{Especial Nacional} Aldo Jr. por Aldo Jr.

"O que Silencia" de Aldo Jr.




Eu não tenho cara de escritor, pinta de escritor, história de escritor. No Brasil, escritor ou é doutor ou é miserável. Dizem por aí que quem nunca sangrou ou passou fome na sarjeta não sabe o que é poesia ou que quem não estudou literatura nas faculdades ditas cabeçudas é incapaz de produzir um bom texto. Eu quero é que se foda! Acho que começa é daí mesmo, do que é diferente, do que é contragosto, do que te coça a cabeça e te faz doer o estômago de raiva. Tenham raiva do poeta mendigo ou do poeta letrado. Morram de raiva de mim, que escrevo pra passar o tempo e nunca tive pretensão de ganhar prêmio. Foda-se! O que não pode deixar de existir jamais é gente odiando e gente escrevendo. Sem esse ódio - ou amor extremo - enfiado nas entranhas, ninguém seria capaz, jamais, de produzir porra nenhuma que valesse um centavo. Tudo o que causa dor pode ser transformado e isso independe de formação ou condição social. É condição humana, nada mais. Eu comecei a escrever pra tirar de mim algumas coisas que não saiam facilmente, coisas que eu remoía e me faziam mal demais. Com as bandas que tive pude colocar isso pra fora de algum jeito também. E aos 16, quando comecei a tocar bateria, também aprendi a beber bastante e por mais que eu tente negar, dizendo que o álcool não influencia minha “obra” – pode deixar entre aspas porque é assim que ela é mesmo – é impossível: influencia sim, e bastante. Hoje menos... quando bebo eu só anoto as ideias centrais pra trabalhar depois, não publico nada. Sai muita merda da gente quando a gente está quase adormecido de álcool ou de qualquer coisa que o valha. É sempre melhor reler. Ainda mais na ressaca. Um homem de ressaca é um exemplo de civilidade, como disse Xico Sá.

Minha adolescência foi toda em cima de bandas e porres e namoros fracassados, então eu tinha sempre matéria prima pra produzir alguma coisa. Mesmo que fossem coisas que não prestassem, eu estava sempre escrevendo e isso com certeza foi dando tom ao meu hobby. Ainda é hobby, não é trabalho! rs... Um dia, quem sabe, eu terei o privilégio de trabalhar escrevendo. Escrevendo pra quem quiser ler, pra qualquer um, pra todo mundo! Sem esse negócio de ter um público cativo... acho esse tipo de coisa muito besta. Gente que se rotula e delimita sua obra pra determinado público vai contra tudo o que eu entendo de literatura. Barreiras (sejam lá quais forem!) e literatura não combinam. Eu escrevo pra quebrar os muros, pra causar impacto e fazer com que meu texto alcance muita gente, gostem elas ou não, quero que leiam. Pra me xingar ou pra me elogiar, meu texto precisa estar em todo lugar.

Resumindo um pouco, esse foi o começo. Fui escrevendo, escrevendo e escrevendo e as coisas tomaram forma. Comecei a colocar num blog, começou a ter alguns acessos e isso ia motivando. Foi colocando mais coisa e hoje tem muito texto bom (e texto ruim também) no ar... foi de lá que eu tirei alguns poemas do livro e foi por causa do blog que eu dei vida à pagina do facebook. Hoje centralizo tudo na rede social porque é mais fácil de divulgar. E os textos de conteúdo mais agressivo eu guardo comigo... quem sabe vem um livro de contos por aí?!

Aliás, publicar um livro foi algo surreal demais pra mim! Eu não tenho rotina de escritor porque trabalho fora o dia todo, então, todo o trabalho foi feito aos poucos, nos intervalos entre um trabalho e outro, então levou um tempão. Depois que mandei pra editora, foi mais um tempão entre toda a revisão, diagramação, aprovação e tudo o mais... é custoso, trabalhoso, demorado, mas não tem nada que resuma o que é pegar na mão um livro seu. É indescritível. É fantástico demais e isso sem dúvida me motivou a continuar fazendo o que mais gosto de fazer. 

Foi durante o processo de finalização do “O que silencia” que comecei a escrever um conto que virou um romance e está nos "finalmentes" já... então, se você queria saber se tem novidade a caminho, tem sim! Logo mais meu primeiro romance estará por aí. Nada fácil também, né!? Escrever é tarefa árdua. Passei dias sentados olhando o computador por horas sem conseguir terminar uma página. Eu não tinha (não tenho, confesso) disciplina de escritor... chegar em casa e me jogar no sofá pra ver alguma série na TV ou ler um livro, sempre me atraiu mais. É uma puta armadilha! Se quer fazer o negócio andar, é bom ter um lugar pra fazer, uma música pra ouvir, uma caneca de café e pelo menos duas horas de sossego. Se não for assim, QUALQUER coisa desviará sua atenção e pronto! Já era. Tudo estará perdido.

Muito escritor fala que quando está produzindo alguma coisa não lê outro escritor... eu não tenho muito disso. Eu leio muito, o tempo todo, até coisas que não prestam ou que não agregam porra nenhuma. E isso me ajuda com a fluidez do meu texto... não sei qual é a exata ligação, mas me ajuda. Na minha estante tem cerca de 200 títulos... entre as coisas que mais gosto de lá estão os Bukowski, Rubem Fonseca, Julio Cortázar, Leminski, Fernando Pessoa, Lya Luft, Hunter Thompson, Daniel Galera, Ana Paula Maia e muita coisa de gente que conheci depois que coloquei a página no facebook... Diego Moraes – que é um monstro! – Adriana Brunstein – li o “Estado Fundamental” e achei genial -, o Bruno Bandido – que escreve feito um estivador – e até o Marcelo Mirisola, que não conhecia seu trabalho de escritor até o começo do ano passado. Enfim... minha estante, assim como minha “obra” é bagunçada e cheia de vertentes que se misturam bem mesmo não tendo nada a ver. É como colocar rum na groselha pra fazer um bombeirinho caribenho. Tem tudo pra ser uma merda (e até é!), mas a gente vai até o fim.

Nada fácil também, né!? Escrever é tarefa árdua. Passei dias sentados olhando o computador por horas sem conseguir terminar uma página. Eu não tinha (não tenho, confesso) disciplina de escritor... chegar em casa e me jogar no sofá pra ver alguma série na TV ou ler um livro, sempre me atraiu mais. É uma puta armadilha! 


Esse é Aldo Jr. e sua trajetória, como músico, escritor pessoa em primeiro lugar!
O Blog deu plena liberdade de escrever tudo como ele quisesse, tudo que sentisse, pois estamos aqui para isso, dar liberdade aos escritores, principalmente nacionais! Parabéns Aldo! E obrigada!





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