{Resenha} A Mais Pura Verdade - Dan Gemeinhart

Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha.
Mas, em certo sentido um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças.
Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram.
Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça.
A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.

Cortesia Editora Novo Conceito * 2015 * 219 páginas * Classificação 5/5



Isso não é apenas uma ficção.
Essa poderia ser uma história real.
Uma história de aventura, de amor, de amizade. Mas principalmente sobre a redenção de um garoto.

Essa não é só a história de um garoto doente.
Essa não é só a história sobre a amizade de um garoto com uma garota.
Essa não é só a história de um garoto e seu fiel cão.
Essa não é só a história de um garoto que não se deixa vencer pela doença e por seu destino já traçado.
Não. Essa é uma história que ultrapassa os limites de nossa compreensão e da simplicidade e confusão do que é viver.

Mark, um garoto doente de seus 12 anos. Parte de seu lar, de sua cidade, deixando para trás seus pais, seus amigos e seu tratamento pela cura de uma doença.
Com ele, além das recordações de sua feliz e triste vida, ele leva apenas um pouco de dinheiro, uma passagem de trem, um caderno e uma caneta, uma máquina fotográfica, e seu melhor amigo Beau, seu fiel e escudeiro cão.
Mas a coisa mais importante que Mark leva consigo é seu sonho. Sonho esse que ele vai enfrentar muitos obstáculos até conseguir – ou não – alcançar.
E nós vamos vivenciar junto com ele cada momento dessa aventura. E sentir com ele cada raiva, cada dor, cada angustia e dúvida que ele ira trilhar nessa jornada.



Os capítulos são divididos alternadamente pela visão do Mark, capítulos esses narrados em primeira pessoa.
E capítulos narrados em terceira pessoa, pela visão de Jess, a amiga de Mark que sabia de seu segredo, e que guardou o mesmo consigo, mesmo que isso lhe custasse muitas dores, muita aflição e muitas dúvidas.





















Para mim, acho que foi mais difícil acompanhar o sofrimento de Jess, até do que do próprio Mark. Acho que o sentimento de impotência é um dos piores que existem, e creio que era assim que Jess se sentia. Impotente sem saber o que de verdade era o melhor a ser feito.
Acompanhei toda a angústia dela até o momento final do livro, onde ela finalmente pôde se libertar de todo o sofrimento que a ela custava, ser a guardadora do segredo de Mark, e ter em suas mãos a felicidade de seu amigo.

Eu não esperava por um final daquele. Sofri, chorei. Cada palavra é como se fosse um acalanto a meu coração, mas ao mesmo tempo uma nova ferida que se abria. Preparava-me para o fim, mas não esperava que fosse aquele...



O autor trouxe dor, resolução, medo, mas também trouxe aconchego, paz e me fez novamente acreditar que milagres existem. E que existem muitos tipos de amor. Tipos esses que mais pessoas deveriam conhecer. Tipos de amor, para algumas pessoas, difíceis de acreditar, mas que eu sei que são possíveis.

Dan Gemeinhart não usa de palavras difíceis em seu enredo. Ele ganha o leitor exatamente pela simplicidade de suas palavras, e pela simplicidade e realidade em torno da vida de Mark. Ele é só mais um garoto doente, e ai? Outros tantos nesse mesmo momento devem estar passando pelo mesmo problema. Isso é viver e a vida não pode parar. Era isso que eu sentia acompanhando a história de Mark. Em muitos momentos lágrimas vinham a meus olhos. Me permiti chorar um pouco, mas pensava, não era isso que Mark iria querer, então deixe que sua história continue.

Para mim foi tudo perfeito. Eu vejo a história de Mark como uma metáfora de nossas vidas. Afinal, quase todos os dias, precisamos “escalar uma montanha”, e quase nunca chegamos á seu topo. Mas isso não quer dizer que não tenhamos vencido.

A única coisa que me "assusta" é a forma com que escritores vem usando o tema "doença". Parece que livros assim vem alcançando cada dia mais as prateleiras. Mas tudo bem, eu não me importo, gostando ou não, livros assim trazem temas reais, e livros assim sempre nos fazem aprender um pouco mais.

Essa é apenas mais uma história de um garoto doente, do seu sonho e da sua luta para se libertar de toda a raiva que toma conta dele.
Uma história que pode agradar uma criança da idade de Mark á um idoso, ambos ainda com suas montanhas particulares a serem escaladas.





Bem pessoal, é isso. Eu espero sinceramente que essa história toque vocês da maneira que fui tocada. Então aguardem pelo lançamento e não deixem de ler A Mais Pura Verdade.

Beijosss





2 comentários:

  1. Oi Fer
    Cada vez mais os sick lits estão ganhando as livrarias. Recebi a prova desse livro, mas não li porque sei que ficarei louca pela continuação e estou sem dinheirinhos para comprá-la. O livro parece ser bastante intenso e com mensagens bem bacanas. Espero ter a chance de lê-lo, já que estou gostando bastante do gênero.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco 

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    1. Você tem razão. Espero só que não fique mais do mesmo, mas eu no momento estou amando esse gênero, é bom leituras leves, mas essas leituras reflexivas são maravilhosas.


      Beijosss
      Fer

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