{Resenha} Nano - Mortais, A Tecnologia do Inferno de Acácio Brites

Estamos em 2025

No auge da Era Tecnológica, um renomado médico cientista chamado Nikolai Engerhoff é descobridor e aperfeiçoador da Nanotecnologia, uma tecnologia inovadora capaz de curar qualquer doença já diagnosticada. Pelo menos, esse era o plano inicial!
Após os primeiros testes em seres humanos terem sido bem-sucedidos, os pacientes da Nanotecnologia começaram a desenvolver certos efeitos colaterais: raiva, ódio, violência e instintos selvagens. Tais sintomas não sumiam nem mesmo depois que os pacientes morriam. Eles começaram a desenvolver um surto psicótico, prontos para matar, espalhando a nomeada "Praga Nano" por todo o Planeta.
Essa praga viral começou a se espalhar pelo mundo, afetando a vida de bilhões de pessoas, inclusive a do famoso e recém-aposentado jogador de futebol Scott McConnell.
Será que Scott conseguirá sobreviver a essa guerra do futuro? Ele salvará a vida de seu filho e das pessoas que ama?

Coerência * 2016 * 270 Páginas * Classificação 4/5
 


“Não vai existir vitória se vencermos essa guerra.”
 

Você leva uma vida digamos que normal, em um belo dia acontece um acidente, você vai parar no hospital, não é nada grave. Até ai tudo bem, pode acontecer com qualquer um.
Mas um tempo depois você acorda e descobre que seu país está em guerra. Bem, infelizmente para alguns até aqui isso também ainda pode ser considerado normal. Seria, se a guerra não fosse contra um exército de mortos vivos. 

Bem, é com isso que se depara Scott Mcconnell. 

Scott é um jogador de futebol, aposentado cedo, pois após um jogo, infelizmente ficou impossibilitado de voltar aos campos. Mas ele não amarga sua aposentadoria, pois ela lhe permitiu passar mais tempo com seu pai e seu filho. Sua vida parece seguir sem maiores problemas, até que uma milagrosa nanotecnologia resolve aparecer em sua vida.
No começo tudo parece estar dando certo. Pessoas voltam a andar, pacientes terminais tem chance de viver... Mas algo parece ter dado terrivelmente errado, e os pacientes que passaram pelo processo com a nanotecnologia começam a apresentar sintomas de violência. 

É no meio desse caos que Scott sofre um “acidente” e ao acordar descobre que praticamente já não existem mais humanos, as pessoas que passaram pelo processo com a nanotecnologia se tornaram seres incontroláveis com sede de sangue.
Sem saber o que fazer e para onde fugir Scott terá que correr contra o tempo e contra a morte para escapar de um fim trágico e ajudar aqueles que ama. Mas essa luta parece uma luta perdida desde o começo. Afinal como lutar por sua sobrevivência quando tudo a sua volta está morto? 

Ainda há uma pequena centelha de esperança e Scott contará com algumas ajudas para tentar salvar sua vida e daqueles que ama.
Bem, realmente não posso dizer muito mais sobre isso, afinal com qualquer pequeno detalhe posso estragar todas as surpresas que podem encontrar nessas páginas.
O que posso dizer é que realmente a história me ganhou.
Enquanto lia, vinham algumas cenas daquele filme: “Eu Sou a Lenda”, faz muito tempo que assisti e nem me recordo mais como era, mas sei que a história de Acácio daria um ótimo enredo para esses filmes com temas pós-apocalípticos, e lutas contra seres mortais.

Scott é um personagem marcante e com muita fibra, mas que também adora um rabo de saia, rs, digo isso pois no começo do livro toda mulher que aparecia ele logo estava meio “babão” e achei isso meio engraçado. Até que ele encontrou uma que despertou seu interesse e o fisgou. Mesmo em meio a esse caos, seu coração conseguiu encontrar espaço para amar, e gostei muito dessa pequena dose de romance na história, afinal se fosse só sangue e morte, ai minha nossa, não sei o que seria de mim.

Olha, sei que posso dizer para vocês (já até confessei ao Acácio) que realmente foi especial me aventurar por essa história, algo totalmente fora da minha zona de conforto. Afinal como todos sabem eu morro de medo da “pegada” terror/suspense/sobrenatural. Mas apesar de poder sim considerar a história um terror, a coisa é leve rs. Consegui encarar de boa, claro que em alguns momentos eu dava uma parada, respirava e tentava não pensar na cena. Afinal o problema nesse tipo de gênero é exatamente esse. Todo mundo sabe que nós leitores amamos ler exatamente por viajar pelas páginas, sentir tudo com os personagens, imaginar as cenas, os lugares, enfim, sentir a história exatamente como está sendo contada. Ai imaginem vocês eu visualizando alguns momentos nessa história?, tamanho eram meus sustos. Juro que eu era capaz de ouvir aquelas músicas macabras de filme de terror que antecedem alguma cena em que com certeza irá fazer você dar um pulo da cadeira/sofá?!
Agora não sei se aplaudo o Acácio ou se xingo ele kkkk, afinal ele descreveu as cenas tão bem, com tamanha perfeição e riqueza de detalhes, que essa pobre mortal aqui ficava imaginando tudo e morria de medo, ou então nojo. Gente, vamos falar sério né? Se acontecer mesmo um apocalipse zumbi, por favor avisem os bichos para me matarem logo pois não terei estômago para enfrentar isso não, fala sério.

