[Resenha]: IMPERFEITOS — de Cecelia Ahern

Sinopse: Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, rechaçados da comunidade, seres não merecedores de compaixão. Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan. Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor. Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita? Nesta distopia deslumbrante, a autora best-seller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial e quem cometer qualquer ato falho será punido. A história de uma jovem que decide tomar uma posição que poderá custar-lhe tudo.

"Nossos defeitos nos fazem ser quem somos" 

Eis a resenha de mais uma parceria com a editora Novo Conceito.
Um enredo sensacional! 

Trata-se de uma distopia onde Celestine North, uma garota de 17 anos, é a personificação de perfeição: uma filha, aluna e namorada exemplar. Ela cresceu em uma sociedade onde qualquer ato que seja considerado errado, perante as normas do Tribunal, com sede no Castelo das Terras Altas, é julgado, sentenciado e marcado em uma parte do corpo, excluindo a pessoa da sociedade e definindo-a como "IMPERFEITA". 

Celestine vem de uma família aparentemente feliz em sua perfeição, e diferente da irmã mais velha, Juniper, consegue se controlar e tornar-se a mais perfeita da casa, algo que orgulha os pais e também seu namorado, Art, que é filho do juiz Bosco Crevan, considerado por muitos um herói, além de ser a maior autoridade da cidade. No entanto, em um jantar de comemoração ao "Dia da Terra", acontece o inesperado... Quando todos estão na casa da Família North, acontece o improvável: a sirene soa, um alerta muito perigoso de que alguém próximo cometeu algum ato errado, e, provavelmente, será julgado, sentenciado e marcado. 

A perplexidade e medo instala-se ao descobrirem que a vizinha que aguardam para o jantar é levada pelos Delatores, devido a um ato que cometeu e que aos olhos do Tribunal é errado. Alguns sentem vontade de ajudar a Sra. Miller, porém ajudar um IMPERFEITO é condenar-se à um mesmo destino, sendo marcado, rechaçado da sociedade ou até mesmo preso. 

Ao olhar para Art, só vejo medo em seu rosto. Engraçado, eu não sinto mais medo. Gosto de soluções. O problema incomodava, e resolvê-lo simplesmente faz sentido. Não estou fazendo nada de errado; não estou desobedecendo a uma lei ou alguma regra. Sempre fui elogiada por agir no momento certo, pela minha perfeição. (Livro: Imperfeitos, Pág.51) 

Depois de tal acontecimento, na noite do jantar desastroso, Celestine passou a enxergar as coisas de forma diferente: o que antes era normal, agora lhe incomoda. Sendo assim, numa manhã, quando está indo de ônibus para o colégio com o namorado e sua irmã, ela fica consternada ao ver o descaso de duas senhoras — digamos assim — "Perfeitas", com um senhor idoso e "Imperfeito". Desta forma, ela tenta ajudar o senhor que está muito debilitado, e, por este motivo, é levada pelos Delatores para ser julgada, condenada e marcada. De imediato, o juiz Crevan propõe a ela um acordo, dando-lhe vantagens. No entanto, este acordo a faz crer o quão de fato imperfeita será ao aceitar mentir no Tribunal. Contudo, ela afirma que assim o fará, deixando o juiz satisfeito. 

Penso nas muitas pessoas ao longo das décadas que fizeram este caminho, que caminharam perfeitas e voltaram Imperfeitas por um pátio de hostilidades e condenações, sobre pedras de preconceito. Penso em Carrick, que voltou pela manhã com a camiseta suja de farinha. Agora entendo. Estamos aqui para sermos usados como um reflexo dos piores pesadelos do mundo. Bodes expiatórios de tudo o que há de errado na vida dos outros. (Livro: Imperfeitos, Pág.81)

Ainda na prisão, antes de ser julgada, ela avista Carrick, um jovem de 18 anos, considerado por muitos como um imperfeito da pior espécie. Ele também está aguardando o seu julgamento e sentença, ambos estão separados por celas que ficam à frente, onde podem ser ver, pois é de vidro blindado. E ali inicia-se uma ligação, mesmo que eles não tenham se falado uma só vez. Eles sentem a mesma revolta e compaixão por todos aqueles que são marcados por uma imperfeição injusta. De início, Carrick sente ódio por vê-la sendo amparada e conversando com o juiz Crevan, depois tudo muda... 

