{Resenha} Tudo e Todas as Coisas de Nicola Yoon

"Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre."

Novo Conceito * 2016 * 304 Páginas * Classificação 5/5




“Às vezes você faz as coisas pelos motivos certos e outras pelos errados. Há ainda aquelas vezes em que é impossível saber a diferença.”
 


Viver. Viver. Viver.

Uma palavra tão pequena. Mas recheada com tantos significados...
Quem aqui não ama sua vida? Acho que raros são os casos que alguém infelizmente diria que não.

Mas o que é viver para cada um de nós?
E se algo nos impedisse de realmente viver?
Sair pela porta, sentir o ar, a brisa que bate no rosto, ou até mesmo aquele sol que queima a pele. A chuva fina.
Coisas que em grande parte das vezes reclamamos, mas que faz parte do nosso presente que é a vida, “pequenos” momentos que deveríamos agradecer, mas que para nós é algo tão enraizado em nossas vidas, que se torna algo simples, algo comum.

Mas não para ela.
Madeline tem uma rara doença. Ela é alérgica a tudo. Resumindo, ao mundo. Toda sua vida foi “vivida” dentro de um quarto branco, cercada de livros e cuidados extremos. As únicas pessoas que tem contato com ela são sua mãe que por sinal é sua medica, a enfermeira e um tutor.
Madeline tem 18 anos nunca viu nada além do que vê através de sua janela – fechada – mas mesmo assim é feliz. Ela nunca desejou o que não podia ter. Até que ela conhece Olly e seu olhar se cruza com aquele infinito do oceano...


"Na verdade, há apenas uma única coisa que eu desejo: uma cura mágica que me permita sair correndo, livre, por aí, como um animal selvagem, mas nunca fiz esse pedido porque sei que é impossível. Seria como desejar que as sereias, os dragões e os unicórnios fossem reais. Em vez disso, peço algo mais provável que uma cura. Algo que provavelmente não vai nos deixar tão tristes.
- A paz mundial – respondo
  

Mesmo contra todas as possibilidades eles iniciam uma amizade, afinal a internet está ai para isso. E agora Madeline tem mais no que pensar. O que era uma simples amizade pode se tornar algo maior. Madeline anseia por viver, mas viver além do “mundo” que ela conhece. Ela quer o verdadeiro mundo, ela quer todas as possibilidades. Ela quer Tudo e Todas as Coisas.

Em uma arriscada tentativa Maddy tentará conhecer um pouco desse mundo, mas ele pode trazer surpresas que ela não esperava.
O que fazer quando o mundo que você conhece não é o que você imaginava?


“Uma pessoa como eu apaixonada seria como um crítico de comida sem papilas gustativas. Seria como um pintor que vê tudo em preto e branco.”
  

Uma história que me surpreendeu do começo ao fim. Quando cheguei mais ou menos ao meio da história, me passou pela cabeça uma ideia sobre Maddy, mas conforme a história ia caminhando me esqueci disso, na verdade não queria acreditar. Não posso falar o que é, afinal é um dos pontos cruciais da história, mas para um bom observador não ficaria difícil supor algo como fiz, e até estar certo, até porque me veio a mente um filme que vi. Não que o filme seja parecido com a história, nada disso, mas algo na vida de Maddy me fez lembrar desse detalhe. E eu estava certa. Mas como eu disse logo deixei de pensar sobre isso.
Então quando cheguei ao final, não podia acreditar. Pensava em como era possível? Não da para acreditar nesse tipo de coisa. Mas o pior é que ela existe.
É o tipo de história que mesmo quando acaba, você passa dias pensando nela, e pensando em todas as possibilidade, do antes, do durante e até do depois. Sabe aqueles montes de “E Se...”?

