de boas intenções e sentimentos. Talvez por isso, veja bem, apenas por isso, eu concorde em partes com suas atitudes. De tantos vilões que já li, Ângela tornou-se a mais maquiavélica, pois apenas para provar que ninguém obriga-a a nada, mostra-se sórdida, ferindo o coração do seu pretende de forma terrível, humilhando-o, sendo imatura, orgulhosa, e, principalmente, egocêntrica. E mesmo quando constata que o improvável tornou-se provável, ou seja, que ela está apaixonada por William, continua mostrando o pior de si... por puro orgulho.

Eu poderia enxergar William como 'fraco', mas o que vi nele foi totalmente o contrário: um apaixonado incurável que deseja realizar o sonho do pai e também o seu, que fora nutrido durante anos, criando nele um sentimento genuíno e verdadeiro  e mesmo a mercê de tanto descaso e humilhação, permite-se ter esperança e tentar. Preciso falar também dos personagens secundários, mais especificamente os irmãos — Lílian e Felipe , que são apaixonantes, assim como os pais de Ângela. 💘💘💘 Além de envolvente e fruível, o enredo apresenta uma reviravolta dilacerante no final. Quero parabenizar a autora, pois eu faria da mesma forma. Vocês querem saber se eu gostei?! Não, eu não gostei... EU MEGA, ULTRA, HIPER, MAX AMEI!!! Por fim, para vocês que curtem um lindo drama, daqueles que faz ir do céu ao inferno em questão de capítulos, eis essa ESPETACULAR pedida. 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos um pouco rebuscados (algo que amo), porém de fácil compreensão; a diagramação está excelente, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, além de possuir algumas artes, algo que dá pra ver em duas fotos postadas acima, adornada em papel pólen soft (o amarelinho mais claro); e a capa é belíssima, estampando uma Ângela  digamos assim  não tão soberba. E só pra constar o meu contentamento: "Eu leio até mesmo a lista de compras da Alane!". o/


Livro: O Que Me Disseram as Flores
Autora: Alane Brito
Gênero: Drama/Romance
Editora: Arwen
Ano:2015
Páginas: 392


Abraços literários,
Simone Pesci

{Resenha} "Meu", de Cinthia Freire

Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos temos segredos.

Carol e Gabriel conseguiram provar que não eram apenas um erro, passaram por momentos difíceis e juntos conseguiram vencê-los... ao menos é o que todos imaginam.

Porém, por trás da fina casca de casal feliz, existe uma luta diária para se manter juntos, dia após dia, um passo de cada vez.
Gabriel carrega consigo uma dura realidade. Ele já não é mais capaz de se cuidar sozinho e isso se torna ainda mais difícil quando uma série de acontecimentos ameaçam a sua sanidade mental o fazendo crer que está enlouquecendo.
Carol sente que seu grande amor está escapando por seus dedos. Ele esconde um segredo e ela não sabe se será capaz de voltar ao inferno por ele novamente.
Um amor que mostrou haver beleza até mesmo na dor e provou ser mais forte que os piores medos, conquistando milhares de leitores, está de volta em um conto emocionante, cheio de conflitos e reencontros. Carol e Gabe ensinam, mais uma vez, que depois do fim existe uma nova chance e que basta ser forte o suficiente para se reerguer.
 
Amazon * 2017 * 5/5
 
 
Olá, galera!
 
Hoje o amor está no ar. E nos livros também, é claro! (rs)
 
E hoje tem o lançamento de um conto apaixonante. Afinal, dia dos namorados tem que ter uma história com muito amor pra ler, né?
E pra comemorar esse lançamento, a resenha de hoje será dele.
 
Eu finalizei a leitura desse conto há alguns minutos atrás, e ainda estou com emoções da leitura pairando sobre mim.
Espero que eu consiga passar nessas palavras da resenha, todo o carinho e sentimento que tenho por esse conto e pela serie Segredos.
 
Bom, lembrando que a resenha contem spoilers de "Meu erro" (primeiro livro da Série Segredos).
 
Então, vamos lá.
 