— Marque-a! — diz ele, com um tom de voz urgente, suor sobre os lábios. — Marque a coluna dela! 
Carrick se encosta no vidro e me olha atentamente, obrigando-me a encará-lo. Ele levanta uma das mãos e a espalma contra o vidro. No mesmo instante me esqueço daquela loucura tanto na câmara quanto em minha mente e me concentro na imobilidade do corpo de Carrick. Concentro-me em sua mão. A mão da amizade que ele me ofereceu antes. (Livro: Imperfeitos, Páginas 131 e 132) 

Celestine, convicta da verdade que agora enxerga, nega-se a mentir no Tribunal, o que a condena por 5 marcações, além de deixar o juiz em maus lençóis. No entanto, o juiz vai contra todas as regras e lhe aplica uma marcação a mais. Presentemente Celestine é uma IMPERFEITA, porém adorada por muitos, pois teve coragem de ir contra o sistema nada perfeito e dizer a verdade, deixando todo o sistema — principalmente o Tribunal e o juiz Crevan —, apreensivos. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers. 

O que eu disse acima é pouco diante o que o enredo leva consigo. Até então eu não tinha lido nada da autora, porém já assisti duas adaptações de suas obras nas telonas: 

P.S. Eu Te Amo 
Simplesmente Acontece 

IMPERFEITOS é a primeira distopia escrita pela autora, e posso dizer, magnificamente escrita. Cognomino-a como um enredo PERFEITO em sua IMPERFEIÇÃO, uma história maravilhosamente desenvolvida, onde instigou-me do início ao fim. Eu consegui sentir as dores e alegrias dos personagens, especialmente de Celestine, que inicialmente se apresenta como uma garota insossa e deturpada por um sistema injusto e corrupto, mas que quando enxerga a realidade, luta com unhas e dentes pelos seus ideais. Houve uma cena, mais especificamente a cena das marcações feitas nela, que me deixou angustiada... Eu queria poder entrar dentro das páginas e de alguma forma salvá-la. Logo, senti-me aflita com o descaso, preconceito e a exclusão que os IMPERFEITOS sofrem. 

A autora, além de saber criar uma trama como ninguém, deu vida a personagens apaixonantes, é claro que Carrick, apesar de aparecer pouco, perpetuou em meu coração. Porém Celestine me cativou demais com sua coragem admirável. A propósito, os antagonistas são de suma importância no enredo, e da mesma forma que a protagonista, me fez sentir íntima deles... É claro que alguns tive vontade de matar — rs. Os capítulos finais foram eletrizantes, envoltos em descobertas e uma caça de perder o fôlego. Se eu gostei? NÃO! EU NÃO GOSTEI! EU MEGA, ULTRA, MAX, HIPER AMEI! Ler esse livro só me fez crer que sair da zona de conforto (no meu caso enredos do gênero drama/romance), as vezes é uma excelente pedida. E digo mais: — Eu leria até mesmo a lista de compras da autora Cecelia Ahern. o/ 

O enredo é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; sua diagramação está excelente, com fontes e espaçamentos ótimos, adornada em papel pólen (o amarelinho); e sua capa é linda, estampando uma Celestine caminhando numa estrada onde terá de lutar por seus ideais, ou seja, por todos IMPERFEITOS. Por fim, se você é fã do gênero, cai de cabeça, pois vale muito a pena! P.S: Agora ficarei aqui, em frangalhos, aguardando a continuação deste enredo incrível. S2 


Livro: IMPERFEITOS 
Autora: Cecelia Ahern 
Gênero: Distopia 
Editora: Novo Conceito 
Ano: 2016 
Páginas: 320

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

[Resenha]: Orgulho e Preconceito — de Jane Austen

Sinopse: Jane Austen inicia “Orgulho e Preconceito” com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico precisa de uma esposa”. O livro é o mais famoso da escritora e traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. Na obra, aspectos diferentes são abordados: orgulho encontra preconceito, ascendência social confronta desprezo social, equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses aspectos da trama meticulosa Elizabeth e Darcy ao autoconhecimento. O livro pode ser considerado a obra prima da escritora, que equilibra comédia com serenidade, observação meticulosa das atitudes humanas e sua ironia refinada.

