{Resenha} Estrelas Cadentes Não Dizem Adeus de J.A. Marcos

Emily é uma jovem de 23 anos, professora de história, que mora com seus pais e seu irmão caçula, Jason. Tudo seria perfeito em sua vida se não houvesse um pequeno detalhe: ela é cega. Mesmo assim, tornou-se uma garota independente, que em meio as dificuldades conseguiu superar o fato de não enxergar e leva uma vida normal.
Porém, Emily ainda possui dificuldade em conseguir manter seus relacionamentos amorosos, devido aos preconceitos em relação a se envolver com homens que se diferenciem de seu estilo de vida. Mas o destino colocará Mathew no seu caminho, seu mais novo vizinho: jovem, bonito, com sede de viver.
Com 21 anos, Matt adora andar em sua moto, tem uma tatuagem que toma todo o seu braço, e acaba de se encantar pela beleza rara de Ems.
Ela é tudo que ele sempre quis, ele é o oposto de tudo que ela sempre imaginou querer.
Um romance divertido, com pitadas de humor e um pouco de drama. Uma grande lição de vida, mostrando em seu contexto as dificuldades de se viver em uma sociedade que não está preparada para abraçar as pessoas com deficiência.

“Estrelas cadentes não dizem adeus" traz uma história envolvente, narrada sobre o ponto de vista da própria protagonista, com um final surpreendente, capaz de fazer você se emocionar, torcer e chorar.

 Tribo das Letras * 2014 * 212 Páginas * Classificação 5/5


“... Aquele conto de fadas moderno... Onde uma cega se apaixona por um motoqueiro.”
  


Envolvente, emocionante e de uma delicadeza que nos deixa com o coração leve e ao mesmo tempo pleno.

Ler romances já é algo “rotineiro” em minha vida. Sou uma leitora bem eclética, fora o terror, leio praticamente tudo. Mas os romances acabam ocupando boa parte de minhas leituras, e eu não reclamo. E tem romances para todo o tipo de gosto.
Mas vou confessar que quando leio um romance escrito por um homem, sei lá, as coisas parecem ainda mais lindas.
Sempre achei que era fácil para uma mulher falar de amor. Para os homens nem tanto assim... Mas quando o fazem parecem que eles tem uma “coisinha a mais” dentro deles. Um segredinho que é só deles e de ninguém mais. Assim senti durante toda a leitura de Estrelas Cadentes não Dizem Adeus, e ficava me perguntando se o autor viveu algo parecido...
(curiosidade de leitor).

Amo histórias com protagonistas “diferentes”.
É fácil e clichê sempre manter aqueles personagens: O mocinho um cara meio (só meio) bad boy, muito rico, que vem resgatar a mocinha de sua triste vida, ou algo assim. A mocinha inocente, que sofreu por amor, linda, loira, de cabelos reluzentes e por ai vai... Ou então tudo ao contrário rs.
Nada contra, eu já disse, também amo os clichês, mas vamos falar a verdade, histórias não clichês tem aquele Q a mais sabe?
Assim é Estrelas Cadentes não Dizem Adeus.

Emily passou a sua vida inteira na escuridão. Sim, ela é cega (cega, não precisa de rodeios com ela). Mas mesmo assim ela nunca foi uma pessoa amarga, ou acomodada em sua vida. Ela tem uma vida praticamente normal, ela trabalha, concluiu a faculdade, pratica esportes e anda muito bem obrigada, sozinha pelas ruas de sua cidade.
Ela viveu praticamente a vida toda na escuridão, mas isso não quer dizer que a escuridão vivia dentro dela. Mas mesmo assim, faltava aquele brilho. Aquele sol que chega, te aquece de uma forma que o brilho nunca mais se apaga. 

“Eu enxergo com algo muito mais importante, com algo muito mais forte. Com a alma, com o coração. Hoje não sinto falta de ver a luz, pois já tenho a luz dentro de mim.”

