{Especial Romance} Dia 12 - Playlist para um amor... Por Simone Pesci


Olá pessoal.
Feliz dia dos namorados!

Trago hoje o que posso chamar de presente. Sim é um presente, pois creio eu que podemos aprender muito com a história de vida de outras pessoas.

E hoje esteja você ou não com seu coração ocupado, preenchido de amor, seja esse correspondido ou não. Ou você que está sozinho, ou perdeu aquela pessoa muito importante na sua vida. Acho que deveria ler esse texto.

Sim ele é grande, mas afinal trata-se de uma história real, uma lição sentida, aprendida e vivida. Confesso que me emocionei demais ao ler esse conto, e creio que muitos irão se emocionar também. 
Então hoje esteja você namorando ou não, acho que poderá aprender muito com essa história real. 

Simone Pesci



Este conto eu havia escrito para uma antologia de amor da qual eu participaria como convidada e que seria publicada este ano (em 2014), por uma editora que não está mais ativa. Na verdade, trata-se do meu enredo de vida, pois tudo que nele está descrito eu realmente vivenciei. No entanto, mudei os nomes dos protagonistas, para assim não ter nenhum problema. Aliás, o conto é um pouco 'extenso' em conteúdo, mas para os eternos apaixonados fica a dica: vale a pena a leitura! Por fim, depois de muito pensar, resolvi postá-lo aqui no blog. Afinal de contas, essa é minha história de vida. Espero que vocês gostem!!! #BOALEITURA

• Conto: Ouça o Seu Coração (Listen To Your Heart)
• Autora: Simone Pesci
• Revisão: Zidna Nunes


Ela não acreditava nas coisas do coração. Sua primeira experiência amorosa fora nada agradável. Havia entregado seu coração — pela primeira vez — a um garoto do qual não tinha muitas afinidades. Pensava estar amando, mas sequer estava apaixonada. Ele tinha um nome incomum. E ao pesquisar sobre seu significado, percebeu o quanto combinava com ele — um garoto rude, com atitudes impensadas, que devido aos percalços que a vida lhe apresentara, tornou-se um jovem ditador problemático. E no que dizia respeito ao coração, ele a assustava.

Seu nome era Acaz, que significa: possuidor, Rei de Judá, filho de Jordão. Se ela sabia de onde vinha toda essa história? De fato, não! Apenas usou de seus dons, pesquisando o significado do seu nome, para que dessa forma se inteirasse no assunto. Contudo, desconfiava de que tal significado proviesse de trechos bíblicos, pois os nomes — Judá e Jordão — sempre foram nomes dos quais ouvia quando submetida a participar de missas ou novenas. Não que fosse obrigada, mas decerto (vez em quando) precisava cumprir com seu dever. Caso contrário, ouviria um repreensivo monólogo.

Deus era uma das coisas que — à sua maneira — acreditava, e por esse motivo, muitas vezes deparava-se com olhares conflituosos, sempre indagando sua fé. Quanto ao amor... Baseava-se nos contos que apreciava sem moderação, chegando a imaginar-se parte deles. Ansiava ser parte de um enredo de Jane Austen, entretanto, vivenciou outro romance trágico, que muito gostava, sendo ela, a protagonista. Assim, por longos anos tornou-se Cathy de O Morro dos Ventos Uivantes, com a diferença de que seu Heathcliff ditador não possuía os dons românticos, mas apenas os trágicos.

Ele constantemente a feria, e sequer se dava conta, pois achava suas atitudes mais que normais. Ela, por sua vez, uma aquariana sonhadora, aguentou longos e tortuosos anos de submissão. Não que o relacionamento fosse de todo mal, em meio a toda reclusão e submissão, existia um resquício de sentimento, ou então, ela não teria se entregado a ele. Muitas vezes pensava estar amando, mas percebeu o quanto estava sendo tola deixando a vida passar. Sentia-se cansada de seu relacionamento conturbado, ausente de diálogos construtivos, quase sempre acompanhados de uma boa dose de terrorismo em meio a ameaças, palavras de baixo calão, e às vezes, até de pequenas lutas corporais.