"Chego a um desenho em especial, um prédio em ruína, vigas expostas, paredes destruídas, percebo a força que empreguei naquele desenho, a falta de firmeza no traço, a dor e a destruição que aquele edifício carrega. Ele era eu. Talvez ele ainda seja."
 
Em "Meu Erro", conhecemos Gabriel e Caroline. Um casal que foi marcado pela vida. Onde cada um traz consigo sua bagagem emocional.
E o que para os outros poderiam ser um erro o amor surgir em meio a tantos problemas. Eles provam que esse erro poder ser o maior acerto de suas vidas.
 
 
"- Tudo que pode te afastar de mim me assusta - digo do fundo do coração. - Não é bonito falar isso, mas eu tenho medo. Eu... eu sinto muito por ser assim..."
 
 
Em "Minha Rendição", o casal protagonista são Vinicius e Poliana, mas vemos bastante Carol e Gabe durante a leitura. E o final desse segundo livro da série me deixou querendo saber desesperadamente saber o que ia acontecer com o casal da primeira história.
 
A Cinthia conseguiu de forma genial amarrar uma história na outra. Elas se entrelaçam e te mostram que uma situação pode ter pensamentos e pontos de vistas diferentes. Amei!
E claro, acabou a minha ansiedade ao ler o que aconteceu com esse casal que adoro tanto
 
"Saber o momento de pedir ajuda é fundamental na vida, não só na minha, tampouco só nesse momento. Mas estou aprendendo a aceitar minhas fraquezas e não ignorar meus instintos."
 
 
O Gabriel é o meu personagem "ponto-fraco" dentre todos os outros personagens da série até o momento.
O Gabe sofreu perdas que desestabilizaram a sua vida. E ele acabou caindo num mundo onde você sempre fica marcado.
E aqui fico os meus aplausos pra escritora que trouxe um tema tão sério e atual como a dependência química pra essa história de uma forma única. E não foi de maneira forçada, não. É aquele drama e situação que muitas pessoas vivem diariamente.
E quando citei mais acima que ele é o meu personagem "ponto-fraco" foi porque o meu coração ficava todo apertado pelo seu sofrimento. Não porque ele se considera um fraco ou um coitado. E sim pela força que ele tem de se manter limpo por mais um dia. Um degrau de cada vez, um dia de cada vez é uma vitória para Gabriel e para todos os que o amam (e quando me refiro a todos são aos personagens e aos leitores também, que mergulham nessa história e nas batalhas que ele tenta vencer).
 
"E enquanto para muitos hoje é apenas mais um dia de vida, para mim é mais um dia em que retorno depois de uma longa e dolorosa noite no campo de batalha. Exausto, dolorido e orgulhoso... Não de mim, mas da garota que segura minha mão. Ela é a guerreira que foi ao inferno mais um vez por mim. Ela é a garota que continua acreditando que eu sou o seu erro mais que perfeito."
 
Eu senti muito orgulho da Carol nesse conto. Ela sofreu traumas na vida e se mostra sempre forte e esperançosa. Além de ser a rocha de Gabriel que o mantem firme e o ajuda a seguir em frente.
Ela está lá por ele e sempre mostra isso. Que ela sempre vai estar por perto aconteça o que acontecer. E esse amor que ela dá e doa para ele é incondicional. Um amor que pode superar tudo e seguir em frente, sempre forte e batendo num ritmo de coração acelerado. É lindo de ver (e de ler!)
 
"Chegamos ao limite, estamos na borda do precipício, não há  outra saída, precisamos pular, e se ela vai, eu vou junto."
 
Além do romance arrebatador, vemos o Gabriel se reaproximando de sua família.
A Clara, a irmã mais nova que foi afastada dele pelo próprio pai e morou em outro país por um tempo, foi uma personagem secundária muito importante. A ligação que ela tem com a Carol é muito especial. E a relação com o Gabriel me rendeu várias risadas (aquele ciúmes de irmão mais velho foi ótimo rs).
Claro que a reaproximação mais importante pra mim foi com o Christopher, seu pai.
A relação deles sempre foi problemática e recheadas de mágoas, assuntos não resolvidos, falta de contato e por situações que os distanciaram um do outro. Agora, eles sabem a justificativa de ambos e não existe mais enganos e má interpretação na vida deles. E eles se encontrando e se descobrindo como pai e filho me rendeu momentos emocionantes.
 