Fazer a resenha deste livro chega ser algo inimaginável, pois trata-se de um enredo que amo de coração. Eu ganhei essa maravilha de presente de aniversário e agradeço o MARAVILHOSO mimo. Aliás, eu tenho a adaptação do filme de 2006, que já assisti diversas vezes e nunca me canso —, e ao ler esse clássico divino, pude ter uma ampla (e melhor) visão de todo contexto. Agora confiram a sinopse, book trailer e resenha de "Orgulho e Preconceito", uma publicação da editora Martin Claret.




Romântico! 
Envolvente! 
Sensacional! 

Era uma vez... 
Uma época em que as damas tinham como objetivo o matrimônio, e que o preconceito, tanto como o orgulho, eram camuflados como uma conduta exemplar. Eis que surge a família Bennet, composta por Sr. e Sra. Bennet e suas cinco filhas: Jane, Elizabeth (Lizzy), Mary, Catherine e Lydia. Família essa não tão abastada financeiramente e de conduta duvidável, onde parte das filhas, que deveriam ser garotas exemplares em atitudes, deixavam a desejar, tal como a mãe — Sra. Bennet — que tem como propósito maior futilidades e, principalmente, conseguir um casamento para as filhas. O pai, por sua vez, apesar de um homem considerado culto e inclinado a leituras, às vezes (assim como a Sra. Bennet e suas filhas — Catherine e Lydia), toma por si atitudes e decisões não tão plausíveis, expondo a família ao ridículo. 

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico precisa de uma esposa. Por menos conhecidos que sejam os sentimentos ou as ideias de tal homem ao entrar pela primeira vez em certo lugarejo, tal verdade está tão bem arraigada na mente das famílias que o rodeiam, que ele vem a ser considerado propriedade legítima de uma ou outra de suas filhas. (Livro: Orgulho e Preconceito, Pág.9) 

E assim chega uma importante notícia, onde ficam sabendo que um novo visitante (abastado financeiramente), chamado Sr. Bingley, está prestes a chegar na cidade. Desta forma, a alegria e curiosidade de todos vem à tona, especialmente das filhas e mãe, que insistem com o pai para participaram de uma festa em comemoração à esta chegada — é claro que com a intenção de impressionar o novo visitante, tentando assim uma possível chance de enlaçá-lo em matrimônio com a filha mais velha, Jane, que por sinal, é vista como a mais bela. Porém, no momento de tal acontecimento, surge uma nova peça no tabuleiro, sendo este Sr. Darcy (amigo íntimo de Bingley), um homem ainda mais rico, que diferente da reciprocidade e cordialidade do Sr. Bingley, é um ser que transparece arrogância, preconceito e, por fim, extremamente orgulhoso... O que chama atenção de Elizabeth, que não tem papas na língua e não se intimida com tamanho trejeito, enfrentando-o com sua exímia inteligência, pois apesar de não ser abastada financeiramente, és uma garota que supri certos anseios, fazendo deles seu deleite diário, sendo um destes a leitura, dentre tantas outras coisas consideradas notórias e de bom grado para uma dama, independente de sua classe social. 

Logo de cara há um interesse verdadeiro entre o Sr. Bingley e Jane, tão como o Sr. Darcy para/com Lizzy. Porém, em meio a tantas diferenças financeiras e também de como se portar na sociedade, surge o preconceito e orgulho do Sr. Darcy, assim como o julgamento exacerbado e rígido de Elizabeth. E, por fim, Jane e Bingley são os mais prejudicados, pois acabam se afastando. E quando tudo parece estar perdido, Lizzy reencontra Sr. Darcy... E neste reencontro mágico, onde há verdades ocultas e adversidades, surge uma declaração... 

