[Resenha]: Não conte a ninguém — de Harlan Coben

Sinopse: Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa. Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido? Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência. Não conte a ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.

Eu já li e resenhei esse livro anos atrás, no meu antigo blog. E como estou sem novas leituras em livro físico, resolvi reler algumas preciosidades e fazer novas resenhas. Eis que novamente me deparo com um enredo incrível, escrito por uma mente brilhante. A propósito, tive a oportunidade de ver o autor à distância, em 2014, na Bienal. Agora confira a resenha de “Não conte a ninguém”, obra de Harlan Coben, uma publicação da editora Arqueiro.

"Porque manter segredo pode ser a única opção" 

Um enredo de perder o fôlego! 

David e Elizabeth se conheceram na infância. Desde então ficaram muito amigos, acabando por despertar um sentimento vigente. Aos doze anos, deram o primeiro beijo e passaram a fazer anualmente um ritual romântico, marcando a paixão que ambos sentiam em uma árvore. A paixão infantil tornou-se amor, fazendo com que eles se casassem. Porém, em uma das comemorações, no lago que pertence à família da David, onde se encontra a árvore, acontece uma tragédia... 

Algo que parecia ser um taco de beisebol atingiu-me bem no peito. Meus olhos se arregalaram. Curvei-me, sufocando. Sem ar. Outro golpe. Desta vez no alto do crânio. Senti um estalo na cabeça, como se tivessem enfiado um prego em minha têmpora. Minhas pernas fraquejaram e caí de joelhos no chão. Totalmente desorientado, coloquei as mãos sobre as laterais da cabeça, tentando protegê-la. O golpe seguinte — o último — atingiu-me bem no rosto. Tombei para trás e caí de volta no lago. Meus olhos se fecharam. Ouvi Elizabeth gritar novamente — dessa vez ela gritou meu nome —, mas o som, todos os sons desapareceram quando afundei. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.12) 

David é golpeado, caindo desacordado no lago. Enquanto Elizabeth é raptada, aparentemente por um serial killer. E lá se foram oito anos... David empurra os dias com a barriga, trabalhando como pediatra e tentando se conformar com a perda da esposa, além de estar rodeado por sua melhor amiga, Shauna, uma modelo Pluz Size famosa, que é namorada de sua irmã mais velha, Linda. No entanto, num dia como qualquer outro, David recebe um e-mail. De ímpeto ele se espanta, pois parece que a mensagem foi enviada por sua falecida mulher, com palavras que apenas os dois eram íntimos, fazendo-o acreditar na possibilidade de ela estar viva. 

Ela manteve a mão levantada. Lentamente, consegui levantar a minha mão. Meus dedos tocaram a tela quente, tentando encontrar os dela. Mais lágrimas rolaram. Acariciei suavemente o rosto da mulher e senti meu coração afundar e alçar voo ao mesmo tempo. 
— Elizabeth — murmurei.
Ela permaneceu ali por mais alguns segundos. Depois, disse algo para a câmera. Não pude ouvi-la, mas consegui ler os seus lábios.
— Sinto muito — balbuciou minha esposa morta.
E saiu andando. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.32) 

A mensagem chega como um golpe de misericórdia, fazendo com que ele veja sua mulher viva, disfarçada e desculpando-se. Sendo assim, ele passa a se indagar sobre muitas coisas, procurando respostas nos lugares mais improváveis, sendo perseguido pelo FBI e ficando a mercê de pessoas muito perigosas, da alta sociedade. E no meio de toda essa turbulência, depois de oito anos, David acaba sendo acusado pelo assassinato da mulher e também o 'recente assassinato' de uma das amigas de sua esposa. Contudo, mesmo sendo acusado, ele ainda pode contar com a ajuda da sua melhor amiga, Shauna, a excelente advogada Hester Crimsteim, e também de um traficante chamado Tyrese. 

Mais tiros. Mas — e forcei os ouvidos — já não ouvia a estática do rádio da polícia. Continuei agachado e tentei não pensar demais. Meu cérebro parecia ter entrado em curto-circuito. Três dias antes, eu era um médico dedicado vagando pela minha própria vida como um sonâmbulo. Desde então, eu vira um fantasma, recebera e-mails de minha mulher morta, tornara-se suspeito não de um, mas de dois assassinatos, virara foragido da polícia, atacara um policial e pedira ajuda a um traficante de drogas. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.138) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Este é o tipo de enredo que não se pode falar muito... Uma história contagiante do início ao fim, que me fez devorar as páginas e me deixou ansiando pelo desfecho final. O autor, além de ter uma escrita excelente, sabe criar um enredo de cunho investigativo e com muito suspense. Embasado em teorias, a trama me levou para diversos lugares: ora desconfiando de um, ora tendo a certeza de outro. E, por fim, fiquei de queixo caído com o desfecho, que foi se revelando em doses homeopáticas, algo que gosto muito. 

