[Resenha]: A Cabana — de William P. Young

Sinopse: Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa velha cabana. Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus convidando-o a voltar à cabana onde aconteceu a tragédia. Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra passo a passo o cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre. Em um mundo cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento? As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de maneira tão profunda, como aconteceu com ele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

SIM! Aproveitando o momento que o trailer dessa maravilhosa adaptação foi divulgado, resolvi postar a resenha deste livro que me tocou profundamente. Portanto, se você também curte um enredo que toque o âmago, vem junto conferir a resenha. \o

Sensível! 
Emocionante! 
Surpreendente! 

O que você faria se ficasse de frente com Deus e tivesse a chance de questioná-lo sobre tantas coisas que lhe perturbam e das quais sofre? 

Mackenzie Allan Fhillips (ou Mack), é casado há mais de 33 anos com Nan, além de ser pai de 5 filhos: Jon, Tyler, Josh, Katherine (Kate) e, por fim, a caçula Melissa (Missy). Ele é um homem de fé, porém não é tão íntimo de Deus como sua esposa e seus filhos, que têm como mania intitulá-lo como "papai". Sua esposa, Nan, é uma enfermeira que trabalha o tempo todo. Desta forma, em mais um final de semana que ela está trabalhando, Mack resolve curtir um acampamento com três dos seus filhos. Contudo, nessa viagem, acontece algo terrível e perturbador, pois sua tão doce e amada caçula, Missy, desaparece no último dia de acampamento, o que deixa todos em pânico, numa fatídica busca pela garotinha. No entanto, o terrível se faz óbvio, assim que constatam o vestido vermelho que a menina usava manchado com sangue, dentro de uma cabana próxima ao acampamento. 

Pela primeira vez desde o desaparecimento de Missy permitiu-se considerar o alcance das possibilidades mais horrendas e, assim que isso começou, não parou mais: imagens de coisas boas e coisas terríveis misturadas num desfile apavorante. Algumas eram instantâneos abomináveis de tortura e dor, de monstros e demônios da escuridão mais profunda, com dedos de arame farpado e toques de navalha, de Missy gritando pelo pai e ninguém respondendo. Misturados com esses horrores havia lampejos de outras lembranças: a menina aprendendo a andar, com o rosto lambuzado de chocolate, fazendo caretinhas engraçadas. Sobrepunha-se a todas a imagem tão recente de Missy caindo no sono, aninhada no colo do pai. (Livro: A Cabana, Pág. 51) 

Passaram-se 4 anos e Mack, agora, está até mais descrente de fé e culpando a Deus pelo que aconteceu. E, repentinamente, em um dia congelante, ele recebe uma carta assinada por "papai", convidando-o para um final de semana naquele lugar que tanto tem pavor, ou seja, a cabana. De início ele se enfurece, achando que é uma brincadeira de mal gosto feita por alguém ou até mesmo o próprio assassino de sua filha marcando um encontro. E sem hesitar, ocultando tal carta da esposa, Mack faz com que Nan e os filhos viagem no final de semana para a casa da sua irmã, e, assim, segue para o seu tão aterrorizante pesadelo, ou seja, a cabana. 

— Viver sem ser amado é como cortar as asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar. Não é algo que eu queira pra você. 
Aí é que estava. No momento ele não se sentia particularmente amado. 
— Mack, a dor tem a capacidade de cortar nossas asas e nos impedir de voar. — Ela esperou um momento, permitindo que suas palavras assentassem. — E, se essa situação persistir por muito tempo, você quase pode esquecer que foi criado originalmente para voar. 
Mack ficou quieto. Estranhamente, o silêncio não era desconfortável assim. Olhou o pássaro. O pássaro olhou de volta para Mack. Ele imaginou se seria possível os pássaros sorrirem. Pelo menos aquele parecia capaz. 
— Não sou como você, Mack. 
Não era uma repreensão, e sim a simples declaração de um fato. Mas para Mack foi como um banho de água gelada. 
— Sou Deus. Sou quem sou. E, ao contrário de você, minhas asas não podem ser cortadas. (Livro: A Cabana, Páginas 87/88) 

Assim que Mack se vê dentro da cabana, algo acontece... Ele fica de frente com Deus, Jesus e o Espírito Santo. Contudo, bem diferente do que aprendeu, Deus é uma mulher robusta e mulata, Jesus é um moreno alto e aparentemente de outra etnia e o Espírito Santo uma jovem asiática. Ambos são um só. Porém, o tempo todo, mostram para Mack que nem tudo é estereotipado e o que realmente importa é o coração, longe das armadilhas que lhe são impostas. Desta forma, ele segue o final de semana numa nova experiência, onde o verdadeiro o coloca à prova, seja em sentimentos ou fé e principalmente no seu subjugar, tentando mostrar a ele um outro caminho que o fará melhor, apesar de toda dor e revolta. 