— Tentei lutar, mas em vão. Não consigo mais. Não posso reprimir meus sentimentos. Você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você. (Livro: Orgulho e Preconceito, Cap.34) 

Lizzy fica consternada com tal declaração, afinal, pudera ela entregar seu coração àquele que arruinou a vida amorosa de sua irmã? Pois, SIM, Darcy convenceu Bingley a desistir deste possível matrimônio, deixando sua tão amada irmã Jane às ruínas e com o coração partido, além de escancarar o verbo dizendo o quão averso as atitudes de sua família és. Desta forma, Elizabeth dá sua resposta.. 

— Posso dizer que desde o começo... quase desde o primeiro momento em que vi você pela primeira vez, eram tais os seus modos, que me impressionaram com a mais profunda convicção da sua arrogância, do seu desprezo e do seu desdém egoísta dos sentimentos dos outros, que formaram a base de desaprovação sobre a qual os sucessivos acontecimentos construíram uma tão inabalável antipatia; e, um mês depois de conhecer você, eu já sentia que era o último homem do mundo com quem eu poderia ser convencida a me casar. (Livro: Orgulho e Preconceito, Cap.34) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers. 

Eis um clássico onde acontecimentos são narrados em outro século (aliás, ele também foi escrito em outro século). Por isto é uma narrativa um tanto formal e rebuscada, algo que aos meus olhos é sensacional. Trata-se de uma história onde há uma análise pré-conceito, onde apesar do romance que nela reverbera, há tantos aspectos que de fato perduram até hoje, em razão de classes sociais, interesses e até mesmo boa conduta. 

Essa é uma história para ser sentida, tal qual para nos questionar, subjugando a nós e aos outros, assim como um dos personagens centrais, ou seja, o Sr. Darcy, que no decorrer da trama, devido a paixão avassaladora por Elizabeth, aos poucos vai mudando sua conduta, deixando-o transparecer menos arrogante e mostrando sua verdadeira origem e sentimentos, ou seja, um homem cheio de coração, que quando se permite amar, não se importa com o veredito alheio. Desta forma, passa a se portar de forma maleável, até mesmo em situações das quais ele subjuga adversas. 

Elizabeth, por sua vez, me mostrou que mesmo quando temos a certeza de que estamos certos, há uma grande possibilidade de estarmos errando com nosso prejulgamento. Assim, podemos cair em nossas próprias armadilhas imaginárias e indagativas, tendo como veredito uma possível condenação que nos levará a verdade, às vezes até mesmo ao ridículo. Eu nem preciso dizer o quão sou apaixonada pelos personagens principais, né? Darcy e Lizzy são como um bálsamo pra mim. S2 Porém, tenho que dizer que a trama leva consigo muito mais do que estou postando aqui, ela é tão rica em detalhes e acontecimentos, assim como em personagens, narrativa e diálogos, que não teria como eu tentar falar sobre cada um (ou no geral), pois ficaria uma resenha ainda mais extensa do que já está ficando. rs — E, por este motivo, vou parando por aqui, apenas ressaltando a grandiosidade da obra e quão magnífica é. Se eu já amava antes, nem sei como colocar em palavras o que sinto agora, depois de ler tantos detalhes que não foram expostos na adaptação para as telonas, fiquei estupefata e ainda mais encantada. Houve alguns momentos em que as cenas e cenários foram invertidos, comparando o livro ao filme. Porém, a meu ver, não perdeu beleza alguma. Acho que a leitura fluiu tão bem, pois eu já tinha em minha mente os personagens da adaptação de 2006 para a telona, o que tornou a leitura ainda mais prazerosa. 