Nos colocamos no lugar de todos os personagens. Se eu fosse Maddy como iria encarar a minha “Vida”? O que eu faria para mudar? Vale a pena viver uma vida que na verdade não é vivida? Uma vida tão limitada? Ou a melhor opção é viver o pouco tempo que seja, mas aproveitar da melhor forma possível?
Mas nos colocamos no lugar da mãe. Ela cuidou a vida toda da filha, seu carinho, seu amor sua proteção... Estaria ela disposta a deixar sua filha conhecer o mundo e talvez nunca mais voltar dele?
E Olly o garoto que lembra um anjo da morte, mas tão cheio de vida, que conseguiu levar um pouco do mundo para a vida de Maddy.

Como não se por no lugar de cada um deles. Não ser eles. Mas ser principalmente Maddy.
É impossível não se apaixonar por ela. Ao contrário do que muitos imaginam Maddy não é uma personagem delicada, depressiva, nem nada disso. Ao contrário ela é forte, e sempre lidou muito bem com tudo isso, afinal essa é a vida que sempre conheceu. Na verdade, eu sim estava revoltada com o tipo de vida que ela levava. E acho que no lugar dela eu não seria tão compreensível assim. Estamos todo o tempo com ela, e ansiamos por saber que surpresas o destino lhe reserva.
Olly é o garoto fofo, que se torna especial assim que o conhecemos. Sua vida também não é fácil, mas mesmo assim ele também não faz de suas dores o foco do seu mundo.
Acho que é isso uma das coisas que mais nos encanta na história, o caráter dos personagens. Eles não fazem tipo, não fazem mimimi, e não transformam uma onda em um enorme tsunami. 


“Amar é horrível e perder um amor é ainda pior.
Amar é horrível e eu não quero mais saber dessas coisas.”
  

Outra coisa que me encantou no livro foi a narrativa e a forma como a história é contada. Além claro, da narrativa comum, e dos diálogos perfeitos, temos ilustrações, gráficos, bate-papo, e-mail’s, tudo tornando a história ainda mais especial e fluida, e fazendo com que nos sintamos ainda mais próximos a Maddy. Ou seja, a diagramação é mais que perfeita e a capa... Completamente apaixonante.
Não tenho muito mais para falar, se não ficaria aqui dias e dias comentando sobre essa história e suas surpresas. Sim, foi uma história que me emocionou, me surpreendeu e me apavorou. Claro, pela sinopse já da para entender que teremos aqueles momentos em que o coração para e não sabemos como será depois.
Já falei que o final revela mesmo grandes surpresas e mesmo que possamos captar algo antes, ficamos perplexos quando nos deparamos com os acontecimentos.
O único detalhe é que logo após o “grande momento”, achei que o final ficou meio corrido. Poxa eu queria um pouco mais desses personagens, mas mesmo assim acho que a história foi perfeita da forma que aconteceu.

Ah e um recadinho para você que acha que esse é mais um daqueles livros onde a garota doente se apaixona e vive um amor intenso... Essa história é muito mais do que a descoberta do amor...
Se esse é o livro de estreia da autora, eu realmente não sei o que esperar dos próximos. Ela simplesmente arrasou!

Beijos e nos encontramos ai pelo mundo.



2 comentários:

  1. Nossa que resenha maravilhosa, através dela ficamos com muita vontade de conhecer essa história e seus personagens, você instiga uma curiosidade enorme sem revelar nada do livro. Parabéns como sempre arrasa nas resenhas!!!
    Beijos
    Lú Santana

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  2. Amiga não fazia ideia sobre o enredo desse livro, essa foi a primeira resenha que li dele.
    Deve ter sido difícil para a protagonista viver sua vida de isolamento, você falou que ela era feliz com o que podia ter até que conheceu alguém que lhe despertou o desejo por mais e dessa forma (pelo que entendi) ela se arriscará para viver novas experiências. Enfim acredito que deva ser uma história interessante sobre autodescobrimento, limites, perigos e novidades em geral!!! Gostei das suas impressões e amei a dica. Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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