{Especial Romance 2016} Beijos Literários Por Natalia Moreno


Nosso especial infelizmente está chegando ao fim. Mas calma que hoje ainda não é último dia.
Mas vamos hoje nos despedir desse tema que tantos suspiros nos arrancou. OS BEIJOS. Afinal o que seria da vida sem esse gesto lindo, bom e essencial em nossa vida?

Nossa convidada de hoje, a linda autora Natalia Moreno, fechou o tema com chave de ouro, separando para vocês beijos, com certeza inesquecíveis e de todos os tipos. Quando vi a lista dela não sabia se ria, se chorava, mas uma coisa é fato, me emocionei ao lembrar da maioria desses beijos.

Então menos papo e mais ação. Com vocês Natalia Moreno:

Natalia Moreno




 Beijos literários
Aceitei o convite sem pensar duas vezes quando a Fernanda me chamou para escolher dez beijos literários. Comecei a remexer na minha estante e tentar escolher alguns e acabei ficando perdida entre tantos beijos que gostaria de deixar aqui. Com muita dificuldade separei os dez. Lá vai: 





  Liessel e Rudy Steiner – A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)


O livro tem uma temática bem forte, triste, chocante e um beijo não é o que se espera e nem o final que desejamos, mas quando ele acontece a gente pega o lencinho e se deixa levar pela dor, pela emoção...


“Inclinou-se, olhou para o rosto sem vida, e então beijou a boca do seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento à sombra do arvoredo e na penumbra de coleção de ternos do anarquista. Liesel beijou-o demoradamente, suavemente, e, quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedos. Suas mãos estavam trêmulas, seus lábios eram carnudos, e ela se inclinou mis uma vez, agora perdendo o controle e fazendo um erro cálculo. Os dentes dos dois se chocaram no mundo demolido da Rua Himmel”. (Página 466)

      Aurélia e Fernando – Senhora (José de Alencar)


Aurélia e Fernando vivem como gato e rato e os quase beijos deles deixam qualquer leitor esperando pelo ato consumado. A passagem abaixo acontece em uma valsa em que os corpos ficam tão juntos que o beijo é quase inevitável. Ah! Se não fosse o quase... 


"Duras rosas se embalam cada uma em sua haste à aragem da tarde; inclinam de leve o cálix e frisam-se roçando às pétalas. Assim tocaram-se as frontes de Aurélia e Fernando, e os lábios de ambos afloraram-se no sutil perpasse...”

“Mas Fernando sentiu na face um sopro gelado. Olhou: Aurélia estava desmaiada em seus braços." (Página 165-166)



  Moreninha e Augusto – A moreninha (Joaquim Manuel Macedo)
 
Não é um beijo convencional, mas depois de tanto desespero e angústia em saber se o amor era correspondido, Carolina e Augusto enfim se entendem. 


“A Sra. Da. Ana e o pai de Augusto entraram nesse instante na gruta e encontraram o feliz e fervoroso amante de joelhos e a dar mil beijos nos pés da linda menina, que também por sua parte chorava de prazer.” (Página 175)

Léa Delmas e François Tavernier – A bicicleta azul (Régine Deforges)
 
Todos os beijos entre Léa e Tavernier são bem quentes, fortes, ora pela excitação ora pela raiva. A história se passa na 2ª Guerra Mundial e diante de toda a dificuldade surge entre eles um amor cheio de força que faz Léa ter mais vontade de viver! 


“Os lábios dele afloraram docemente os da jovem imobilizada. Léa debatia-se com fúria silenciosa. A mão de François aumentou a pressão, arrancando um grito de sua vítima. Com a outra, Tavernier agarrou-lhe os cabelos desgrenhados. Os lábios com sabor de tabaco e de álcool comprimiram-se com mais força contra os dela. Uma onda de raiva submergiu Léa. Mas, bruscamente, percebeu que correspondia àquele ser ignóbil. Porque a súbita lassidão a invadir lhe o corpo, o delicioso prazer entre as coxas?” (Página 44)
 

     Elizabeth e Mr. Darcy – Orgulho e Preconceito (Jane Austen)


Epa, eles não se beijam. Jane Austen não precisou usar o recurso do beijo para mostrar o quanto seus personagens era apaixonantes e apaixonados. Por que escolhi o casal? Porque eles conseguiram ganhar meu coração e me fazer sonhar com o tão sonhado não-beijo. Como não tem beijo eu escolhi uma cena em que a Jane poderia ter colado pelo menos um selinho na ponta do dedinho. 


“- Tenho certeza de que é generosa demais para fazer pouco caso dos meus sentimentos. Se os seus são ainda os mesmo que manifestou em abril passado, diga-o imediatamente. Minha afeição permanece inalterada, basta porém uma única palavra sua para fazer com que me cale para sempre.” (Página 236 – eu poderia ter escolhido o capítulo LVIII inteiro)



 Morgana e Lancelote – As brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Marion Zimmer Bradley)


As Brumas de Avalon é um dos meus livros favoritos, adoro a magia em torno da lenda do Rei Arthur. O beijo entre Morgana e seu primo Lancelote é envolto de magia e um amor puro que por obra da Deusa, Viviane ou o destino traz tudo menos a união dos personagens. 
 