Ansiava por dias melhores e por uma vida amorosa como lia nos livros ou via nos filmes que apreciava. Dessa forma, colocou um ponto final em sua relação. Sabia que sofreria as consequências e a todo instante se precavia em atos e palavras, para que assim — o ditador problemático — não cumprisse suas promessas ameaçadoras. Ela não era santa! Também sabia ameaçar e lutar. Entretanto, sempre perdia as batalhas.

Os dias se passaram e ela acabou por se interessar por um lindo garoto da escola. Ambos envolveram-se intensamente, mas seu ex-namorado problemático e ditador, descobriu. Sua vida tornou-se um trágico enredo by Emily Bronte. Deleitou-se de sua crueldade, impedindo-a de por uma noite adentrar a escola, exigindo explicações sobre quem era seu novo affair — naquela mesma noite, ameaçou a si e também a ela, com uma arma, deixando-a estarrecida e ainda mais atordoada.

— Ele não fará nada contra você! Na verdade, já deve estar até com outra. — disse sua mãe, tentando acalmá-la.

Ela, por sua vez, levou a risca o que ouvira de sua mãe na ocasião. Tempos depois, descobriu que o que escutara, tinha fundamento. Ele já tinha outra garota quando ainda estavam juntos — e ao saber de toda história, sentiu-se aliviada. Pensou que ele não a procuraria mais. No entanto, ele a procurou por mais algumas vezes, chegando até a ajoelhar-se à sua frente, desculpando-se por todo terror que a fez passar. Corajosa, vestiu sua armadura e enfrentou-o, perdoando-o, pois sabia que sua vida sempre fora difícil, deixando-o tão submisso quanto ela ficara ao seu lado, em outras ocasiões. Foi então que tomou um novo rumo.

Por meses desfrutou de uma nova vida, ao lado dos amigos, compartilhado novas experiências noturnas em danceterias, churrascos, sessões de cinemas — e em algumas delas, teve participação de seu novo affair. Porém, depois de algum tempo, a chama da paixão foi se apagando, fazendo-a cair na real de que aquele ainda não era o cara. Dois anos depois de todo terror pelo qual passou — ainda a mercê da noite bohemia — em meio à multidão e com Rock n’ Roll de pano de fundo, fitou aquele que por ventura ou não, flechou seu coração.

— Quer beber alguma coisa? — o estranho e lindo rapaz de estonteantes olhos verdes perguntou para garota.

Ela ficou um tanto sem graça, mas ainda assim, continuou a conversar com aquele que acabara de conhecer. Sentia-se chateada por achar que estava apaixonada — por um novo rapaz pelo qual se envolveu tempos atrás e que também lhe enganou — e por esse motivo, mesmo deparando-se interessada por aquele gentil, educado e lindo príncipe que o cúpido incumbiu-se de lhe flechar, amedrontou-se. Ela tinha feridas demais que ainda perduravam abertas. E, por meses frequentando a mesma danceteria todo final de semana com seus amigos, começou a sentir seu coração palpitar novamente, desejando que a semana voasse, e que chegasse o sábado, pois decerto esbarraria com o anjo de olhos verdes. E assim aconteceu...

De um olhar nasceu um sorriso — e do sorriso as conversas — e das conversas as afinidades — e das afinidades o primeiro beijo — e do primeiro beijo a admiração e a vontade de estar sempre ao lado — e de estar sempre ao lado a paixão — e da paixão o amor! Enfim, ela acabara de encontrar seu Srº Darcy, e sequer pediu permissão para Jane Austen para desfrutar de sua companhia.

Ao lado dele descobriu o quão prazeroso era ser amada. Algo que desfrutara em minudência, em seu antigo relacionamento conturbado. Ele tinha o nome de anjo, o que era perfeito, pois sempre fora dessa forma que o enxergava — como um anjo. Seu nome era Gabriel, sendo o nome de significado bíblico, e que transparecia tudo o que ela mais ansiava em um homem: afetuoso, protetor, intuitivo, inteligente, sábio, entre tantas outras qualidades que admirava — especialmente amável. Dom que poucos tinham com ela.