Uma ressalva: Jane Austen escreveu essa obra baseando-se em fatos reais de sua vida, especialmente de um grande amor não correspondido. Por isto conduziu a trama de tal forma em páginas, para que suprisse seus anseios. Aliás, existe um filme que conta a história de Austen e que mostra detalhadamente tudo, até mesmo quando ela escrevia "Orgulho e Preconceito". Este filme se chama "Becoming Jane" (Amor e Inocência), lançado em 2008. P.S: Eu mega indico. o/ 

O livro é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos formais (porém compreensivos e lindos de se ler). Quanto a diagramação, por se tratar de um formato Pocket, ou seja, aquele menor, a fonte de leitura me incomodou, pois está bem pequena, e eu tenho dificuldade em ler letras miúdas; os espaçamentos estão em boa medida e as páginas são em offset (brancas), que, por sinal, eu não aprecio muito, pois a leitura fica um pouco mais pesada; sua capa é simples, estampando ao fundo desenhos de folhas e no meio há um quadro com o título e autoria, além do logotipo da editora. Por fim, para você que curte um enredo sensacional, eis essa belíssima pedida. \o Se eu gostei? Não, eu não gostei... EU AMEI! E leria até mesmo a lista de compras da Austen. S2 

Livro: Orgulho e Preconceito 
Autora: Jane Austen 
Gênero: Ficção Inglesa, Romance 
Editora: Martin Claret 
Ano: 2015 (3a. reimpressão) 
Páginas: 382

Abraços literários,
Simone Pesci
https://simonepesci.blogspot.com.br/

[Resenha]: Beltane (Livro 3) — de Simone O. Marques

Sinopse: São Paulo, 1701. Tereza foi criada para ser uma dama e afastar de si qualquer desconfiança que a Igreja pudesse ter sobre suas origens pagãs. Mas todo o cuidado com sua segurança está em risco quando ela se envolve com Miguel Seixas, o sobrinho da mulher que denunciou sua mãe à inquisição. 1918, Adelaide vive numa casa de recolhimento, onde foi colocada pelo pai. A chegada de um jovem padre vai mudar sua vida que, até então, era controlada pelas freiras, e fazê-la descobrir o difícil caminho a ser enfrentado por uma Filha de Dana. A vida lhes deu escolhas. O amor as ensinou a lutar. Seu futuro à Deusa sempre pertenceu.

Eis que chego ao desfecho final de mais uma maravilhosa trilogia, terceiro e último livro dessa série fantástica. Antes de tudo agradeço a autora por ter me enviado essas maravilhas, e convido a todos para conferir as resenhas já feitas dos livros anteriores: (livro 1, clique AQUI) e (livro 2, clique AQUI). Agora confira a sinopse e resenha de "Beltane - Saga As Filhas de Dana", da autora Simone O. Marques, uma publicação da editora Alfabeto.

Um desfecho sensacional! 

A seguir, spoilers. 

Brasil, 1697 
São Paulo, Fazenda Santa Tereza 
A história se inicia com Tereza, agora com 11 anos e ainda aos cuidados de Dona Olímpia e do Sr. Amâncio. Porém, ela tem uma — digamos assim — terrível tutora chamada Deolinda. Afinal de contas, dona Olímpia está muito doente e não tem mais forças para se dedicar a garota. É nesse momento que Antônio, pai de Tereza, retorna para ver a filha. No fundo ele tem esperanças de que a garota queira voltar com ele, o que faz sentido, pois ela sente vontade em voltar a viver com o pai, em outro estado. No entanto, ama demais Dona Olímpia e o Sr. Amâncio, e resolve ficar ao lado deles, principalmente pelo fato que a avó de consideração esteja com os dias contados, devido à frágil saúde. 

— Ela disse-me para acalmar o meu coração... — falou com um sorriso triste. Não era fácil a um coração de mãe ficar em paz tendo deixado um filho para trás. (Livro: Beltane, Pág.11) 

Daniele, a mãe de Tereza, agora mora em uma fazenda na Chapada do Veadeiros (GO), ao lado do marido, irmão e tantos outros. Seu destino fora traçado para aquele lugar, o que a deixa feliz e ao mesmo tempo triste, pois está longe de sua amada filha. E, por este motivo, Antônio (o marido) resolve voltar, depois de alguns anos. Anos atrás, antes de partir, ele pedira para que o seu irmão, Guilherme, cuidasse de Teresa, o que ele atendeu de prontidão, ficando de vez na Fazenda Santa Tereza. 