“- Minha querida prima Morgana – disse, abraçando-a e acariciando-lhe a face. Ela retribuiu o abraço, enterrando o rosto em seu peito. Lancelote sentiu o seu calor, e ela, a batida do coração do rapaz. Depois, ele segurou-a pelo queixo, levantando-lhe o rosto, e seus lábios encontraram-se.” (Página 170)




Niki e Alessandro – Desculpa se te chamo de amor (Federico Moccia)


            Com uma temática de amor impossível entre uma garota de 17 anos e um homem 20 anos mais velho Federico fez uma história que te envolve nas tramas dos personagens principais e dos secundários. Há uma torcida para cada personagem que aparece e não podia ser diferente com os beijos entre Niki e Alessandro.


            “Alessandro acaricia docemente os cabelos de Niki e os afasta do rosto. Depois sorri para ela. E canta novamente “Espero muito que você seja sincera”... e a beija. Um beijo lento, macio, que quer falar, serenamente dizer tudo, muito, demais. Tenho vontade de me apaixonar, Niki, de amar, de ser amado, tenho vontade de sonhar, quero construir, quero certezas. Trate de entender. Necessito esquecer tudo o que aconteceu nesses vinte anos que passei sem você. Será que um beijo sabe dizer tudo isto? Depende de quanto sabem ler os lábios que o recebem.” (Página 236)




            Catherine e Heatcliff – O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)


Sou suspeita, muito suspeita em falar sobre essa obra que foi tema do meu TCC de graduação e pós graduação. Catherine e Heatcliff despertam em mim ódio e amor, pena e raiva e não poderia ser assim uma das passagens dramáticas que um beijo não foi narrado com amor:


            “- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho se quer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responda-me! Por causa da mera inclinação que sentia pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou Satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando ... Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?” (página 140)


 

Rachel e Luke – Férias (Marian Keyes)


Meu livro preferido da autora irlandesa!!! Férias traz um romance em segundo plano já que o tema central é descobrirmos se Rachel é ou não uma drogada (não irei contar!!!). Luke e Rachel vivem um romance bastante conturbado e no finalzinho do livro há uma passagem em que o beijo é muito esperado, mas a protagonista não ganha o prêmio principal. Apesar de ser mais um não-beijo é um trecho em que o beijo seria muito bem-vindo! 


“Seu braço avançou um milímetro na minha direção, um gesto infinitesimal e, de repente, como se tivéssemos disparados por canhões, estávamos nos braços um do outro. Suas pernas se comprimiam contra as minhas, seus braços apertando minhas costas com força, meu rosto enterrado na curva do seu pescoço, enquanto aspirava seu perfume pela última vez. Não queria que esse momento acabasse nunca. Então, me desvencilhei de Luke e corri para dentro, sem tornar olhar para ele. Quase quebrei o pescoço ao tropeçar em Brad, que assistira a toda a cena com os olhos franzidos. Não achei que ela continuaria sendo minha amiga depois disso.” (página 556)





  Veronika e Eduard – Veronika decide morrer (Paulo Coelho)


            Paulo Coelho foi um dos autores que me viciaram em livros e eu não podia deixar de fora um livro dele. Apesar das temáticas não serem o romance em si, mas a descoberta, o oculto, a magia escolhi um dos meu livros preferidos dele. Veronika é uma mulher que tenta suicídio, mas é salva e terá que passar o resto da sua vida (ou uma parte dela) acreditando que aquele dia será o último. Assim que ela foge de Villete junto com Eduard os dois passam a contar os segundos que ainda tem juntos e o beijo é só um detalhe para quem descobriu a vontade de viver! 


“Veronika deu-lhe um demorado beijo.

_ Olhe bem para o meu rosto – disse ela. – Guarde-o com os olhos de sua alma, para que possa reproduzi-lo um dia. Se quiser, comece por ele, mas volte a pintar. Este é o meu último pedido. Você acredita em Deus?” (Página 206)



A ordem não é por melhor ou pior, até porque acho difícil separar assim!

Bjoks!
  


Ahhhh com certeza mais uma lista linda para nos encantar e nos fazer suspirar.
A Natalia é autora de obras lindas e muito reais. Sua escrita é super fofa e leve, nos fazendo desejar mais da história quando chegamos ao final.


Ainda não li do Caos À Esperança, mas Quando eu me Amar e Marcas da vida com certeza são aquele tipo de história que o leitor pode se identificar. O mais legal e que nas duas histórias o foco é mais na "heroína" e em tudo o que elas precisam fazer para seguir em frente após a dor. E não tem como não amar esse tipo de história, esse tipo de lição.

Então não deixem de conhecer as histórias da Natalia.

Beijosss

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