 Sabe tipo uma estrela cadente mesmo? Ela passa e deixa aquele rastro de luz e fica impossível algum dia aquilo ser esquecido, aquela luz deixar a sua vida.
Assim Emily conhece Mathew. Antes que eu diga que o Mathew é lindo, forte e bad boy, devo dizer que “ver” e imaginar o Mathew pelos olhos da Ems ganhou outro significado para a palavra BELEZA.
Emily não o via com os olhos, ela o enxergou com o coração. E é com esse mesmo coração que vamos enxerga-lo. Mathew parece um rapaz bonito, mas é a beleza de sua alma que nos encanta, que nos apaixona e que nos faz desejar um mundo com mais Mathew’s.
Mathew é aquela estrela cadente de que lhes falei, chegou devastando, ou melhor, conquistado a todos com sua luz que nunca se apagava. Um rapaz com um coração enorme, um jeito simples de ser, com um humor capaz de fazer até zumbi rir (não estou exagerando).

“Será que faltava mais alguma coisa? Só ele querer me levar para um show de rock bem pesado ou coisa semelhante, para estourar os meus tímpanos e me tornar uma cega surda.”
Ele realmente se apaixonou por Ems, assim que pôs os olhos nela, tudo bem que a recíproca não foi verdadeira rs. Emily é uma moça super preconceituosa, e um dos “problemas” de Mathew era ser dois anos mais jovem que ela (e esse era só um dos empecilhos que Emily achou para dispensar o rapaz). Ela não admitia isso, para ela, Mat não passava de um moleque, mas ele estava disposto a provar que ela estava errada.

Aiii como continuo essa resenha quando tudo o que eu quero é pegar o livro e começar a relê-lo? É aquela história que a gente quer ler, reler e ler novamente de tão linda que é.
Mas vamos tentar...

Mathew realmente foi a luz que Emily nem sabia que faltava em sua vida. Gente as coisas que ele fez para conquista-la... É sério, parece que só existe em livros, mas a gente sabe que sim, ainda existem amores assim pelo mundo. Eu não vou ficar citando aqui todos os gestos maravilhosos com que Mat conquistou Ems, senão eu não faria mais nada além de enumerar e suspirar. Fora que estragaria toda a “surpresa” de vocês e o coração não daria aqueles saltos como o meu deu, diante de seus gestos.
Foi lindo, foi emocionante, foi de encher o coração de esperanças.
Emily fez de tudo para afasta-lo, ela queria mostrar a ele o quanto seus mundos eram diferentes. O quanto seria difícil para ele namorar uma garota cega, como ela não poderia acompanhar seu mundo e nem ele o dela. Mat fez de tudo para mostrar que ele poderia sim se adaptar com a vida dela e ela com a dele. Toda vez que ela tentava fazer com que ele desistisse, ele estava um passo a frente para mostrar que ela estava errada. Que quando existe amor não existem obstáculos intransponíveis.

“Temos que arcar com as consequências de nossas escolhas. Se optarmos por um caminho, temos que ser fortes o suficiente para suportar as pedras pontiagudas que nos esperarão durante o trajeto.”
Ai céus, acho que realmente vou ali realmente ler a história mais uma vez.
Mat é o tipo de personagem que nos faz pensar em abraços, em ursos de pelúcia que chegam com rosas, em um colo no gramado em dia de sol...
Em conforto, em proteção, em um amor capaz de tudo. Ele nos faz sonhar e acreditar que realmente existe luz mesmo em meio a noites de tormenta.
Ele encheu a vida dela de cores, de brilho, de alegrias que ela não sabia existir. Pois é difícil sentir falta de algo que nós não vivenciamos.
Sinceramente não sei mais o que dizer para demonstrar o quanto essa história me cativou, me emocionou. Se tornou mais uma das histórias que viram meu xodó e quero levar para sempre comigo.