"Ele olha pra mim e, pela primeira vez na minha vida, vejo o homem que se esconde por baixo da carcaça que todos veem. É como se ele estivesse se mostrando finalmente para mim. E eu não gosto do que vejo. Durante dez anos desejei vê-lo sofrer, desejei a sua morte e o odiei, mas agora, vendo o que ele carrega dentro de si durante todo esse tempo, sinto um remorso enorme por tudo o que passamos, sozinhos, perdidos."
 
Outro personagem que se destacou muito foi o Alan, melhor amigo de Gabriel. A amizade deles é verdadeira, é forte e inabalável. Aquela amizade que você sempre quer manter por perto.
A Cinthia deixou aquele toque de ansiedade em mim (eu quero saber o que acontece com ele! rs) e deixou um gancho para nos prepararmos emocionalmente e psicologicamente para o próximo livro da série, e assim desvendar o que acontecerá com esse amigo tão leal e por esse personagem que já aprendi a gostar também.
 
A capa está linda e a diagramação super caprichada.
E o conto é narrado pelo ponto de vista da Carol e do Gabe, dando aos leitores a intensidade dos sentimentos e emoções desses dois personagens.
 
Esse conto foi muito especial pra mim e sei que vai ser uma história que "MEU" coração vai lembrar pra sempre.
 
"Na guerra nenhum soldado quer morrer em combate, mas todos estão preparados para isso."
 
 
Ainda estou suspirando aqui ao me lembrar (rs)
 
Bem, galera. Espero que tenham gostado da resenha e que amem esse conto/livros/série tanto quanto eu. São histórias que merecem ser lidas. A Cinthia Freire arrasa com seus livros.
 
Lembrando que esse conto já está disponível na Amazon.
 
 
 
 
 
  
 
 
 
Boa leitura!
 
 
Beijos,
 
 
Ana Toledo

[Resenha]: Minha — de Cinthia Freire

Sinopse: Segredos são como fantasmas, nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos têm os seus fantasmas. Laura tem os seus e há um ano que eles não a deixam dormir. A solução é passar seu tempo lendo poesias, admirando suas rosas florescerem e as estrelas no céu. Nada pode ser mais seguro do que isso. Até que um jovem misterioso surge em sua vida, virando-a de ponta cabeça. Em uma noite particularmente quente para o inverno, o destino uniu dois corações que não estavam prontos para o amor. Um não tinha mais tempo para isso, o outro era jovem demais para se apaixonar. Uma história sobre o valor do tempo, o resultado de nossas escolhas e como o amor pode transformar vidas. Mesmo aquelas que já não acreditam mais em milagres. 

Eu baixei esse e-book gratuitamente, e depois de me deparar com um quote da história na linha do tempo de uma amiga, decidi lê-lo. Esse é meu primeiro contato com a escrita da Cinthia Freire, e posso dizer... EU AMEI! ♥♥♥ Agora confira a sinopse e o meu breve parecer de "Minha - Um conto da série Segredos".

"Porque é preciso viver..." 

Um lindo conto! 

Brasil — Julho de 1991 
Laura é uma garota de dezoito anos diagnosticada com uma rara e grave cardiopatia. Além da trágica descoberta, ela teve como veredito final o óbito prematuro. Sem saber quando morrerá, leva os dias sob os cuidados dos pais, reclusa dos prazeres da vida, lendo poesias, admirando as flores, e coabitando madrugadas de insônia. 

"Essa sou eu. A garota com os dias contados que tem medo de dormir, que ama rosas e que encontra na poesia o seu porto seguro, a trégua para a sua batalha, o alívio para o seu coração ferido." (Conto: Minha, Cap.1) 

Christopher é um jovem britânico que está no Brasil pela primeira vez, passando alguns dias na casa dos tios — Clarice e Paul —, tendo como companhia seu primo, Jeremy. Em sua primeira noite no país, se incomoda com a mudança de temperatura, além do sono tumultuado do primo. E, de madrugada, em busca de ar puro, segue até a sacada do quarto... E tão breve ouve uma voz que o enternece. Encantado com a voz, ele espia da sacada, acabando por enxergar uma garota sentada de costas, falando algo que não consegue compreender. 

