{Resenha} O Céu Está em Todo Lugar de Jandy Nelson

Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda...


Novo Conceito * 2011 * 423 Páginas * Classificação 4/5



“Às vezes é preciso perder tudo para encontrar a si mesmo...”


Lennie com certeza está vivendo e aprendendo isso na própria pele.
Ela está sofrendo. Ela sente o vazio, a dor, o medo e as incertezas com toda a força de seu ser.
Sua irmã Bailey faleceu, e Len não sabe mais como continuar seguindo a sua vida.
Ela não sabe continuar de onde parou. Como seguir sem sua irmã?
Ela vive com sua avó, e um tio bem “maluquinho”, diga-se de passagem. Na verdade toda sua família parece ser meio “fora de órbita”, mas são ótimas pessoas.

É nesse cenário meio triste que Lennie conhece Joe. Ele é lindo, é engraçado, companheiro, inteligente e parece fazer de tudo para estar ao lado de Lennie.
Ela tem praticamente zero de experiência com garotos, então demora um pouco para que caia a sua ficha, e ela entenda que Joe além de amigo, quer ser algo mais.
Mas como confusão é um sentimento que não anda sozinho, ela também precisa lidar com Toby e o grande buraco existente em seu coração.
Toby era o namorado de sua irmã. Eles eram loucamente apaixonados. Eles iam se casar...
Toby assim como Lennie sabe o tamanho do sofrimento de perder alguém que se ama, assim como ela parece que se esqueceu de como é continuar caminhando com sua vida. E é em meio as suas dores que eles acabam se aproximando mais do que deveriam.

Culpa. Esse é o mais novo sentimento para fazer companhia a todos os outros que já deixam a mente e o coração de Lennie mais do que dolorosos e inseguros. Ela sabe que não deveria. Toby deveria ser proibido. Mas parece que somente um é capaz de entender verdadeiramente o que o outro está sentindo, e parece que o sofrimento em comum e essa estranha ligação é a única coisa capaz de trazer um pouco de paz aos corações aflitos.


“Eu deveria estar de luto, não me apaixonando...”


Lennie sabe que é loucura, ela sabe que Toby não é certo para ela. E Joe... Ah Joe, ele faz mais do que aplacar a sua dor por poucos instantes, assim como Toby, ele a faz sair desse poço de tristeza, ele a faz esquecer por um momento tudo o que ela perdeu e tudo o que nunca teve, ele é o único capaz de fazê-la sorrir.
Então ela precisa se decidir. Afinal é tão errado parecer gostar de duas pessoas.
E quando ela toma a sua decisão, quando ela realmente consegue compreender seu coração, infelizmente as coisas saem do seu controle e mais corações serão feridos nessa história.

Agora Lennie precisa aprender a seguir em frente. Lutar para trazer de novo a vontade e alegria de viver a sua vida. Consertar seus erros, pedir perdão, aprender que não é a única a sofrer e a chorar nesse mundo. Ela terá que superar suas cicatrizes, amadurecer, correr atrás dos seus sonhos e mais ainda: ir em busca do seu céu.

O Céu está em todo lugar é uma história que nos enche de sentimentos meio indecifráveis.
Ao mesmo tempo em que a história nos traz uma leveza, ela deixa nosso coração meio pesado. Como se fosse impossível retirar todos os sentimentos tristes de dentro dele. Sentimentos profundos, tocantes...
Uma tristeza que parece se arraigar em nosso coração, mas ao mesmo tempo ficamos com a sensação de que coisas boas estão por vir.
Uma mistura de perda com esperança.
De medo com coragem.
De querer sorrir e ao mesmo tempo chorar.

É como se lêssemos um diário de alguém escondido e ficássemos com medo do que vamos ler, e do quanto isso pode mudar nossa visão sobre a vida em geral e sobre a vida de quem estamos lendo.
É como se fôssemos adentrar as páginas e de repente viver aquela história, e isso nos enche de pavor, mas ao mesmo tempo nos enche de uma grande expectativa.

O mais estranho é que a história não é tão fluida, achei por alguns momentos, descritiva demais. Detalhes que talvez não se fizessem tão necessários. Mas ao mesmo tempo ela nos puxa para ela, de uma forma que é impossível não devorar suas páginas como se aquilo fosse algo mais que necessário.

Foi uma história que me cativou e me emocionou.
A delicadeza das palavras. A construção e desenrolar do enredo. O dom da autora de transmitir e nos fazer sentir exatamente como seus personagens.
A história ultrapassa o enredo sobre o romance jovem e suas escolhas. É sobre perder um pedaço de quem você é, e mesmo assim continuar a viver, pois é assim que deve ser.
A vida não para por que alguém que amamos morreu. Quando nós morremos, ela só deixa de existir para nós, as outras vidas continuam seguindo em frente, mesmo que às vezes de forma meio torta, é e isso que Lennie precisa aprender e aceitar.

Como bem disse uma amiga minha, é uma escrita poética.
Não vou falar muito sobre Joe e Toby para que vocês não percebam a minha preferência e minha felicidade ao chegar ao final da história.
Mas posso dizer que os dois me encantaram e conquistaram. Cada um de sua forma.
Um claro me conquistou um pouco mais, desde o começo da história eu torcia por eles, e fiquei feliz com seu final, já o outro fiquei um pouco chateada por não saber mais sobre que caminhos teria seguido, e nesse ponto penso que a autora deveria escrever uma continuação.

É difícil dizer adeus quando gostamos de um personagem e ele por fim acaba meio que “esquecido”.

A diagramação é a coisa mais linda. A capa não é uma capa dura, mas não é a capa que geralmente estamos acostumados, desculpem minha ignorância, mas realmente não sei dizer que tipo de capa é essa. Mas a capa é linda, e muito significativa.
A letra é azul o que torna a leitura ainda mais prazerosa e encontramos em quase todos os inícios de capítulos poemas ou simplesmente desabafos escritos por Lennie e que literalmente meio que foram “deixados ao vento”. Mas são esses textos que fazem com que possamos adentrar ainda mais em sua alma.

Foi doce e emocionante aprender que O Céu Está em Todo Lugar.
E indico essa leitura para aqueles que não esperam um devorar de páginas, com um romance arrebatador e enlouquecedor. Mas sim para aqueles fãs de uma escrita mais leve, mais poética, com uma delicadeza ao expressar os sentimentos e as emoções. Para aqueles que apreciam uma leitura que deve ser feita de forma mais suave, apreciando cada momento vivido e sentido pelos personagens.

Beijosss

 

4 comentários:

  1. AI-MEU-DEUS! S2
    Está aí o livro que eu mais amo na vida. Deu até vontade de ler de novo, pela quarta vez. rs
    A delicadeza que a autora colocou a narrativa, ou seja, de forma poética, foi o que mais me encantou. Além, é claro, da verossimilhança dos fatos, que é uma da coisas que me chama atenção num texto. Eu achei a leitura super fruível. Amo incondicionalmente. Por fim: o meu queridinho. S2 Sonho com ele nas telonas.

    Amei a resenha, Fer! S2

    Beijosssss

    Simone Pesci

    http://simonepesci.blogspot.com.br/

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  2. Oi Nanda que resenha incrivel amei amei, eu não conhecia a escritora, o livro parece ser lindo com certeza vou ler bjs.

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  3. Ahh quero, quero, quero!
    minhas amigas já leram e deram ótimos elogios! Mal posso esperar para ler !
    Bjão

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  4. Apesar da resenha esta perfeita, não quero ler esse livro, evito alguns livros que falam de morte.

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