Impossível não amar esses personagens. Emily apesar de todos os seus preconceitos, é uma personagem de coragem, de fibra que nunca ficou sentada esperando a vida passar, claro que ela tem alguns momentos em que gostaria que as coisas fossem diferentes, mas ela não se tornou uma pessoa que deixou de ter esperanças, de ir atrás dos seus sonhos, e de ver o mundo, literalmente com outros olhos.
O que mais me conquistou foi ver que ela não faz “mimimi”, ela é uma garota inocente sem fazer disso o centro do seu mundo. Quando decide o que quer ela vai atrás e pronto. Não faz uma novela em torno dos acontecimentos de sua vida e das coisas que desejava para si. Claro, que no começo foi difícil deixar Mat fazer morada em seu coração, mas depois que ele entrou ela queria ser dele, queria tudo dele, e assim foi a história deles. Emily não fazia de sua deficiência o centro do seu mundo, a sua garra e determinação eram esse centro. E a sua família. 

“Ter medo de viver é se prender em uma masmorra. É perder oportunidades. É deixar a felicidade bater em sua porta e não atender simplesmente por medo do que possa estar ali por trás. A vida é cheia de surpresas, horas boas, horas ruins, mas sempre surpresas. E cabe a nós, apenas a nós, decidirmos como agir em cada situação.”

Um romance doce, envolvente e que faz nosso coração enternecer.
Mas claro que como tudo em nossas vidas, ainda existiam alguns obstáculos e eles precisariam enfrentar.
Ela achava que estava sendo salva por ele... Mas o contrário também era verdadeiro!

Uma história que poderia ser real, que na verdade até deve mesmo ser. (Queria eu conhecer a Ems e o Mat da vida real).

Uma das coisas que mais amei na história foi viver na pele de Emily. Quando não vivemos essa realidade ou temos alguém próximo de nós que vive, é fácil fechar nossos olhos diante das dificuldades que pessoas com algum tipo de deficiência enfrentam em nosso país e em muitos outros. Emily me fez enxergar as dificuldades que eles enfrentam todos os dias, tanto de acessibilidade, quanto do próprio preconceito das pessoas.
Minha mãe tem uma amiga que é cega, infelizmente eu não a conheço tanto, tivemos pouco contato. Mas é impressionante as coisas que ela faz. Na verdade parece que pessoas assim tem mais vontade do que nós de viver, de seguir em frente e de enfrentar os obstáculos, e pensem se para nós que podemos ver tudo o que está a nossa frente é complicado, imagina como é para eles? O que não podemos é pensar que eles são pessoas diferentes de nós. E não digo somente de pessoas com deficiência visual, ao contrário, eles realmente tem muito mais força e determinação que muitos de nós, apenas, infelizmente, tem mais dificuldades para algumas coisas que para nós é muito mais fácil. E nos esquecemos de agradecer por esses “pequenos detalhes”.
Achei interessante vários exemplos que o autor citou. E isso me fez refletir tanto...

O final me deixou com o coração em pedaços. Tive tanto, mas tanto medo. Sei que os autores são meros “instrumentos” e quem conduz realmente a história são os personagens. Mas é tão, tão difícil dizer isso ao coração (e ai queremos matar os autores por fazerem isso conosco). Enfrentar esse tipo de coisa. Mas tudo acontece como tem que acontecer, as lições vem, os obstáculos são superados, as lágrimas enchem nossos olhos, a esperança o coração e o final é como tem que ser.
Afinal Estrelas Cadentes não dizem Adeus...
“Você pode tudo o que você sonhar, Ems. Não existem limites, não existem barreiras.”
A diagramação é super fofa, com notas musicais que tem todo um significado que eu não vou contar, claro. Mas apesar de linda, eu acho que as ilustrações poderiam se resumir as primeiras páginas de cada capitulo, pois infelizmente principalmente a noite, acaba atrapalhando um pouco a leitura. Existem pouquíssimos erros de português, e esses não atrapalham em nada a leitura, na verdade são mais erros de digitação do que outros. E a capa apesar de simples, também reflete muito bem alguns momentos da história.

Enfim, leiam, leiam, leiam. Quem gosta de romances, com dose de superação, e personagens que nos cativam, não tem como não gostar dessa história que me envolveu e fascinou do começo ao fim.

Beijossss
 




1 comentários:

  1. Parece ser uma história que prende o leitor do início ao fim com bons personagens! Amei o título do livro ,muito criativo. Gosto bastante de livros em que acompanhamos a superação dos protagonistas. Abraços :D

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