"Ela me afeta, é como um soco no estômago, me curvo ao seu olhar intenso, desnudado de timidez embora seu sorriso diga o contrário." (Conto: Minha, Capítulo 8) 

Ao retornar de uma balada com o primo, um tanto embriagado, Christopher fica de cara com Laura. A garota sente-se aliviada por compreender sua língua — e, ao passar dos dias, a comunicação entre eles é apenas visualmente. No entanto, há um ano reclusa, quando se dá conta de que Christopher vai ao rodeio da cidade vizinha com o primo, convence os pais a levá-la no evento, para que se encontre com as amigas. Ao chegar na festividade, dá de cara com o visitante/vizinho. Eles conversam e se dão conta de que têm muito em comum. Consequentemente um forte sentimento nasce, fazendo com que iniciem um relacionamento. 

"E foi nos braços de um rapaz que atravessou um oceano para me abraçar que dormi. Depois de quase um ano eu sonhei, e dessa vez não havia caixões e nem lágrimas, apenas seu sorriso iluminando tudo à sua volta enquanto ele dizia que me amava. E eu o amava também." (Conto: Minha, Capítulo 20) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Apreciadora de um bom drama, eu não poderia ter outra reação: "Minha" é o contraste entre o desengano e a esperança, tendo como ingrediente principal o "AMOR". Afinal de contas, esse sentimento também nasce da dor — e digo isso por experiência, pois anos atrás, em uma época nada esperançosa, tive um Christopher na minha vida. A propósito, inicialmente ele mostrou-se um rapaz arrogante, mas ao se apaixonar, mudou completamente, tornando-se apaixonante. Laura, por sua vez, com seu coração desesperançoso e sua notável vontade de viver, me ganhou por inteiro. Eis que da dor nasce o amor... E contra isso não há argumentos. ♥♥♥ 

Com uma escrita simples e adornada em sentimentos adversos, a autora deu vida a um lindo conto, daqueles que faz com que o leitor anseie por mais. Eu, particularmente, amaria ler um livro contando mais sobre o casal... E pretendo ler outros textos da autora. o/ 

O enredo é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está excelente, levando a cada início de capítulo a imagem da protagonista; a capa é bonita, estampando uma esperançosa e apaixonante Laura. Por fim, pra você que curte uma leitura rápida e apaixonante, essa é uma excelente pedida. 


Minha — Um conto da série Segredos 
Autora: Cinthia Freire 
Gênero: Drama/Romance 
Publicação Independente — Formato Digital (Amazon) 
Ano: 2016 
Páginas: 173

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

5 sinais de que você talvez seja um leitor chato

Você conhece algum leitor chato? Não? Então, cuidado, porque ele pode estar mais perto do que você pensa. Se você está lendo este texto, é porque você ama leitura, livros e tudo mais — e isso é maravilhoso. No entanto, quando se fala de leitor, sempre surge aquele tipo que sempre parece estar com um monóculo e o ego pronto para criticar e destilar sua chatice. Leituras e preferências são gostos, claro, e cada um tem o seu. Discutir opções de leituras, principalmente quando são contrárias, pode ser algo enriquecedor. Por outro lado, há aquele tipo que sempre vai ser o chato, o mala, cheio de regras e ideias fechadas — o que é irônico, pois a leitura serve para abrir perspectivas, não sedimentá-las. Conhece alguém assim? Todos conhecemos, e creio que somos em alguns momentos aquela pessoa (acontece). Só que não dá para negar que há alguns indivíduos mais chatos que outros nesse quesito. Aqui vão umas dicas de como identificar o leitor chato — só não nos responsabilizamos se for você mesmo. 