Eu torci demais por David, e queria poder entrar no livro para ajudá-lo. A propósito, imaginei todos os cenários (e cenas) —, e agora, mais do que nunca, quero assistir a adaptação desta maravilhosa história para as telonas, uma produção francesa de 2006. O final foi bombástico, e quando eu digo o final... é o finalzinho mesmo, quando pensei que aquele era o fim, vem o autor com a sua incrível capacidade de surpreender e... Boom! Eu simplesmente AMEI! Este foi o único livro do autor que li, mas depois de toda essa turbulência, eu leria até mesmo a sua lista de compras. o/ 

O enredo é intercalado em primeira e terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen (o amarelinho); e a capa é perfeita, estampando um lago, ou seja, o cenário onde começa a história. Se você é fã do gênero policial/suspense... Cai dentro! 


Livro: Não conte a ninguém 
Autor: Harlan Coben 
Gênero: Policial/Investigativo 
Editora: Arqueiro 
Ano: 2009 
Páginas: 256

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

[Resenha]: Novembro, 9 — de Colleen Hoover

Sinopse: Autora número 1 da lista do New York Times retorna com uma história de amor inesquecível entre um aspirante a escritor e sua musa improvável. Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos — a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos? 

Eu ganhei essa lindeza de aniversário, da minha amiga Juny Moura (P.S: Obrigada, Juju!). Este é o segundo livro da autora Collen Hoover que leio, e já no meu primeiro contato com um de seus textos, ou seja  “O Lado Feio do Amor , fiquei perdidamente apaixonada pela escrita simples e envolvente dela. Agora confira a sinopse, book trailer fan-made editado por mim e resenha de “Novembro, 9”, uma publicação da Galera Record.


P.S: Vídeo editado por Simone Pesci

“Porque as maiores cicatrizes... são as do coração” 

Um enredo maravilhoso! 

A história gira em torno de Fallon e Ben, inicialmente com dezoito anos. Ela sofrera um acidente aos dezesseis anos, onde foi vítima de um incêndio e ficou com parte do corpo e rosto marcados. Aos quatorze anos era uma atriz de um seriado, onde ganhou notoriedade e experiência, e sonhava em seguir com a carreira de atriz. Seu pai — Donovan O’Neil —, é um ex ator conhecido e premiado, que antes do incêndio a incentivava, mas depois do acontecido a desencorajava. Porém, dois anos após o incidente (em 9 de Novembro), pai e filha se encontram num restaurante para conversar. Desde a tragédia eles se veem pouco, pois tudo aconteceu numa noite em que ela foi dormir na casa do pai. Donovan se sente culpado, já Fallon sente-se magoada pelo afastamento e também da forma como o pai a desencoraja. Ela está prestes a contar que se mudará para Nova York, para seguir em busca de seu sonho. 

Já a aparência é outra coisa. Cada um de meus defeitos tem recebido as luzes de refletores cor-de-rosa, postos à mostra para o mundo inteiro ver. Por mais que eu tente esconder com o cabelo e a roupa, estão ali. Sempre estarão ali. Um lembrete permanente da noite que destruiu todas as melhores partes de mim. (Livro: Novembro, 9 — Pág.14) 

E por mais uma vez Donovan a desencoraja, sendo direto e indelicado, deixando-a mais insegura com as marcas que ganhara. No entanto, próximo a mesa que estão, encontra-se Ben, um jovem que escuta toda a conversa e a ajuda, sentando-se à mesa e apresentando-se como seu namorado. De início ela fica perdida, mas tão breve entra no jogo, passando o resto do dia ao seu lado. Ele é um jovem que sonha em ser escritor, tal que ambos se apelidam: ele a chama de “Fallon — A Transitória”; enquanto ela o chama de “Ben — O Escritor”. 

— E se... — Ele para e me encara. — E se nos encontrássemos de novo ano que vem, no mesmo dia? Todos os anos? Faremos isso por cinco anos. Mesma data, mesma hora, mesmo lugar. Vamos continuar de onde paramos esta noite, mas só nesse dia. Vou saber se você está fazendo os seus testes de elenco e posso escrever um livro sobre o dia que passamos juntos. (Livro: Novembro, 9 – Pág.89) 

Apesar da forte ligação entre os dois, Ben a encoraja a seguir com seu sonho e faz com que ela se sinta menos constrangida com suas cicatrizes. Fallon, por sua vez, parte para Nova York. Mas antes disso, eles entram num acordo e nos próximos cinco anos, na mesma data e lugar, decidem se encontrar. Ela segue o conselho da mãe, que afirma que toda mulher deve se apaixonar a partir dos vinte e três anos, data que coincidirá com o final do acordo. Nesse tempo em que estarão afastados, eles não terão contato algum, e Ben começará a escrever o seu primeiro livro, onde terá como base do enredo a história dos dois. 

