{Resenha} Desafogando Sentimentos, Afogando Palavras de Janaína Alves

A arte de escrever, ou 'expelir palavras' exige cautela. As palavras podem, em vez de seguir seu percurso natural, subir ao estômago, até mesmo à garganta e nos engasgar, pois, quando presas, sufocam, afogam. Contudo, as palavras, quando soltas, podem nos proteger das angústias e nos fazer voar. E depois disso, elas não têm volta! Desafogando sentimentos, afogando palavras é um bem-elaborado compilado de textos em formato de prosa poética. Um libertar-se de si, das mágoas, para preencher os vazios, e, com isso, viver uma vida mais leve. 
Novo Século * 142 páginas * 2015 * Classificação 5/5





Sabem o que é prosa poética? Geralmente são texto curtos ou até mesmo frases todos bem elaborados e cheio de sentimentos, que saem do coração, quando algo está escancaradamente te incomodando.

Você precisa expelir isso de algum jeito. E Janaína Alves, fez isso através de textos perfeitos que particularmente me levaram a várias situações, pois buscou uma sensibilidade em mim, que eu jurava ter perdido há tempos (e não estava de TPM quando li).

É um livro de poucas páginas, mas com um conteúdo recheado, no qual você precisa parar e pensar à cada texto, a cada frase, a cada sentimento que ele te dá de presente. Por isso mesmo não é um livro tão fácil. Isso para uma pessoa disposta e sem medo de entender seus próprios sentimentos.

Eu chorei, ri, me identifiquei com vários trechos. Esses que poderiam fazer parte de um quadro no meu quarto, de uma anotação na minha agenda, daquelas almofadas fofas em cima da sua cama que você olha todos os dias. Frases para levar consigo a vida toda, lembrar todos os dias.



"Deixe-me inventar a vida. Se não tens sonhos suficientes para inventar a tua, deixe-me inventar a minha!..."



Essa podemos usar discretamente como uma indireta. Perfeita!



"Deixe-me errar? Posso? Obrigada..."



Em poucas palavras surge um desabafo. Um pedido. Uma forma de "sobrevivência" em forma de texto poético. E por mais que a escritora, eu e outros leitores digam que não é um livro de auto ajuda, alguns vão bater o pé e dizer o contrário.
Então diremos que é um livro de auto confiança... de barreiras quebradas e sentimentos expostos.



"...Está certo que ninguém vive somente de cacos. Vivemos é de pedaços inteiros e não de sobras. Não de restos. Não de cacos. Mas os cacos fazem parte de uma parte. E talvez até parte de uma parte importante demais de nossas vidas, para que possamos jogar assim, como se fossem apenas lixo..."



Aí você lê um livro desse e se pergunta: "Como eu não li antes?". Tudo bem! Eu tenho a resposta, ele estava ali o tempo todo esperando o momento certo, naquela imensa fila de espera que é a minha estante, mas ainda bem que pulou alguns lugares.
Obrigada, Janaína! Obrigada por nos presentear com essa obra, com essa estreia brilhante. Parabéns!
O livro eu recomendo para quem se dá a oportunidade de buscar o antigo no novo. O que antes era muito usado por pessoas bem conhecidas como, Charles Baudelaire e Fernando Pessoa.
A prosa poética é feita para quem gosta de quebrar regras, quem é corajoso e gosta do novo, do diferente.

E só para finalizar, mas um pequeno texto que me deixou sem ar, sem jeito e pensativa.


"Se a fé escapar pelos dedos, não sofra, dê um jeito. O segredo é dar um jeito. Sempre! Sofre não. Reclama não. Dê é um jeito nessa tua falta de jeito! Não fica aí pelos cantos dizendo que perdeu, que sofreu, que se fodeu. Fecha essa boca. Abra esse coração. Põe-te de pé. E tenha fé!"


Está bom para você?! É...




SKOOB da escritora



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