— Este... senhor Miguel de quem ela tanto falou... é o menino dos Seixas? — Guilherme perguntou baixo ao patrão. Não o agradava muito ver a admiração de Tereza para com o jovem filho de seu vizinho, enteado da mulher que era culpada pela desgraça que se abatera sobre sua família. (Livro: Beltane, Pág.29) 

Tereza e Miguel são de fazendas vizinhas, ele é poucos anos mais velho que ela, e desde um incidente com uma bezerra, ambos nutriram admiração um pelo outro. Tal admiração tornou-se amor, o que preocupou há muitos, pois ele foi criado pela mulher que denunciou a mãe de Tereza, causando uma desgraça a família da garota. Além dessas intempéries que Tereza desconhece, tem o fato de que o filho de dona Olímpia e do Sr. Amâncio, Henrique, um jovem arrogante e sem escrúpulos, retorna para a fazenda depois de alguns anos e se depara com uma Tereza já adulta e linda. No passado ela fora prometida em casamento para Henrique, porém dona Olímpia quebrara essa promessa para Antônio, antes mesmo dele retornar sem a filha para GO, o que o deixa mais aliviado. 

— O que a tua madrasta acha disto, senhor Miguel — Henrique perguntou com sarcasmo.
Miguel enrijeceu o queixo, sentindo o coração disparar. 
— Isto não é da competência dela, senhor — Miguel respondeu e viu que Tereza estava bastante confusa. Ela não sabia o que havia acontecido no passado e Henrique iria usar aquilo contra ele. 
— Mas, como não? — Henrique falou com ironia. Se aquele "pretendente perfeito" achava que ele iria ficar calado e deixar o caminho livre, estava muito enganado. — Se não foi ela a responsável pela morte da mãe de Tereza! — falou com prazer ao ver o choque no rosto de todos ali presentes. (Livro: Beltane, Pág.107) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers. 

Eu percebo que uma série é SENSACIONAL quando esta, desde o início, me deixa instigada... O que foi o caso de "As Filhas de Dana". Foi um prazer me enveredar em três livros de uma série excelentemente desenvolvida e com um enredo instigante, onde há de tudo um pouco, mas que o foco central é o amor e a liberdade de escolha, principalmente tratando-se de crenças. Neste terceiro livro temos como protagonista Tereza, filha de Daniele e Antônio... Uma continuação linda e que fecha a trilogia com chave de ouro. E, apesar de os protagonistas serem Tereza e Miguel, nada impediu que os antagonistas ganhassem espaço e o meu coração, tal qual como Guilherme e Catarina. 

O tempo passa, as dificuldades continuam, e ainda assim o amor e a crença prevalece, seja o personagem cristão ou até mesmo adorador de deuses (no caso deusas - rs), algo que a autora soube apresentar com maestria e delicadeza, apresentando épocas difíceis para as mulheres, principalmente para aquelas que eram consideradas pagãs e que, de forma covarde e desumanada, eram jogadas na fogueira da inquisição. Houve um trecho, mais ao final do livro, que o leitor será apresentando a novos personagens, no ano de 1918 — em São Paulo, Brasil. Eu simplesmente amei saber das gerações futuras das Filhas de Dana, e confesso que fiquei com um gostinho de quero mais. Essa série me deixou perdidamente apaixonada por esse gênero literário que pouco leio... E ainda mais pela autora, que tem o dom de construir enredos maravilhosos, além de uma escrita perfeita. E assim como As Filhas de Dana, eu amei, sofri, vivi... E isso é esplendido numa leitura, ou seja, poder viver a ficção como se fosse uma realidade. O final tem um desfecho lindo, apesar de triste, e leva consigo uma mensagem formidável. Se eu gostei? NÃO, EU NÃO GOSTEI! EU MEGA, ULTRA, MAX, HIPER AMEI! E leio até mesmo a lista de compras da autora. o/ 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, com fontes e espaçamentos em excelentes medidas, adornadas em papel pólen (o amarelinho), sempre levando no início de cada capítulo, ao fundo, a imagem da capa, além de todas as páginas serem adornadas por folhas nas laterais; e a capa é divina, levando o mesmo padrão das outras da série, estampando uma linda e esperançosa Tereza. Por fim, se você é fã do gênero... Cai dentro! Você não vai se arrepender! Eu mega indico! \o 