— Isto é pra você! — entregou-lhe uma pequena caixinha vermelha em formato de coração.

Ao abrir a pequena caixa, deparou-se com um par de alianças de ouro branco — e ainda dentro da caixinha, havia também um pequeno anel solitário (também de ouro branco). Naquele instante, emocionou-se com tamanho sentimento que ele nutria por ela. No fundo, achava que seu sentimento não era tão intenso quanto o dele, e sempre agradecera internamente por tê-lo como namorado. Com ele descobriu o real sentido da palavra amor. E aos poucos, o sentimento que achava que ainda existia dentro de si — a paixonite aguda antecedente — esvaeceu-se no ar. No entanto, o medo de entregar-se por completo para um novo alguém perdurava em seu coração.

Deixando de lado a razão e entregando-se a voz do coração, doou-se por completo para aquele do qual o cupido incumbiu-se de lhe agraciar e pelo qual deixou de vestir armaduras — e de guerreira passou a ser uma rainha. Entretanto, ainda no início de seu reinado, deparou-se com uma trágica situação. Sim, ela adoeceu, e não de outro amor mal resolvido que partiu seu coração, mas de um câncer que a consumiu no auge dos seus 20 anos.

— Preciso lhe contar uma coisa... — disse a garota dentro do carro, ao seu lado, em meio a uma avenida movimentada.

Aquele era um sábado à noite, e ambos estavam lado a lado, a caminho da mesma danceteria em que se conheceram — e instantes depois que ele lhe entregou a aliança — ainda dentro do carro na avenida — ela resolveu que teria de lhe contar toda a verdade.

— Descobri que tenho um tumor! Sei o quanto gosta de mim e não quero fazê-lo sofrer. — sussurrou em seu ouvido.

Seu coração palpitou ainda mais, e a dor que constantemente sentia em suas costas devido ao seu câncer mediastinal, intensificou-se. Sabia que corria o risco de assustá-lo, mas tinha dentro de si que ele não desistiria dela. E assim aconteceu... Ele não desistiu! Com sua compaixão e amor sincero a surpreendeu:

— Gosto de você e ficarei ao seu lado! — escutou o que tanto ansiava ouvir.

E mesmo sentindo-se grata por tamanho amor do qual fora agraciada, ainda assim, sentia-se estranha e desmerecedora. Pensava constantemente, se saberia levar as duas coisas — sua doença e o sentimento que a cada dia crescia. Era ciente da responsabilidade que levava consigo. Por fim, temia que o pior pudesse acontecer, e não conseguisse contrabalancear a dor e o amor. E ao som de Listen To Your Heart do grupo Roxette, ergueram a bandeira do Amor. Ambos corações se renderam a canção que seria para todo o sempre, a trilha de sua história de amor...

Eles ouviram o coração, e com afinco e paixão verdadeira lutaram sua maior batalha — o câncer. Constantemente ela sentia-se a mais feia das garotas, com seu corpo inchado e seu coro cabeludo que não carregava mais nenhum fio de cabelo, devido aos coquetéis de remédios que tomava. Portava uma vergonha retida, para que assim, ele não presenciasse sua insegurança. Sentia muito medo de perdê-lo, mesmo sabendo que aquele era um relacionamento verdadeiro, doado de alma e coração.

Às vezes, deparava-se com uma pergunta interna, se ele — o anjo Gabriel — merecia uma vida como aquela, ao lado de uma pessoa enferma, pois assim como ela, estava no auge de sua juventude. E, enquanto seus amigos curtiam a vida... Ele dedicava-se cada vez mais a ela, entrando em um mundo que não condizia com sua idade e seus anseios.

— Vá para casa, Gabriel! Ela ficará bem. — disse a mãe da garota depois de presenciar seu sono desconfortável por toda uma noite em um banco de hospital.

Ele não sabia como agir. Lembrava-se o tempo todo de horas atrás, quando ela entrara com uma junta médica dentro de uma sala, para um exame que decerto marcou a todos. Seus gritos de dor — mesmo anestesiada — afligiram por infinitos e terríveis minutos, a todos que estavam próximos daquela sala.