— Ah, filho — disse Papai com ternura. — Jamais desconsidere a maravilha das suas lágrimas. Elas podem ser águas curativas e uma fonte de alegria. Algumas vezes são as melhores palavras que o coração pode falar. 
Mack parou e encarou Papai. Jamais havia olhado para um amor, uma delicadeza, uma esperança e uma alegria tão puras. 
— Mas você prometeu que um dia não haverá mais lágrimas. Estou ansioso por isso. 
Papai sorriu, encostou os dedos no rosto de Mack e gentilmente enxugou as faces marcadas pelas lágrimas. 
 Mackenzie, este mundo está cheio de lágrimas, mas, se você lembra, prometi que seria Eu quem iria enxugá-las de seus olhos. (Livro: A Cabana, Páginas 212/213) 

Em meio a verdade e dor, Mack esforça-se para encontrar o seu equilíbrio, tentando perdoar aquele que cometeu tal ato assombroso com sua Missy e também deixando de culpar a Deus por não ter feito nada na ocasião. Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers. 

Não haveria momento mais propício que este para eu reler esse livro. Afinal, estou num conflito interno, e essa leitura de fato apaziguou (em partes) o meu coração. Trata-se de um livro onde sua abordagem provém de fé, e apesar de muitos falarem que é uma leitura — digamos assim, prosélita — de forma alguma eu a enxerguei assim, nem mesmo quando o li pela primeira vez. É uma leitura que aborda o questionamento interno de quem se propõe a lê-lo, desde que não seja alienado por doutrina alguma. 

A Cabana não se trata de conversão, tampouco de religião. Se trata do quão estamos propícios a julgar e condenar, especialmente a Deus por não ser o receptáculo do bem que tanto esperamos, como se ele tivesse obrigação de evitar todos os males do mundo. Deus não faz o mal. O mal está dentro de nós e cabe somente a nós seguirmos a probidade ou o infortúnio. 

Esse livro é um grande aprendizado, onde poucos conseguem compreender e apenas julgam e condenam, o que a meu ver é uma grande pegadinha, reforçando o que o autor diz logo no início: "Se você odiar esta história, desculpe, ela não foi escrita para você." Eu, particularmente, apesar de ser católica não praticante, compreendi perfeitamente a grandiosidade em palavras que essa maravilha leva consigo, sem subjugar ou condenar, e tive a certeza de que foi escrita pra mim. Espero que essa resenha consiga tocar tantos outros corações, e faça com que compreendam o real motivo desta leitura excepcional. Agora ficarei aqui, ansiando em ler outros títulos do escritor e digo mais: "Eu leria até mesmo a lista de compras do William P. Young".  

O livro é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos na medida certa, envolta em papel pólen (o amarelinho); e a capa é linda, estampando o lugar onde toda a trama acontece, ou seja, A Cabana. Por fim, para você que está a fim de ler um conteúdo lindo e com fundo refletivo, eis essa MAGNÍFICA pedida. Eu mego indico! \o 

Livro: A Cabana 
Autor: Wiliam P. Young 
Gênero: Ficção Americana 
Editora: Sextante 
Ano: 2008 
Páginas:240

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

4 comentários:

  1. Confesso, odiei esse livro, não se foi a minha frustração diante do desfecho, mas a verdade é que fiquei muito irritada, ao ponto de ter doado o meu livro, kkkk...

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    1. Jura, Sinéia?
      Bom, para mim rolou de outra forma. Eu fiquei muito tocada e amei tudo no livro. rs

      Abraços literários

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  2. Eu nunca li, mas sei que esse livro é sensação, ainda mais agora com o lançamento do filme. Quero muito ler e ver o filme...parece ser emocionante mesmo. Estou te seguindo, se puder retribuir eu agradeço.
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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  3. Realmente, Paloma! Devido o filme tornou-se sensação. Mas garanto-lhe: em meu coração ele é sensação desde 2008, quando o li pela primeira vez.

    Abraços literários

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