Livro: Beltane, Saga As Filha de Dana (Livro 3) 
Autora: Simone O. Marques 
Gênero: Romance/Fantasia 
Editora: Alfabeto 
Ano: 2015 
Páginas: 240

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

[Resenha]: Samhain (Livro 2) — de Simone O. Marques

Sinopse: Brasil, 1690. Ao pisar numa nova terra, Daniele sabe que sua missão está apenas começando. Entretanto, a perseguição sofrida por sua mãe e sua avó chega através do braço da inquisição e seus representantes, obrigando-a a enfrentar novamente a intolerância. Para isso, terá que manter a força das Filhas de Dana, mas será que está preparada para abrir mão de alguém que muito ama para que o destino se cumpra? A Igreja lhe tirou a família. A Deusa a lançou ao mar. O destino fará seu coração sangrar.

A minha primeira leitura do ano foi mais que maravilhosa, afinal trata-se da continuação de um livro que muito gostei, e que faz parte de uma trilogia (para conferir a resenha do livro 1, clique AQUI). Agradeço a autora Simone O. Marques pelo envio do livro, e convido a todos para conferir a sinopse e resenha de "Samhain, Saga As Filhas de Dana (Livro 2)", uma publicação da editora Alfabeto.

Uma continuação apaixonante! 

A seguir, spoilers. 

Brasil, 1690 
Daniele, o marido Antônio e o seu irmão Mateus partem para uma nova terra chamada Brasil. Ela e o irmão tiverem que deixar a aldeia que moravam e a família que tanto amavam para se salvarem, além de Daniele ter de cumprir com sua missão — diga-se de passagem — ainda não revelada pela Grande Mãe, ou seja, a Deusa que acredita. Eles foram acolhidos por Sr. Amâncio (um fazendeiro rico) e Dona Olímpia (sua esposa), que também viajara ao lado deles de Portugal para o Brasil. 

Daniele acreditara que a missão que a Grande Mãe lhe dera deveria ser cumprida nesta terra onde estava, mas não sabia qual era e quando deveria ser cumprida ou mesmo de que forma a Deusa agiria, e aquilo a afligia. Estava tão distante daquilo que conhecera! Seus pais e sua avó haviam morrido, sacrificando-se para que ela pudesse partir e agora ela não sabia o que devia fazer. Acariciou suavemente o ventre onde seu filho crescia. (Livro: Samhain, Saga As Filhas de Dana - Pág.29) 

Daniele chega ao Brasil com um filho no ventre, e sob a proteção do Sr. Amâncio e Dona Olímpia segue os dias ao lado do marido e irmão, escondendo suas origens pagãs até mesmo de Dona Olímpia, pois ela é uma cristã fervorosa. A fazenda onde estão morando é provida de escravos e índios, o que a faz ficar mais próxima de sua natureza, pois assim como ela e o irmão, todos cultuam seus deuses, algo que o Sr. Amâncio deu liberdade para que os fizessem e que Dona Olímpia o recrimina por isso. Daniele acaba tendo uma linda garotinha, que apesar de nascer prematuramente, é saudável e deixa a dona da fazenda encantada. No entanto, assim que a criança nasce, Daniele pede para que Antônio e uma das escravas faça o ritual de costume, apresentando a filha à Lua. Desta forma Antônio pede permissão para Dona Olímpia, que mais do que nunca desconfia de Daniele com tal costume pagão. Contudo, deixa com que faça o ritual, desde que façam um acordo... 