— Onde está Gabriel? — perguntou para sua mãe ainda deitada na cama, contorcendo-se de dor no quarto gélido do hospital.

Sua mãe explicou que ele ficara velando sua dor, por toda uma noite, em um corredor próximo do qual ela se encontrava — e ela sentiu-se a garota mais sortuda do mundo ao saber disso. Seu Srº Darcy, mesmo não estando dentro do enredo Orgulho e Preconceito, continuava a ser aquele rapaz gentil, doce e mais do que nunca nutria uma compaixão inabalável por ela. Não importava dinheiro... Não importava baladas... Enfim, não importava mais nada. Ela descobriu que o que sentia por ele não era um apego qualquer. Ela o amava!

Seu pedido fora atendido, e nunca mais teria momentos conturbados com qualquer outro Heathcliff. Ela estava livre para entregar-se por inteiro, e ficou feliz ao saber que mesmo naquela triste situação, teria seu verdadeiro amor ao lado. De fato, era uma garota de sorte.

— Você é linda! — ouviu com carinho, seu amado declamar bem próximo ao seu ouvido, em um quarto de Motel.

Ela mal tinha forças para sustentar-se em pé, e mais do que nunca sentia vergonha pelo seu inchaço e seus cabelos que não mais existiam.

— Não vou conseguir! — disse cabisbaixa, deitada ao seu lado sobre a cama do Motel.

E aquela noite tornara-se uma das mais marcantes para ela, pois amaram-se de forma diferente — e por toda noite Gabriel doou-se por inteiro, esquecendo de suas necessidades, pensando apenas em satisfaze-la. A maior parte do tempo, curtiram-se pelo olhar, abraçados sobre a cama, sem dizer uma só palavra. No fundo, sabiam que era daquilo que precisavam — um lindo e marcante momento íntimo, em uma situação dolorosa.

Ele fora seu remédio, sua cura. E por quatro anos seguiram lado a lado, amando-se e respeitando-se — algo que pouco presenciara com os casais que conhecia. Contudo, o tempo encarregou-se de conturbar o relacionamento que até então, era mais que perfeito. Aquele anjo que fora um mensageiro de boas notícias e impulsionara sua vida em uma nova direção, estava perdendo-se em meio a sentimentos confusos, deixando-a tão confusa quanto ele, ficando a mercê da imperfeição e da falta de paciência, fazendo com que a monotonia perdurasse entre eles — e mesmo tendo a certeza que ainda se amavam, com o tempo... Afastaram-se.

Ela já havia vencido uma de suas maiores batalhas, deixando seu câncer maligno estagnado. Entretanto, sentia-se derrotada por não tê-lo mais ao seu lado. Ele era sua vida, sua esperança de dias melhores, e muitas vezes, deparou-se com uma triste realidade — sentia-se mais viva ainda na dor, quando o câncer perdurava em seu corpo e desfrutava da companhia de Gabriel.

— Amo você! — deparou-se com uma antiga carta em mãos, da qual o anjo declarava seu amor.

Ela queria escutar novamente aquela canção que era trilha sonora de suas vidas. Contudo, foram poucas as vezes que ouviu Listen To Your Heart, novamente. Ouvir aquela canção dilacerava seu coração. Na verdade, ansiava escutar novamente seu coração, com todas as verdades que guardava dentro de si, mas seu medo e orgulho sempre foram maiores do que a vontade de estar ao lado daquele que tanto amava. Lembrou-se que por uma vez, no período que estavam separados, desfrutou de mais uma tórrida noite de amor ao seu lado. Isso tudo no mesmo apartamento da praia onde costumeiramente viajavam para assim se curtirem mais intimamente. No entanto, decepcionou-se ao deparar-se com uma triste realidade... Aquela fora apenas mais uma noite, sem esperanças.

Sonhava com ele dia e noite e indagava-se internamente se seu anjo acaso estaria doando seu amor para outra garota. Ficava apavorada ao pensar em tal possibilidade. Tinha medo que ele esquecesse o que de tão lindo vivenciaram. Não conseguia imaginar que aqueles mesmos lábios e corpo que fizeram com que ela tocasse o céu, estivessem levando outra pessoa ao paraíso.

