{Especial Nacional} Preconceito com a Literatura Nacional

Imagem: Brasil Escola


Oi pessoal. Sabemos que infelizmente ainda existem muitas pessoas que tem preconceito com nossa literatura. Mas realmente o pior disso tudo, é que a maioria dessas pessoas nem se permitiu ler alguma coisa, ou as vezes leu um livro, não se identificou e através dele julgou todos os outros. 

Nossa literatura é como todas as outras. São pessoas com dom, escrevendo para chegar ao coração de várias outras pessoas. Então da mesma forma com que "lá fora" existem histórias boas e ruins aqui também acontece o mesmo. 

Então hoje, nossa querida autora e jornalista Sheila R. Mendonça irá nos falar um pouco sobre esse preconceito.




Literatura nacional está cada vez mais ganhando espaço, mas ainda é um trabalho de formiguinha.

Estamos no ano de 2015 e é evidente que o quadro editorial e comercial da literatura nacional é diferente de dez ou até mesmo cinco anos atrás. Diferença esta perceptível a olhos vistos e mais ainda para quem faz parte dela, tanto como autora, quanto como revisora de texto.
Quando comecei a trabalhar na área de revisão e copy desk em 2009, apesar de ter começado com livros técnicos em uma editora que seguia essa linha editorial, paralelamente não ouvíamos e não existia essa febre de autores nacionais fazendo eventos literários, e muito menos se ouvia falar na quantidade que existe hoje de blogs literários.
Continuou sem grandes progressos quando em 2010 publiquei o meu primeiro romance. Optei por publicação sob demanda porque não tinha como pagar a uma editora na época. Achei o projeto fantástico e o fato do livro ficar exposto no site por tempo indeterminado, na livraria virtual da editora, encheu os meus olhos.

Publicação sob demanda funciona da seguinte forma: você envia o seu original, que subtende-se que esteja bem escrito, revisado e pronto, para a editora de publicação sob demanda e seu livro fica exposto na loja virtual deles, e conforme as pessoas forem comprando ele passa a existir de forma física, ou seja, na forma impressa. Naquela forma de livro que amamos tanto a ponto de cheirá-los, mas isso é assunto para outra oportunidade. O autor também pode ir comprando e estocando para revender ou participar de eventos, palestras, workshops, e diversos tipos de divulgação.

Ah, mas qual é a diferença se você paga do mesmo jeito? É verdade, é um investimento da mesma forma, com a diferença de que assim você vai desembolsando aos poucos e como o autor puder.
Em 2010 o Clube de Autores proporcionou que o meu sonho virasse realidade me abrindo portas para enfim eu ingressar na carreira, mas não podemos cruzar os braços e é aí que entra a diferença de como está o mercado literário brasileiro hoje.
O problema do autor é achar que seu trabalho termina quando publica. NÃO, minha gente, é agora que começa!
Digamos que existem diversas fases e a realização da publicação não é o encerramento delas. O autor tem que se fazer visto. Como o leitor irá te conhecer se você não aparecer? Como a literatura nacional vai chegar à casa das pessoas de seu país se você não se empenhar na divulgação de seu trabalho?
Hoje em dia existem mil ferramentas para isso e só fica anônimo, o autor que quiser ocupar este lugar. Autor que diz que não quer ser conhecido e nem precisa ser lido, pra mim soa como preguiçoso. Arregaçar as mangas é um trabalho de formiguinha, mas vale muito a pena.
O surgimento dos blogs literários foi fundamental para a diferença no mercado literário no decorrer destes anos. Eles nos ajudam sim, principalmente os que são sérios. Fazem resenhas, entrevistas, eventos, divulgação, sorteios, brindes, gincanas, brincadeiras... É só saber escolher.

Mas com tudo isso ao alcance de nossas mãos continua sendo um trabalho de formiguinha, degrau a degrau, um passo de cada vez e avante sempre. O brasileiro ainda lê pouco, a literatura nas grandes capitais não pode servir de base para falar em crescente leitura no Brasil como um todo. O nosso país é enorme e ainda existem muitos lugares sem acesso a ela. Mas até nisso já existem consideráveis movimentações fazendo a diferença, existem muitos projetos de pessoas comprometidas em incentivar a leitura para a população mais humilde, de crianças às suas famílias, assim abrangendo a família toda. E da família passa aos amigos e conhecidos... É a possibilidade do marketing mais eficaz no mundo: o boca a boca.

