{Resenha - Especial Nacional} Montanha da Lua de Mari Scotti

Imagem Brasil Escola
* Esse livro foi lido para a Gincana Nacional

Há séculos uma verdade acompanha cada herdeiro do ducado de Bousquet: A Maldição dos Hallinson’s.
Conta-se que a tragédia os acompanha, levando à morte as esposas em seu primeiro ano de matrimônio. Geração após geração, aprendem sua sina e a regra a seguir para possuir uma união frutífera e longa.
Octávio Hallinson Segundo sofre as consequências de não seguir estes ensinamentos. Viúvo, isolou-se da sociedade, fugindo da responsabilidade de casar-se novamente para providenciar um herdeiro para seu título.
Um homem marcado pela dor.
Mical Baudelaire Nashgan sempre foi uma mulher decidida, enfrentando as ordens de sua tia e negando-se a seguir o protocolo que obrigava mulheres a procurar maridos apenas por posse de títulos e dinheiro e não por amor.
O posicionamento contraditório aos costumes afastou os candidatos, tornando-a uma das únicas solteironas que sua província conheceu. A mais bela dentre elas.
Uma tragédia a coloca frente aos perigos da floresta aos pés da Montanha da Lua e seu futuro torna-se incerto e assustador.

Publicação Independente * 2015 * 249 páginas * Classificação 5/5



Amei. Amei. Amei.

Uma história de época que enche aos olhos e preenche o coração.

Mical é uma mulher balzaquiana e que está muito longe de se casar. Um absurdo para a sua época, onde as mulheres desde novas já eram prometidas a seus futuros esposos, precisando casar-se assim que chegasse a idade considerada para tal fato. Mas não Mical, ela não aceitaria casar-se sem amor. O que por si só já a fazia ser alvo de comentários de toda uma sociedade que vivia de preceitos.

Mical ficou órfã cedo, precisando ir morar com seus tios e primos. Mas sempre faltou amor em sua vida. Sua tia nunca gostou dela, e sempre a tratou com muita frieza, e Mical nunca pode compreender esse fato e ansiava por um pouco mais de carinho vinda da mulher que praticamente a criou.

Como Mical não aceitava mesmo muito bem nenhuma das regras daquela época, em uma das visitas que fez a uma prima, resolve voltar sozinha, mas se depara com um grande perigo.

Quando Mical reabre os olhos ela se depara com um homem que a enche de medo e pavor, e a faz pensar as piores coisas possíveis do ser.
Mical acha que o homem a sequestrou e imagina as piores coisas possíveis.

O que ela ainda não sabe é que o seu “algoz”, o que pelo menos ela acha que é um. É ninguém menos que Octávio Hallinson, um homem nobre naquela sociedade, mas que vive recluso amargando toda sua imensa dor e medo.

Octávio já amou e foi amado. Mas isso em sua família é sinônimo de maldição e tragédia. Todas as mulheres que foram amadas pelos Hallinson tiveram suas mortes prematuras.

O que Octávio não esperava era se apaixonar por aquela que salvou. Aquela mulher linda, cheia de coragem e língua afiada.

A convivência os fará lidarem com sentimentos desconcertantes para Mical e cheios de receio para Octávio, mas assim que Mical está melhor, Octávio resolve leva-la de volta para sua família, sem ao menos olhar para trás.

Novamente Mical se vê em volta de toda a frieza de sua tia que dessa vez resolve casa-la o mais rápido possível e Mical não vê mais como fugir de um casamento sem amor. O que ela não esperava era que seu noivo, era ninguém menos que Octávio que precisa de um herdeiro urgente, mas avisa que ela não encontrara amor nesse casamento.

Ai minha nossa. Tem um casal mais fofo, lindo e querido que esse? Sério, eu fiquei encantada por eles.

Uma das cenas que mais me chamou a atenção. Foi a primeira noite de amor de Mical e Octávio.
Que cena bem escrita, que sentimentos lindos. Eu leio muitos romances e na maioria deles claro existem cenas de sexo, mas sinceramente, há muito tempo não lia uma cena que achei tão doce, tão envolvente. Tão cheia de sentimentos, emoções. Um misto de amor e desejo na medida certa. Lindo, lindo, lindo. Cena perfeita. Octávio se provou mais uma vez ser um homem verdadeiro em todo o seu ser.

Ele é encantador. Com certeza o príncipe encantado de muitas mulheres. Um homem nobre em todos os sentidos, honesto, justo, mas que exala masculinidade em todos os poros. Aquele tipo de personagem que conseguimos ouvir sua voz e sentir todos os pelos se arrepiarem, sua magnitude é inexplicável. Mas em certos momentos, sua covardia – vamos chamar assim, chega a ser irritante. Ele parece um garotinho com medo de escuro. É de se imaginar que um homem como ele deveria ser mais crente na fé e menos crente em superstições. Mas Octávio já passou por tantas tragédias que uma nuvem negra toma conta de sua visão e ele tem certeza de que mais uma vez a morte levará o seu grande amor.