Volte, meu amor...

Era dolorido demais seguir os dias sem ele. No entanto, acostumou-se com o que lhe fora oferecido. Uma nova vida, que por muitas vezes era agradável, desfrutando da companhia de amigos e muitas outras paixões momentâneas. Porém, a cada nova investida amorosa, decepcionava-se. No fundo, sabia que nos braços de outros não encontraria aquele mesmo amor que por sorte pôde desfrutar um dia. Um sentimento grandioso e verdadeiro como aquele, acontecia apenas uma vez na vida, e mesmo que voltasse a amar novamente, sempre levaria consigo aquele relacionamento do qual era baseado em verdades, respeito e carinho mútuo — algo que de forma alguma encontrou depois dele. Seu Srº Darcy tornara-se seu Heathcliff, o que por sinal, lhe agradava já que era admiradora de enredos trágicos.

Sua vida tornara-se um best-seller — e muitas vezes, perdeu-se em meias loucuras, sempre com uma garrafa de destilado ao seu lado. Achava que estava aproveitando a vida dignamente, quando na verdade, passava o tempo tentando afogar suas mágoas em um copo, sempre procurando em outras faces aqueles mesmos olhos verdes do qual um dia encantou-se. Pegava-se a pensar se ele estaria agindo como ela... Tão indignamente. Anos depois, o encontrou em uma das baladas da qual costumeiramente frequentava. Seu coração parou no instante que o avistou, lindo em suas vestes social, pois rumara direto do trabalho para a balada, ao lado de dois amigos.

Ela tinha quase certeza que ele escolhera aquele lugar na esperança de revê-la, pois ele sabia que ela era árdua frequentadora do ambiente. Juntaram-se na mesma mesa, com uma garrafa de vodca e esperança nos olhos. No entanto, tudo fora por água abaixo, pois instantes depois seu atual affair (conturbado) chegara, presenteando-a com um beijo intenso, bem à sua frente. Ela olhou de esguelha, sem jeito e tentando decifrar sua reação — e no mesmo instante deparou-se com seu semblante estarrecido e decepcionado.

Seu affair conturbado entendeu que aquele rapaz que estava junto dela na mesa, era o verdadeiro dono de seu coração, pois dias antes ela havia contado toda sua história para ele. E assim, afastou-se dela, deixando-a sozinha, ainda mais transtornada. Ela notou que seu anjo revoltara-se, juntando-se aos dois amigos no balcão do bar, virando a cada minuto uma nova dose de tequila. Ela, por sua vez, continuara em sua mesa entornando a vodca que decerto era sua companhia — e assim, ambos encontraram-se em um estado caótico de embriaguez. Deparou-se minutos depois, com seu anjo embalado ao corpo de uma garota, dançando e mostrando-se feliz, tentando assim provocar-lhe. E, dessa forma, conseguiu deixá-la chateada e dilacerada.

— O que você está fazendo com esse filho da puta? — Gabriel indagou-a com os olhos em brasas.

E naquele instante, ela percebeu que ele confundiu seu atual affair com outro cara do qual nutria intenso ciúmes — e do qual sua amada tivera grande amizade e envolvimento, no passado. Com todo o circo armado, ela resolveu retirar-se mais cedo do ambiente, triste por saber que seu verdadeiro amor estivera tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Sentiu-se perdida ao adentrar em sua casa, sem sequer ter tido a oportunidade de jogar-se em seus braços, minutos atrás. Sabia que outra chance como aquela, não teria tão cedo.

Dias depois entrou em contato via telefone com seu anjo, para assim explicar tudo que acontecera naquela noite conturbada de sábado. Mas, como das outras vezes que tentou um contato mais próximo, sentiu seu hesitar, deixando-a sempre no vácuo, procurando por respostas que no fundo sempre a transtornaram. Conversavam coisas aleatórias, mostraram falta de interesse um no outro e por fim... Estavam sós, novamente.