Tudo é uma eterna mudança e adaptação, pois o quadro atual é de jovens cada vez mais focados no celular, nos seus tablets e afins, então o autor que quiser atingir esse público tem que entrar para o mercado de e-book e publicação na internet, tipo o Wattpad, que apesar de não ser fã do uso dele para mim, eu sei enxergar a sua funcionalidade e qualidade para este objetivo.
Ser autor é preciso amar escrever e o português — quem não gosta da nossa língua tem que procurar outra profissão, né gente?! —, mas também amar trabalhar, gostar de arregaçar as mangas de verdade e aparecer, fazer contato com os leitores pelas redes sociais, participar de eventos literários, de antologias, responder aos comentários dos leitores e principalmente acreditar que vai conseguir.
Ontem era tudo tão difícil, hoje já temos grandes mudanças e amanhã visualizo que esteja muito melhor, mas tudo isso só é possível graças à movimentação. Ninguém altera nada se mantendo na estagnação, então vamos descruzar os braços, acreditar, investir, fazer acontecer e vamos que vamos.

O preconceito ainda existe por parte de alguns leitores, eles têm preguiça de ao menos conhecer a literatura da casa, então essa aproximação com os nossos leitores faz toda a diferença, mas essa é uma conquista diária, o que não pode de jeito nenhum é o autor se sentir derrotado por causa disso, ou já começar no meio frustrado por conta do mercado literário de ontem, hoje está diferente e para melhorar cada vez mais só depende de nós.

Sheila Mendonça – autora de "Cabra Cega", "Romances em Contos", "Encontros & Desencontros", "Romances em Contos 2" e em breve de "Deserto de Escolhas".



Gostou?
Não deixe de conhecer os livros publicados pela Sheila:



Clara e Gustavo se conhecem em um clube de Curitiba quando ela estava pensando em viajar, antes de começar a faculdade, e então se apaixonam e casam. Assim, a vida de Clara muda rapidamente. A mudança é radical, pois Gustavo se revela um homem agressivo, ciumento, possessivo, violento, ardiloso e perspicaz, com isso transformando a vida dela numa constante surpresa e esconde-esconde. Não somente de comportamentos, como também de cidades. Com o intuito de não criar laços com ninguém e, principalmente, de não deixar que a família de Clara saiba onde ela está, você vai acompanhar Cabra Cega sem ter a certeza de até quando aquela cidade fará parte dos planos de Gustavo.
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Ah, a amizade, este relacionamento que encanta, decepciona, causa conflitos, inspira e faz transbordar de alegria nosso coração. É o alicerce que nos ampara e nos desestrutura, vínculo profundo e incerto. Difícil é defini-la em palavras, mas impossível viver sem ela.








Romances em Contos é um livro que reúne treze autoras contando pequenas histórias de amor!

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Romances em Contos 2 - Quinze autores reunidos escrevendo sobre o amor e sentimentos.

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Então leiam, se permitam conhecer obras maravilhosas que temos na nossa literatura. E melhor, ter contato com esses autores maravilhosos. Vocês não sabem como é bom ler uma história e depois poder reclamar, elogiar, até sentir raiva do autor e poder falar tudo isso com ele rs.

E participem da campanha e gincana pela literatura nacional, se informe mais AQUI!


Beijossss


6 comentários:

  1. Oiee ^^
    Lembro que, quando comecei o blog, tinha certo preconceito com os livros nacionais. Minha irmã sempre me dizia que os estrangeiros eram melhores, e isso meio que ficou na minha cabeça. Demorou um pouquinho, até que eu passei a conhecer alguns autores e fechar parcerias, e agora, tenho muitos nacionais favoritados que mexeram muuito comigo ♥ É como você disse lá em cima, existem nacionais ruins e bons, mas também existem estrangeiros ruins e bons.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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    1. Acho que acontece com muitas pessoas. Eu sinceramente não foi preconceito, mas falta de conhecimento mesmo, para mim nacionais eram os clássicos e Pedro Bandeira, que era o único que conhecia, depois que comecei, não consegui mais parar, hoje em dia leio estrangeiros, mas em menor número, minhas leituras são basicamente de livros nacionais.

      beijosss
      Fer

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  2. Sabe, acho engraçado, nunca tive preconceito com nacional, porque não sabia da existência deles. hahaha... Quando descobri, já comecei por uma história que gostei, então nunca tive preconceito.
    bjs

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  3. Minha querida, o post ficou ótimo, adoro a forma que você distribui tudo. Que eu possa inspirar e ajudar com essas palavras. Obrigada pelo convite. :)
    Beijo, beijo!
    She

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  4. Arrasou minha amiga escritora Sheila.
    Adorei o texto. Tão verdadeiro e cheio de ensinamento para nossa área, a literatura.
    Beijos.

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  5. Falando como leitora, eu nunca tive preconceito com autores nacionais, eu não conhecia essa literatura atual, não sabia da sua existência (só conhecia os clássicos), e quando passei a conhecer, me encantei e confesso que ultimamente tenho comprado mais nacionais que os gringos. É muito bom poder conversar com o autor sobre o livro, o q achamos é maravilhoso!
    Bjos
    Lú Santana

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