[Resenha]: O Edifício — de Susy Ramone

Olá, amores! Tudo bem?
Essa é a minha segunda postagem, e como notei que o gênero terror é pouco divulgado por aqui, as próximas resenhas postadas por mim serão deste gênero. E falando nisso, eis um livro instigante e de arrepiar os cabelos. Para quem tem predileção para histórias do tipo, siga sem medo, pois apresento-lhes uma das obras da autora de terror brasileira que mais AMO, ou seja, a Susy Ramone. \o  Agora confiram a sinopse, book trailer e resenha de "O Edifício", uma publicação de editora "Estronho".
Sinopse: Enquanto a ditadura militar arrasta acusados aos seus porões, Waldemar passa por momentos difíceis ao perder sua esposa dias depois da morte de seu filho. Um jovem ganancioso encontra na situação a oportunidade perfeita para trocar seu apartamento em São Paulo pela chácara do viúvo em Tatuí. Ele tem a intenção de fundar uma igreja evangélica no local e arrecadar dinheiro aproveitando-se da fé alheia. O castigo do falso pastor não vem do plano terreno e sim do mundo dos espíritos. Mas Waldemar, que anda na retidão e na honestidade também é assombrado, tão logo ele se muda para São Paulo e começa a trabalhar no Edifício. Qual mensagem os mortos querem passar? Até que ponto uma pessoa deve acreditar em seu semelhante? Nem sempre as coisas acontecem como vemos.


 "Porque a vingança tarda, mas não falha" 

Contagiante! 
Horripilante! 
Sensacional! 

Tudo se inicia com Alice, filha de um dos personagens protagonistas nos dias atuais, contando em detalhes a história do pai e de tantos outros envolvidos, algo — diga-se de passagem — tenebrosamente assustador, onde os acontecimentos se interligam a falta de caráter de um e a fé em Deus de tantos outros, acabando, por fim, sendo finalizado em um real acontecimento datado em 1 de Fevereiro de 1974 na cidade de São Paulo, onde um incêndio provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridas, no edifício Joelma.

1973 — Tatuí, São Paulo 
Waldemar, 44 anos, acabara de perder o filho Wagner, de 13 anos. Ele e sua esposa, Luíza, estão desnorteados, ambos ao seu modo. Ele, entregando-se a bebida e querendo a todo custo mudar-se de Tatuí. Ela, entrando numa profunda depressão e não querendo se mudar da cidade. Desta forma, em mais uma manhã, ele resolve afundar sua dor em bebida, porém, assim que adentra o bar do Zé do Leite, se vê de frente a um novo visitante, que, por sinal, está se deliciando com um torresmo gorduroso e refrigerante. 

— Você não é daqui. Veio pra festa? 
— Vim sim. Meu nome é Rogério. E o senhor se chama? 
— Waldemar. Mas não me chame de senhor. Apesar da minha cara de acabado eu tenho só 44 anos. 
— Ah, me desculpa, é só por educação. Satisfação, Waldemar. — Estendeu a mão. — Eu vim conhecer a cidade, soube da festa, desembarquei agorinha do trem. 
— E veio de onde? 
— Da capital. Eu sou pastor da Igreja Rebanho Divino e também trabalho como corretor de imóveis. E o senhor, digo, você faz o quê? 
— Já fiz de tudo na vida. Hoje só bebo — queixou-se.  (Livro: O Edifício, Pág.15)

Rogério é um rapaz de 23 anos, corretor de imóveis e reside em um apartamento num conhecido prédio da Capital. Insatisfeito com sua atual situação e estratégico que só, resolve seguir para Tatuí a fim de conhecer a cidade e quem sabe, passar a perna em alguém. Ele anseia em mudar-se da Capital, pois passa por muitos perrengues por lá. Assim, segue para a "Festa do Quentão de Tatuí", conhecendo logo de cara Waldemar e encontrando nele a grande possibilidade de concretizar seus anseios e, quem sabe, fazer uma troca do seu apê com o mais que vantajoso sítio de Waldemar, além de continuar com sua mentira, dizendo ser um pastor e tão engenhosamente, lucrar com a fé alheia. Aliás, ele acaba por se convencer de que as mentiras que conta estão sendo abençoadas por Deus, e que tal ato nada mais é que um dom, ou seja, um merecimento — e perspicaz em seus feitos, Rogério ganha a quase todos com seu jeito educado, atencioso e sempre "EM NOME DE DEUS", persuadindo especialmente Luíza, esposa de Waldemar, que depois de levar a sério um falso acalento baseando-se nas palavras de Deus, decide colocar um fim na sua vida, suicidando-se e deixando o marido ainda mais transtornado e tomando a decisão de fazer a troca do seu sítio com o apartamento de Rogério, mudando-se de imediato para a Capital. 