E por anos a fio, especialmente em datas comemorativas como aniversários, entravam em contato — sempre via telefone — para assim matar as saudades, nem que por poucos minutos. Enfim, escutar a voz do anjo era como deleitar-se na mais bela sinfonia. E algumas das vezes, entretendo-se naquelas breves conversas, declaravam seu ávido e contido amor, com promessas em vão de um novo encontro.

Ela não entendia o porquê aquelas promessas não se cumpriam. Ansiava por uma sessão de cinema ao seu lado, com os dedos entrelaçados, finalizada com uma linda noite de amor — e sonhava com um futuro mais concreto, podendo assim tê-lo como seu eterno príncipe encantado. Contudo, o tempo passara... E ela percebera que aqueles eram apenas anseios de sua própria imaginação e também de seu coração.

Foi levando sua vida, desacreditando de que algum dia seu coração pudesse palpitar novamente. Envolveu-se com uma antiga paixão da adolescência da qual teve sua maior decepção amorosa (até mesmo mais do que com seu ex-primeiro-namorado-ditador-problemático). E depois desse outro conturbado envolvimento, limitou-se a desacreditar do amor. Sempre desconfiava de tudo e de todos, excluindo-se dos prazeres que aquele sentimento — o amor — tinha para lhe oferecer. E por anos, viveu paixões impossíveis dentre páginas de livros e também frente à sua televisão. Não tinha mais o Srº Darcy, e nem ao menos Heathcliff dava o ar de sua graça.

No fundo, sabia que sua vida estava passando, estagnada em um tempo que era só dela e que não voltaria mais. Muitas vezes, em seus momentos angustiantes, dentro do seu quarto, clamava a Deus para ouvir novamente Listen To Your Heart, ao lado daquele que fora seu único e real amor. Não era atendida. Continuava a mercê de sua imaginação e esperança.

Às vezes, pensava em tudo que passou, e sempre se culpava pelo acontecido. Sabia que na adolescência e juventude fora uma excelente/exemplar namorada e amante, mas que por ciúmes, conseguiu atrapalhar seu relacionamento. De fato, sentia-se inferior a ele e o medo de perdê-lo predominava, mesmo que ele demonstrasse o quanto a amava. E arrependia-se por ter sido ela, a colocar um ponto final na relação anos atrás. Contudo, entendera por si que aquela era a melhor coisa a se fazer na época, pois tanto ele quanto ela, precisavam de novas experiências.

Ela não ouvira seu coração, e por esse motivo sofrera as consequências de suas decisões. Uma consequência trágica, deixando-a a mercê de sua vida fantasiosa, sempre trancafiada em sua torre, dentro de seu quarto. Sabia que ele seguia sua vida intensamente, arriscando-se em novos amores, tentando ser feliz. E isso, de forma alguma a deixava triste. No fundo, sonhava em ser ela a dona de seu coração novamente, mas era grata por tudo que ele lhe presenteara de forma tão natural, naqueles que foram seus melhores e piores anos. Assim, tentariam não deixar que as feridas da distância apagassem o respeito e amor que sempre tiveram um pelo outro.

Agradecia a Deus por tudo que pudera desfrutar em sua companhia e pedia encarecidamente para que ele — Deus — a apresentasse a um novo amor, já que não era possível estar ao lado do anjo. Também pedia por Gabriel, afinal de contas... Ele mais do que ninguém merecia ser feliz. Mesmo que não fosse ao seu lado.

Seu nome era Victoria, o que por sinal, condizia por demais com tudo o que passara: Aquela que vence. Ela sempre possuíra uma lucidez incomum, julgando o mundo e as pessoas a sua maneira. Apenas uma parte de sua vida viveu com os pés no chão, quando ainda tinha ao seu lado aquele do qual lhe mostrara o quão bom era amar e ser amada.

— Deus, faça com que eu sinta o amor novamente! — ela clamava internamente.