— Que tua filha seja batizada por mim e Amâncio, que se chame Tereza em homenagem a santa de minha devoção e que se case no futuro com Henrique — falou e viu os belos olhos verdes encherem-se de lágrimas, mas Daniele nada disse. — Ela será bem tratada, Daniele, como se fosse de meu sangue e ainda fará um bom casamento — completou e esperou para ouvir o que a jovem tinha a dizer. (Livro: Samhain, Saga As Filhas de Dana - Pág.68) 

Por questão de segurança e ansiando em seguir com o costume, ambos concordam com a proposta de Dona Olímpia, com a promessa de que Tereza se case com o seu filho, Henrique, que agora estuda no Rio de Janeiro, mas que no futuro estará próximo a eles. Apesar de todos viverem bem na fazenda, Daniele sabe que aquele não é o lugar do qual fora incumbida para um propósito maior, e a revelação de uma tragédia vem em sonho, o qual a deixa angustiada. E dentre essas intempéries de acontecimentos, há uma discussão com Severino, o feitor que mantinha os escravos, Padre Jerônimo, um homem que desde o início desconfia de Daniele e sua fé pagã, além de Guilherme (irmão de Antônio), com quem Daniele fora noiva no passado, e que viera de Portugal a procura de sua amada. 

— Ele... foi teu noivo Daniele... o que achas que ele veio procurar aqui? — verbalizou seu temor pela primeira vez desde que vira o irmão. (Livro: Samhain, Saga As Filhas de Dana - Pág.126) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers. 

Falar sobre um texto da Simone O. Marques é prazeroso, pois ela passou a fazer parte da minha lista dos autores nacionais que mais amo. E por mais uma vez ela conseguiu quebrar o meu coração e me deixar instigada: quando eu penso que ela já fez de tudo em Paganus... Lá vem ela com Samhain, um enredo que me deixou ainda mais entorpecida. A propósito, o que eu disse acima é pouco diante o que a trama leva consigo: eu terminei de contar onde, na verdade, a história começa a pegar — literalmente — fogo. Neste segundo livro eu me deparei com uma Daniele ainda meiga, porém mais segura de seus propósitos e com maior sabedoria. O marido Antônio, a meu ver, predominou apaixonante em meu coração e demonstrou continuar sendo o homem forte e de opinião. O casal Amâncio e Olímpia também ganharam o meu coração, não sei se terei a mesma opinião no livro 3, mas neste eles me agradaram muito. Por outro lado, o Padre Jerônimo (e outros dois personagens) me causaram asco e tive vontade de entrar dentro das páginas para enforcá-los, pois devido a uma das ordens do padre, houve um acontecimento que me devastou e que de fato teria de acontecer para que a trama seguisse de tal forma. 

A autora soube construir uma trama bem amarrada e com cenários, personagens, enredo e diálogos envolventes, algo que eu já esperava, pois já conferi outros dois textos dela. Uma das características que me chama atenção na escrita da Simone, é que mesmo ela escrevendo textos envoltos mais em narrativa, não fica fazendo firulas, e acaba sendo bem direta na trama (odeio texto que enche linguiça). No final da história houve uma nova e surpreendente revelação que me deixou com um gostinho de "quero mais"... Tanto que já dei início a leitura do terceiro e último livro da série. SE EU GOSTEI? NÃO, EU NÃO GOSTEI... EU AMEI! E como sempre... Leio até mesmo a lista de compras da Simone. \o 

O livro é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está com fontes e espaçamentos em excelentes tamanhos, adornada em papel pólen (o amarelinho), e leva a cada início de capítulo a imagem de Daniele; a capa é linda de viver, estampando uma linda e aparentemente triste Daniele. Por fim, para quem curte uma maravilhosa trilogia com um enredo celta/pagão, eis essa belíssima pedida. Eu mega indico. \o 

Livro: Samhain, Saga As Filha de Dana (Livro 2) 
Autora: Simone O. Marques 
Gênero: Romance/Fantasia 
Editora: Alfabeto 
Ano: 2015 
Páginas: 224

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/