Eu achei o máximo ler esse tipo de história. A cada página lida eu juro que sentia uma vitória, afinal não me imaginava mesmo lendo algo assim, mas agora sei do que sou capaz kkk, não que eu vá agora virar uma leitora assídua desse tipo de história, ainda prefiro os romances, flores e cores rs, alguns policiais para dar uma alavancada, mas agora sei que consigo enfrentar algo assim e até gostar, como aconteceu com Nano - Mortais. Mas claro que a história também precisa ser atraente, como foi a do Acácio. A única coisa que me incomodou um pouco, foi em que dado momento cansou um pouco esse negócio de foge do zumbi, luta com o zumbi, foge do zumbi, luta com o zumbi e nada de encontrar mais ninguém, nada de novo acontecendo, mas isso logo foi resolvido e a história retomou a fluidez que já havia me conquistado.
É que eu ficava assim: - Mas céus quando é que esse povo vai se salvar, ou sei lá né? Vão encontrar mais sobreviventes... E enfim, não posso falar muito sobre quem eu desejava que fosse encontrado para não dar spoiler, acho que era minha ansiedade falando mais alto.

Outra coisa: não esperem piedade do Acácio. Sabem aquele autor que não tem dó nem piedade de matar? Multipliquem por mil? Chegaram ao resultado? Ok, lhes apresento Acácio Brites. Pois é, ele mata, sem pena, nem dó, nem piedade, nem nada. Não vou me aprofundar muito nisso também, afinal seria spoiler (claro), mas sintam-se avisados. E isso foi mega complicado, pois eu me apego demais aos personagens e nossa, cheguei ao final meio inconformada, acho que só não entrei em desespero porque a história pede por esse tipo de acontecimentos, mas mesmo assim eu pensava: - Poxa será que ele não podia aliviar um pouquinho só?
Nãoooo, claro que não rs.
Outro ponto super a favor da história e do autor são as mensagens que ficam. Amo encontrar mensagens nas histórias.
Aqui fica claro, pelo menos para mim, duas delas:
Uma, é que todos nós temos sim um lado mau e um lado bom. Cabe a cada um de nós saber qual deixaremos vir à tona. Que lado vamos deixar aflorar? Achei isso bem bacana, afinal não é todo mundo que consegue ser bom 100% do tempo e a vida toda. Mas é bem interessante refletir sobre isso.
A outra mensagem que me passou é exatamente sobre o que estamos fazendo com nossa humanidade? No que acreditamos? Fé, ciência, esperança. Tudo isso em algum momento da nossa vida pode se confundir e virar meio que uma coisa só. Mas afinal no que queremos acreditar? Será que temos o poder de interferir em tudo na nossa vida? Temos o poder de mudar algumas coisas? E se tivéssemos esse poder, deveríamos interferir, ou deixar as coisas tomarem o caminho como tem que ser? Gosto muito de pensar nesse tipo de coisa. Afinal se tivéssemos o poder de mudar nosso futuro será que faríamos isso?
Terminei a história e muito disso ficava lá matutando na minha cabeça e isso com certeza é maravilhoso nas histórias. Elas nunca têm um fim. A última página pode chegar, mas ela ainda faz com que você pense e repense em muitas outras coisas.

O final... Bem o final foi totalmente inesperado. E quando digo inesperado é inesperado mesmo. Tipo: - Como assim? Sério mesmo que ele fez isso? Sim ele faz, lembram-se do que falei ali acima? Sobre ele não ter piedade? Pois é, ele não tem. E claro, inconformada fiquei eu, revoltada também, diga-se de passagem, mas mesmo no auge da minha revolta, consegui entender que esse era o rumo que a história precisava ter. Agora só me resta esperar pelo segundo (e até onde compreendi) último livro para ver que fim terá a humanidade. E adivinhem só onde está a esperança da humanidade? Aqui no Brasil caros amiguinhos kkkk, olha tem que ter mesmo então muitaaaaa esperança rs. Piadas a parte rs, estou mesmo mega curiosa para saber o que acontecerá com alguns personagens e correndo o risco de soltar um spoiler, fico me perguntando se existe a chance de algum personagem voltar dos mortos-vivos? Hã, porque não? Posso ou não ter esperanças?

Um ponto levemente negativo é que infelizmente encontramos alguns erros significativos pela história, não só de gramática, mas de digitação também, palavras que sobram, ou palavras trocadas, coisas assim, encontrei também um pequeno “furo” na narrativa, nada que uma revisão mais aprofundada resolveria sem problemas, e nada que atrapalhasse a fluidez da história. A capa é assustadora e a diagramação também kkk, mas afinal o que eu queria? Uma capa com flores do campo? É não ia rolar mesmo. 

Então pessoal para vocês que amam um gênero de terror, um suspense, algo bem cara de ficção científica eis uma boa pedida de leitura. E se você assim como eu é super medrosa, ou medroso, mas tem vontade de tentar algo e provar que pode ser corajoso, eis aqui uma boa pedida também.

Espero que apreciem a história. 

Beijosssss
 

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