Aquele era um pedido impossível de realizar-se. Afinal, como sentir o amor novamente, se na verdade, ela nunca deixara de tê-lo? O amor sempre esteve ali, ao seu lado — muitas das vezes adormecido. Agora, perdurava em sua mente e em seu coração apenas duas companhias: a garrafa de vodca e a canção Listen To Your Heart — assim, continuou levando sua vida... Sonhando e ansiando por aquele anjo inatingível.

Publicação original BLOG SIMONE PESCI

Roxette - Listen To Your Heart




Bem emocionante não?
Espero que todos vocês possam sentir o que senti ao conhecer essa história real e especial. E que possamos aprender muito com esse grande exemplo!


Então confiram agora o vídeo criado pela Si, em que ela fala da Playlist Romântica criada para esse especial:




Confiram a Playlist completa:



Como podem ver é uma playlist intensa, como tudo o que a Si faz e escreve. Suas histórias são recheadas de drama, amor, suspense, muitas lágrimas e superação. 

Alex conheceu o sofrimento desde a mais tenra idade. Foi adotada e sua nova família não era a salvação que uma criança tanto precisava. O seu próprio pai adotivo lhe apresentou o primeiro inferno. Porém, o céu decidiu resgatá-la, foi quando em plena infância, Max apareceu em sua existência. Mas a jornada era árdua e Alex cresceu vivendo no inferno e sendo amparada pelo céu... Ela precisava escolher um dos caminhos, uma estrada certa que a levasse ao destino que tanto sonhara. Mas o jogo da vida não era fácil. Juan surgiu para relembrar o seu maior inferno. E, agora, Alex vive perdida, tendo que escolher "Entre o Céu e o Inferno". Conheça a história de uma jovem garota que aprendeu a viver com o ódio, o amor, o perdão, a fé e o recomeço. Uma jornada aterrorizante e com um delírio sexy e instigante. A pureza sublime de um céu... E o fogo abrasador de um inferno.

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Confira a RESENHA.
Infelizmente ou felizmente no caso né? A tiragem toda já foi vendida, sendo assim, para quem quiser conhecer essa incrível história agora somente em E-book. Mas não deixem de conhecer. Quem lê se apaixona e sabe o quanto é uma história real e profunda.
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João Roberto, conhecido por todos como Johnny — O Rei dos Pegas —, acabara de completar “Dezesseis”. Estereotipado como “rebelde sem causa”, levava uma vida desregrada, ao lado dos amigos, mostrando-se o cara legal e o maioral. Desejado por muitas garotas, sempre vencia os rachas que participava. Porém, ele não contava com um sobressalto do destino... Assim, apaixonou-se por Ana Cláudia, uma linda e doce garota que se tornaria sua salvação, bem como sua perdição. Dentre tantos conflitos e percalços para ficar ao lado de seu grande amor, Johnny entra de cabeça em uma disputa com destino à estrada da morte.
Inspirado na canção “Dezesseis” — da banda brasileira Legião Urbana —, este é apenas um enredo de amor recheado com muitas aventuras.
Apaixone-se, retorne no tempo, relembre seus “Dezesseis”... e seja, você também, um “rebelde sem causa”...

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Dezesseis é o próximo livro da Si, com previsão de lançamento ainda esse ano. Eu sou suspeita para falar porque sou beta dele, mas o que posso dizer é que essa história vai mexer demais com o coração de todos. A escrita da Si é perfeita, profunda, nos leva e entrar na história e no coração dos personagens.

Espero que tenham gostado. 

Beijoss





3 comentários:

  1. Fe,

    Que lindeza de post! <3 Espero que todos curtam o conto e a playlist.

    Desejo a todos - até mesmo para os solteiros como eu - um "Feliz Dia dos Namorados". Por fim, todos merecemos um acelerar cardíaco apaixonado. rs

    Beijossssssss

    Simone Pesci

    http://simonepesci.blogspot.com.br/

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  2. Nossa, fiquei sem palavras, com uma aperto no coração e lágrimas nos olhos. Que conto!! E sem duvida alguma uma playlist a altura.
    Bjos
    Lú Santana

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  3. òtimo! Parabéns a Simone e Roxette é sem palavras <3

    http://eraumavezlivrosecia.blogspot.com.br/

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