— Fallon — digo, mantendo a voz calma e sincera. — Não me importo com o livro. Nem mesmo quero terminá-lo. Só me importo com você. Em ficar com você todo dia. Ver você todo dia. Ainda não terminei de me apaixonar por você. Mas se não quer terminar de se apaixonar por mim, então precisa me dizer agora. Você quer que eu faça parte da sua vida mais do que só no dia 9 de novembro? (Livro: Novembro, 9 — Pág.199) 

A cada reencontro o sentimento aumenta, fazendo com que o acordo deixe de ser prioridade. Mas como ele a encorajara a seguir em busca de seu sonho, ela decide continuar com o acordo, para que Ben escreva o seu livro. E dentre idas e vindas, muitas coisas acontecem. Agora vou cessar meus comentários para não soltar mais spoilers

E pela segunda vez me entorpeço com um texto da Colleen Hoover, que tem uma escrita simples e sabe como ninguém dar vida a enredos e personagens apaixonantes. A propósito, fui surpreendida de novo, pois a autora fez do improvável, provável. Essa não é apenas uma história de reencontros, ela vai muito além, abordando segredos do passado, tristezas e alegrias, além de redenção. A autora consegue inserir de tudo um pouco: do trágico ao cômico, uma das características dela que eu amo. 

Eu me vi perdidamente apaixonada por Fallon e Ben, assim como fiquei encantada com os outros personagens, e a cada virar de páginas, uma nova surpresa. Quando eu pensei que o enredo seguiria por um caminho, lá vem a escritora com sua capacidade de estilhaçar corações, conduzindo o leitor do céu ao inferno. Eu sofri os sabores e dissabores de todos os personagens, queria entrar dentro das páginas para ajudar Ben e Fallon. O final foi lindo, além de criativo e com grandes reviravoltas. Essa é uma história para ser sentida, então se você curte o gênero, cai dentro. Eu sou fã de carteirinha da autora, e leio até mesmo a sua lista de compras. o/ 

O enredo é narrado em primeira pessoa, intercalados pelos protagonistas, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com espaçamentos e fontes em bom tamanho, adornada em papel off-white (o amarelinho mais claro); e a capa é perfeita, estampando a data trágica que é pano de fundo para o enredo, além de páginas de um manuscrito. Se eu gostei? NÃO! EU MEGA, ULTRA, MAX AMEI! S2 


Livro: Novembro, 9 
Autora: Colleen Hoover 
Gênero: Romance/Drama 
Editora: Galera Record 
Ano: 2016 
Páginas: 352

Abraços literários,
Simone Pesci

[Resenha]: Brida — de Paulo Coelho

Sinopse: O livro conta a história de Brida O' Fern, uma irlandesa de 21 anos em busca da magia e dos poderes ocultos. Durante sua busca, Brida conhece um mago, que promete ensiná-la através da Tradição do Sol, que explica tudo através da natureza e de suas manifestações divinas. Mas Brida toma, na verdade, como mestra, Wicca, uma bela mulher que lhe ensina através da Tradição da Lua, a antiga Tradição das Bruxas, que explica o Universo através da Sabedoria e do Tempo. Sua evolução espiritual e sua busca pela Outra Parte (a famosa alma gêmea) estão retratadas neste livro emocionante e tão interessante quanto os outros livros do autor — segue contudo, o estilo altamente "místico" como "O Diário de um Mago" e "O Alquimista".

E novamente trago uma resenha de um livro do autor Paulo Coelho. Desta vez vou falar de outra obra mundialmente conhecida e que anos atrás foi adaptada como telenovela por uma extinta emissora brasileira. Agora confira a sinopse, book trailer fanmade e resenha de "Brida", uma publicação da editora Rocco.



"Porque todos anseiam encontrar a sua Outra Parte" 

Uma evolução espiritual! 

O enredo gira em torno de Brida O' Fern, uma irlandesa de 21 anos que mora em Dublin. E como toda jovem já teve seus momentos de alegrias e tristezas. Porém, agora, anseia em evoluir espiritualmente. Ela namora com Lorens, o qual acredita ser a sua Outra Parte, e acaba conhecendo o Mago de Folk, com quem se encontra pela primeira vez para tirar algumas dúvidas, pois quer trilhar o caminho da magia.