"...A morte é algo inevitável com maldição ou não! Eu poderia morrer agora mesmo ou você. Assim é a vida. E privar-se da felicidade por medo é a pior maneira de vivê-la."

Mical é aquele tipo de mulher para se admirar, ainda mais por viver na época em que viveu, foi o tipo de mulher que não tinha medo de demonstrar e seguir o que acreditava, mas conservando os traços femininos, o respeito e a educação exigidos da sociedade para com as mulheres na época.

Mas infelizmente nem tudo promete ser tão fácil quanto parece. O medo de ambos. De um lado o medo de não ser amada, do outro lado de perder a pessoa que mais ama, faz com que eles tenham que passar ainda por muitos, muitos obstáculos, para talvez, só talvez, lá na frente encontrarem a paz e a felicidade que tanto precisam e merecem.

Eu achei espetacular o desenvolvimento da história e confesso que não esperava ser surpreendida. Quando comecei o romance, já percebi pela forma com que se desenrolava o enredo que iria adorar. Mas achei que seria só romance, e não pensei que pudesse esperar nada além disso. Já estava contente, afinal estava mesmo muito satisfeita com o enredo, mas qual não foi minha surpresa, ao me deparar com um segredo de família. Segredo esse que realmente deu uma dose totalmente diferente a história. E novamente achei espetacular o desenvolvimento dado. Claro que ficamos esperando certos acontecimentos. Mas creio que realmente seria assim que rumos tomariam, se essa história fosse vivida realmente por alguém naquela época.

É de se lembrar que infelizmente antigamente, as mulheres eram apenas objetos perante os homens e as sociedades. Mulheres eram única e exclusivamente “artefatos” que serviam para cuidar da casa, servir de adorno para seus maridos e claro promover herdeiros para dar seguimento aos nomes. Nenhuma mulher poderia mostrar sua opinião, sentimentos e mais ainda desejos, e claro que se alguma coisa acontecesse com uma mulher, sendo ela culpada ou não, a culpa jamais recairia sobre um homem, sempre seria culpa da mulher.
Isso é desprezível, mas é passível de entendimento, era assim e pronto, não nos cabe julgar e ás vezes vai além de nossa compreensão.
Senti muita pena dessa personagem, até porque confesso, estava pegando uma raiva tão grande de suas atitudes e quando soube do ocorrido me compadeci.
Achei perfeita a mensagem embutida nessa história. É sempre impressionante a facilidade que temos para julgar ou desgostar de uma pessoa perante as ações dessa, mas é quase sempre impossível parar para refletirmos o porquê de tudo isso, o que será que essa pessoa esconde. Ou seja, é mais fácil julgar, do que entender e até perdoar, até porque infelizmente sempre vamos achar mais fácil imaginar que a pessoa deveria ter passado por cima de tudo isso e não se amargurar durante tantos anos, levando amargura para a vida de todos em sua volta. Mas nunca vamos ter o poder de entender quanto uma dor pode transformar o coração e a alma de uma pessoa.

A história tomou rumos inesperados. Eu amei tanto Octávio, mas em certos momentos não pude até deixar de odiá-lo um pouco. Eu entendia o medo dele, mas minha nossa como deixar esse medo fazer com que ele perdesse tantos momentos únicos em sua vida? Mas era impossível não se compadecer de sua alma e não chorar com ele em todo o seu sofrimento?

O final foi você terá que ler para saber. Nego-me a falar qualquer coisa sobre ele.
A escrita da Mari, é simples e fluida. O que tornou a leitura muito rápida e prazerosa.
Posso dizer que terminei a história muito emocionada. E com uma vontade enorme de ler mais histórias de Mari nesse gênero e querendo muito, muito mesmo conhecer outros Hallinson’s. Será que tem mais por ai?



 "O mais importante não é a forma que a vida se apresenta, mas como a aceitamos."

E não deixem de conhecer a história. E participem de nossa gincana pela literatura nacional.

Beijoss



2 comentários:

  1. Amei a resenha Fernanda, ainda mais por saber que gostou! Teremos mais histórias sim, dos outros Hallinsons, só falta escrever UAHAUAHUHA.
    Obrigada pelo capricho. Sobre o segredo de família, realmente escrevi o desfecho da forma que imaginei que aconteceria naquela época e fico grata que tenha ficado crível. Obrigada!

    Beijão, Mari Scotti

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  2. Já quero ler. Nossa parece ser maravilhoso!
    Bjos
    Lú Santana

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