✔ Faltou (insira o nome) 
Gosto é gosto. Já foi dito acima: discutir gostos diferentes pode ser muito enriquecedor. Nada no mundo pode ser mais gratificante do que conhecer um autor(a) ou livro indicado por alguém ou citado naquela conversa boba. Só que nem sempre funciona assim. Há o leitor que ouve Jorge Amado e diz faltou “faltou Graciliano Ramos”, ouve Paulo Coelho e fala (grita na verdade) “faltou Machado de Assis”, ouve Tolstói e comenta (aos berros) “faltou Dostoiévski.” Nunca falta. As opções em literatura são muitas para faltar um autor ou outro. Ela é tão vasta que poderíamos passar as vinte e quatro horas diárias por décadas e não cobriríamos o que faltou. Quando dissemos “faltou (insira nome)”, não estamos olhando para a literatura ou algo bom, antes para o gosto pessoal. 

✔ Complexo de gênio porque leu certos livros 
Certa vez, na faculdade, junto a um punhado de colegas do curso de Letras, jogávamos conversa fora falando sobre romance policial. Cada um falava do que gostava, dava dicas, enfim, falava do que gostava aqui e desgostava acolá. Eis que surge uma pessoa e interrompe quem falava para dizer: “Você está errado. Se você tivesse lido X como eu li, saberia que (longa e tediosa explicação).” Não lembro qual livro ele tinha lido, só lembro que ele tinha uma visão de mundo chata, pois ele era o único a ter lido X. É claro que certos livros são mais impactantes e importantes que outros, porém nada te faz melhor por tê-los lido ou por ser um dos poucos a tê-lo feito. Isso apenas infla certos egos e faz a pessoa se sentir o que ela não é: especial. 

✔ Falar mal de Paulo Coelho sem ter lido Paulo Coelho 
Não se revolte. O que foi dito acima é não falar mal sem tê-lo lido, não amá-lo. No Brasil, como sempre, temos um complexo de inferioridade tremendo — e, na literatura, isso leva ao fenômeno Paulo Coelho. Fala-se mal dele por vários motivos: é mal escritor, é brasileiro, só o nosso país seria capaz de criar esse monstro etc. Pode até ser verdade. O interessante, porém, é que a maioria das pessoas que fala mal de Paulo Coelho nunca leu Paulo Coelho de fato, apenas segue na onda de xingá-lo. Eu já o li e não gostei, mesmo assim compreendo porque há quem goste e respeito. Acho que quem fala mal de Paulo Coelho sem lê-lo não passa de uma pessoa com um complexo parecido com a de dois itens acima. Todo mundo deveria lê-lo antes de julgá-lo, pois… 

✔ Eu não vou perder meu tempo lendo isso 
Não existe nada mais chato, principalmente num leitor, que a frase “eu não vou perder meu tempo lendo isso.” Há um ar de superioridade em quem a pronuncia. É como se este indivíduo fosse talhado para as grandes obras, só as mais elevadas, e não pudesse se desgastar com aquilo que não se faz grandioso. Tenho a impressão de que o leitor que diz isso tem a certeza de que as grandes obras foram escritas apenas para o seu deleite. Se algo me consola hoje é ver que a dita “alta literatura” está cada vez mais brincando com a “baixa literatura”. Os grandes escritores vivos ou recém falecidos devem ter perdido tempo lendo isso para a nossa sorte. 

✔ Sou mais inteligente porque sou leitor 
Clichês só são clichês por uma única razão: porque, em um nível óbvio, eles funcionam. O leitor que senta para conversar com os amigos e corrige os outros porque lê não passa de um deles. Ler não nos torna mais inteligentes, nos torna leitores. Refletir sobre o que se leu sim pode nos tornar mais compreensivos com os fatos — talvez inteligente seja uma palavra forte demais. Conheço pessoas que brandam que “o problema do mundo hoje é que ninguém lê.” Primeiro, se lê tanto quanto se lia no passado. Segundo, ler não nos torna mais inteligentes ou capazes. Muitos homens usaram essa ideia de iluminação (iluminismo, sacou?) para dizer por onde seguir e o quão bom seria o futuro. Bem, estamos no futuro deles e não vejo nada de maravilhoso, e você? 

[Artigo via]: Homo Literatus 

Abraços literários, 
Simone Pesci