Talvez você queira aprender magia porque ela é misteriosa e oculta. Porque tem respostas que poucos seres humanos conseguem encontrar em sua vida inteira. Mas, sobretudo, porque ela evoca um passado romântico. (Livro: Brida, Pág. 19) 

Além da possibilidade de evocar o seu passado romântico, ela poderá aprender sobre a Tradição do Sol e a Tradição da Lua. E, por fim, saber qual dos dois caminhos seguir. O que ela não faz ideia é que sua Outra Parte é justamente aquela a quem procurou, ou seja, o Mago de Folk. Ele, porém, não pode revelar isso a ela, pois no passado cometeu um grande erro e fez um acordo de que se encontrasse a sua Outra Parte nessa encarnação, teria de deixar com que ela descobrisse sozinha, além de não se intrometer no destino que ela escolher trilhar. E dentro de uma livraria — digamos assim — um tanto esotérica, ela consegue o endereço de Wicca, a mulher que a guiará para este caminho. Brida passa a ser uma de suas discípulas. 

— Preste atenção, menina — disse Wicca com severidade. — Todos os dias a partir de hoje, numa hora que você irá escolher, fique sozinha e abra o baralho de tarot sobre a mesa. Abra ao acaso, e não procure entender nada. Apenas contemple as cartas. Elas, no devido tempo, vão lhe ensinar tudo que você necessita saber no momento. (Livro: Brida, Pág.47) 

Brida começa a trilhar um caminho sem volta, do qual vai aprender muitas coisas e se redescobrir. O namorado, Lorens, a apoiará em tudo, mesmo sabendo que pode perdê-la. E o Mago de Folk continuará ansiando para que ela o enxergue como sua Outra Parte e o tire da solidão que foi condenado. Inicialmente ela pensava em sua Outra Parte, porém ao aprender tantas lições e estar cada vez mais evoluída espiritualmente, vai deixando em segundo plano o amor. Brida quer tornar-se uma bruxa. 

— Não tenho medo do meu Dom — respondeu Brida. — Sei para onde vou, sei o que tenho de fazer. Sei que alguém me ajudou. (Livro: Brida, Pág.275) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Lembro-me de ter lido este (e alguns outros livros do autor) há mais de duas décadas. Na época eu gostei muito, mas, com o tempo, o meu gênero literário mudou. Acho que a narrativa do autor não me agrada tanto. Este é um dos seus textos antigos, estou curiosa para ler um texto dele atual, pois quero ver se tem alguma diferença e se, de alguma forma, me envolverá. Paulo Coelho escreve sobre aquilo que conhece, mas eu me senti como se estivesse lendo um manual, desta vez sem tantas frases de efeitos e não parecendo um livro de autoajuda. 

Eu já li outros livros que tem como base bruxas, deuses celtas... E gostei de todos, com enredos bem desenvolvidos e que não se parece com um manual de instruções. Mas eu não posso deixar de dizer que gostei da ideia do livro: com uma garota a procura do seu Dom, ansiando por sua Outra Parte e a caminho de sua evolução espiritual. É claro que houve alguns trechos que me envolveram, sempre com um fundo de reflexão. O que realmente me incomodou foi a narrativa, pois foi um tanto repetitiva e enfadonha, além do final que (novamente) não me cativou. Isso não quer dizer que eu não venha a ler mais textos do autor, e reforço que o que pode ser ruim para mim, pode ser bom pra você. 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples (numa antiga edição), com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen (o amarelinho); e a capa estampa uma fogueira, ou seja, a fogueira que despertara Brida para uma nova vida. 


Livro: Brida 
Autor: Paulo Coelho 
Gênero: Romance 
Editora: Rocco (edição 70) 
Ano: 1993 
Páginas: 286

Abraços literários,
Simone Pesci 
http://simonepesci.blogspot.com.br/

[Resenha]: O Alquimista — de Paulo Coelho

Sinopse: O jovem pastor Santiago tem um sonho que se repete. O sonho fala de um tesouro oculto, guardado perto das Pirâmides do Egito. Decidido a seguir seu sonho, o rapaz se depara com os grandes mistérios que acompanham a raça humana desde a sua criação; o Amor, os sinais de Deus, o sonho que cada um de nós precisa seguir na vida. A peregrinação de Santiago, narrada pelo escritor Paulo Coelho em O alquimista transformou-se num dos maiores fenômenos literários. Caminhando em uma caravana pelo deserto do Saara, ele entra em contato com pessoas e presságios que lhe indicam o caminho a seguir. Entre eles, um misterioso personagem — um Alquimista. É quem irá ensiná-lo a penetrar na Alma do Mundo, e a receber todas as pistas necessárias para chegar até o tesouro.