Cambaleou e bateu com as costas na parede oposta. O espelho sobre a pia mostrava Luíza em decomposição, traçando a maldita letra Z, de baixo para cima, no vidro, como se estivesse presa do outro lado. 
De maneira inexplicável, o medo deu lugar ao ódio e ele desferiu um soco no espelho, gritando para que ela o deixasse em paz. A imagem desapareceu e restou os cacos para juntar, uma mão cortada e a noite toda de rezas pela frente, além da urgência em descobrir o significado daquela maldita letra Z.  (Livro: O Edifício, Páginas 84 e 85)

Agora Waldemar mora em São Paulo. Muitas vezes ele passa a ter visões com sua falecida esposa, onde ela sempre o deixa a par da letra Z, deixando-o assustado e consternado, ansiando por descobrir qual o propósito de tal letra? Ele acaba por conhecer Anita, sua vizinha, que também era amiga de Rogério. No entanto, ambos se envolvem. Ele, por sua vez, dedicando a ela uma atenção e amor que não dedicava a ex mulher, o que faz com que passem a morar juntos. Aliás, foi Anita que conseguiu um emprego para ele, onde faz a limpeza e tantas outras coisas do enorme estacionamento de um conhecido prédio, que carrega consigo uma assombrosa história conhecida por todos como "Crime do Poço". A partir daí, passa a ser assombrado por mais quatro fantasmas, sempre em um mesmo horário, no estacionamento do mesmo lugar que trabalha. Quanto a Rogério? Vamos lá... 

Não fora a escuridão, tampouco a estranheza dos fatos que colocaram Rogério em estado de choque. Ele sentiu as garras do garoto-fantasma apertando a sua garganta e o suspendendo no ar. Com as mãos inquietas ele tentava a todo custo se libertar, os pés chacoalhavam no mar negro em que a estrada havia se tornado, estava ficando sem ar e tudo o que podia ver eram os olhos escuros, cujo brilho se destaca no breu do desespero. 
— Vai consertar logo o que fez! — trovejou o fantasma com as duas mãos se afundando com raiva no pescoço do pastor.  (Livro: O Edifício, Pág.110) 

Não tão diferente daquele que passou para trás, Rogério passa a ser assombrado pelo filho morto de Waldemar, que exige que ele vá de encontro ao seu pai e conte toda a verdade, dizendo o quão persuasivo foi, até que sua mãe colocasse um ponto final em sua vida. Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers. Bom, a meu ver, um bom texto não é aquele onde é citado frases bonitas com cunho refletivo (apesar de amar isso também). Estou falando isso porque vejo muitos ovacionarem textos neste estilo. Contudo, em sua maioria, são textos 'mais do mesmo', o que não é o caso das histórias escritas pela Susy, onde sempre há uma trama excelentemente bem escrita e amarrada, com um "que" de terror, pois SIM, este é o gênero que ela escreve. Contar histórias é pra qualquer um, agora saber contar histórias é para poucos —, e a Susy sabe conduzir uma trama com maestria, o que eu já havia provado em seu livro anterior. 

Em "O Edifício" me vi presa em páginas do início ao fim, ficando íntima de todo conteúdo, até mesmo dos fantasmas que ora me assustavam, ora me faziam querer pular para dentro das páginas a fim de ajudar o Waldemar. Trata-se de uma trama muito bem construída, onde má índole e fé são pano de fundo, e, por fim, um real acontecimento do passado também passa a enveredar as páginas, interligando trama, personagens e realidade numa ficção. Chego a dizer que a experiência foi surreal, pois apesar de ser uma criança quando tudo aconteceu, lembro de tais acontecimentos até hoje, pois ele fez parte da minha adolescência (em estudos), especialmente no ensino médio. 

Se tem algo que me entorpece, é quando parte dos lugares que conheço faz parte da trama. Foi algo mágico de se sentir, onde muitos lugares onde eu já estive, até mesmo um famoso e já não existente parque de diversões onde frequentei nos anos 80 e 90 está na trama, o que me teletransportou ainda mais para dentro do enredo. Os personagens, até mesmo os de má índole, são cativantes, com suas terríveis peculiaridades. ODIEI Rogério, AMEI Waldemar e Anita e me APAIXONEI por tantos outros. S2 

A escritora deu vida a um enredo sem pontas soltas e de perder o fôlego, detalhando as cenas na medida certa, sem excessos, o que me deixou ainda mais entorpecida. Na metade do livro eu já estava numa baita ressaca literária e com dó de concluir a leitura, pois quando o livro realmente me pega é PHODA. As cenas finais foram de palpitar de forma descompassada o coração, onde todas as pontas interligadas são reveladas, inclusive uma grande revelação que me deixou de queixo caído e ainda mais fã da autora —, e até mesmo o prefácio foi PHODÁSTICO (P.S: Sorry, tem que ser em caixa alta mesmo). hahaha 

O enredo foi elaborado em quatro extensos capítulos, que em momento algum foi insosso, narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com espaçamentos na medida certa, porém, a fonte da leitura está muito pequena, acredito que pelo formato do livro que é menor, o que ao menos pra mim dificultou um pouco a leitura, adornada em papel pólen (páginas amarelas); a revisão está impecável e sua capa é linda de viver, estampando parte dos personagens, principalmente os fantasmas. Por fim, para você que curte um enredo MARAVILHOSO, com conteúdo e que te prenda do início ao fim, eis essa excelente pedida. Se eu gostei? NÃO, EU NÃO GOSTEI... EU AMEI! S2 E leria até mesmo a lista de compras da Susy. P.S: Agora vou ficar aqui, em frangalhos, esperando o próximo E FANTÁSTICO livro da amiga/escritora. \o 

Livro: O Edifício 
Autora: Susy Ramone 
Gênero: Suspense/Terror 
Editora: Estronho 
Ano: 2016 
Páginas: 260

Espero que tenham gostado!
Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

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