Anos atrás, eu li uma obra do escritor Paulo Coelho intitulada “Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e chorei”. Lembro-me de ter gostado muito, porém hoje não me recordo do conteúdo (preciso reler urgente — rs). Eis que trago o meu parecer sobre “O Alquimista”, uma relíquia publicada há quase três décadas e que já teve diversas edições, uma publicação da editora Rocco.


P.S: Book trailer via editora Sextante 

“Maktub, estava escrito” 

Uma viagem pessoal! 

O enredo gira em torno de Santiago, um jovem pastor que vive na cidade de Andaluzia (no Sul da Espanha), sempre caminhando com suas ovelhas, negociando e alimentando-as, além de aprender muito com elas. 

Seus pais queriam que ele fosse padre, e motivo de orgulho para uma simples família camponesa, que trabalha apenas para conseguir comida e água, como suas ovelhas. Estudou latim, espanhol e teologia. Mas desde criança sonhava em conhecer o mundo, e isto era muito mais importante do que conhecer Deus ou os pecados dos homens. Certa tarde, ao visitar a família, havia tomado coragem e dito para seu pai que não queria ser padre. Queria viajar. (Livro: O Alquimista, Páginas 29 e 30) 

O jovem pastor tinha gana em conhecer a vida e seus mistérios, e depois de ter um sonho no qual fora revelado um tesouro destinado a ele, rumou em busca do tesouro, nas Pirâmides do Egito. E ainda no início da caminhada, se deparou com uma cigana, com a qual se consultou e que, por fim, combinou dar uma parte do tesouro, caso viesse a conquistá-lo. Ele conheceu também Melquisedec, um velho e sábio rei que o ensinara que mais importante do que um tesouro, é a busca por sua Lenda Pessoal.  

— Por que você fala estas coisas comigo?
— Porque você tenta viver sua Lenda Pessoal. E está a ponto de desistir dela. (Livro: O Alquimista, Pág. 49) 

Santiago vende suas ovelhas para o rei e parte em busca do tesouro. E no meio do caminho, acontecem muitas coisas: ele trabalha para um comerciante de cristais; conhece um inglês que está à procura de um Alquimista; além de conhecer Fátima, ou seja, o amor de sua vida. 

O rapaz, porém, pensava em seu tesouro. Quanto mais perto ele ficava de seu sonho, mais as coisas se tornavam difíceis. Não funcionava mais aquilo que o velho rei havia chamado de “sorte de principiante”. O que funcionava, sabia ele, era o teste da persistência e coragem de quem busca sua Lenda Pessoal. Por isso ele não podia se apressar, nem ficar impaciente. Se agisse assim, ia terminar sem ver os sinais que Deus havia posto no seu caminho. (Livro: O Alquimista, Pág.148) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Eu, particularmente, não curti muito essa leitura. O fato é que gostei da premissa do livro e achei o enredo muito bom. No entanto, algo nele me incomodou. Eu entendi a mensagem que o autor quis passar, e achei bacana, pois o tesouro maior que podemos adquirir é o autoconhecimento, além da paciência e persistência. Porém, a maneira como foi narrado me pareceu superficial. Pode ser que este não era ‘o meu momento’ para essa leitura. Eu esperava uma história com acontecimentos, e de certa forma, eles existem. Mas o conteúdo é embasado em muitas frases de efeito e me deu a impressão de estar lendo um livro de autoajuda. Nada contra textos com frases de efeitos e enredos de autoajuda, mas eu não estava esperando por isso. O final é bonito, porém não deu aquele “boom” que eu tanto ansiava. 

Eu sei que muitos se identificam e gostam, e afirmo que o livro é excelente para quem está à procura de um conteúdo — digamos assim — existencial. Por fim, eu não estava nessa pegada. Mas se você estiver a fim de lê-lo, ARRISQUE-SE! Pois o que não me agradou, pode ser sensacional para você. 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, com espaçamentos e fontes em boas medidas, e leva consigo algumas imagens belíssimas, adornada em papel pólen (o amarelinho); e a capa (uma das antigas edições), estampa um rapaz que, a meu ver, é o Santiago, condizendo com a trama. 

Livro: O Alquimista 
Autor: Paulo Coelho 
Gênero: Ficção 
Editora: Rocco 
Ano: 1988 
Páginas: 248

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/