[Resenha]: Crazy Mary — de Thiago Assoni

Sinopse: Descaradamente inspirados em obras de Joe Hill e Stephen King (filho e pai) e livremente inspirado na música que dá nome ao livro (originalmente cantada por Victória Williams, regravada e mais conhecida na voz de Eddie Vedder do Pearl Jam), Crazy Mary mergulha na mente doentia de uma pessoa capaz de matar só para tirar um problema do caminho. Mas, quem seria essa pessoa? Todos podem ter um bom motivo para matar. Ou não. Tudo acontece numa pequena cidade Serrana, envolto em um clima meio morto, onde é possível encontrar um mercadinho bem aconchegante e uma lanchonete que serve panquecas americanas. Ruas cheias de árvores e caminhos de terra dentre a mata, cheio de suspense e com um “Q” de grunge, um rio calmo que corta a cidade, lá nos fundos da Serra. E é nesse clima que se desenrola o primeiro romance de terror psicológico do jovem paulista Thiago Assoni. 

Continuando a saga das leituras que estou relendo, apresento-lhes esse thriller de terror psicológico excelente. A propósito, eu li essa obra em 2013 e já havia resenhado no meu antigo blog (hoje não mais existente). Confira agora a sinopse, book trailer e resenha de "Crazy Mary", obra do autor Thiago Assoni, uma publicação da editora Aped.



"Porque de louco todo mundo tem um pouco" 

Uma história eletrizante! 

O enredo gira em torno de Mary e Eddy, porém os antagonistas são tão importantes quanto os protagonistas. E tudo se inicia quando Eddy, um jovem de dezoito anos, encontra Mary, uma adolescente de quinze anos, no meio da mata, um tanto transtornada e lavando-se num rio, próximo onde a família dele tem uma casa, longe da cidade, onde costumam desfrutar como lazer. 

Qual não foi a sua surpresa ao ver aquela garota encolhida ali, junto ao rio, lavando suas pernas e braços. Ela chorava, jogando água fria sobre sua pele e Eddy tremeu ao ver a cena, como se a água jogada nela causasse frio nele. Ficou alguns minutos ali parado, encostado na árvore, vendo a menina se lavar. Ela jogava água com raiva, como se estivesse com alguma coceira ou tentando tirar algo que não era sujeira. Eddy via a água vermelha escorrendo por suas pernas e percebeu que era sangue. (Livro: Crazy Mary, Pág.12) 

Como o bom rapaz que costuma ser, Eddy resgata Mary, levando-a para a casa onde está com a família, a mesma que costuma ir para — digamos assim — desanuviar. E logo de cara sua família torce o bico por ele ter feito isso. Porém, não o impede de dar aquele inicial apoio a garota. Mary é uma adolescente diferente, no estilo grunge/andrógino e de temperamento forte, ela tem uma família totalmente desestruturada e sofre horrores nas mãos do padrasto, Ray, e também de sua mãe, Cherrie. Além disso, a garota tem um envolvimento com JR, um rapaz de dezenove anos, também de temperamento forte e que faz parte de um moto clube. 

— Sua casa da piscina é maior do que a minha casa... 
— E onde é que você mora? 
— Você deve conhecer... — ela sorriu, triste. — A casa na curva da estrada. 
Os olhos de Eddy brilharam e o sentimento que tomou conta dele foi algo desconhecido para ele. Então ela morava lá, naquele lugar que ele sempre ficava observando. (Livro: Crazy Mary, Pág.15) 

Eddy e Mary se entregam numa noite de amor, algo que deixa não só eles, como também JR, desestruturados. E além de todas essas intempéries, numa dentre tantas discussões em casa, Mary descobre por meio de sua mãe e de seu padrasto, algo que a deixa ainda mais consternada, fazendo com que ela se mude, indo morar num quartinho atrás da vendinha onde presta serviços. Nesse meio tempo, Eddy volta para a cidade com a família, enquanto JR se enfurece desconfiando da garota. Por impulso, dias depois, Eddy retorna a procura de Mary, dando de cara com JR, Cherrie e, principalmente, Ray, que está ameaçando a garota para que volte para a casa na curva da estrada. A garota se nega a isso, e na mesma noite acontece um macabro assassinato, fazendo de todos suspeitos. 

O sangue gelou ao sentir o toque frio na pele. Os dedos gélidos se fecharam sobre o tornozelo de Mary, que ficou sem se mover. Um segundo pareceu uma eternidade, que não conseguia olhar para baixo nesse curto espaço de tempo, com medo do que encontraria ao ver o seu pé. Sentiu, também, um tremor tomar conta de seu corpo e o grito não saiu de sua garganta, ficou entalado como se preso por alguma coisa. A única coisa que conseguiu fazer, finalmente, foi olhar para baixo. (Livro: Crazy Mary, Páginas 110 e 111) 

Todos os suspeitos começam a ter visões fantasmagóricas, inclusive Eddy, que sofre de uma doença que deixa as autoridades ainda mais desconfiada dele, com o envolvimento em tal assassinato. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Não espere flores e firulas com essa leitura, pois trata-se de um thriller de terror psicológico, onde o leitor ficará a mercê de um jogo de empurra muito bem construído e instigante, levando-o para todos os lados, deixando-o confuso. Em algumas ocasiões me senti como a própria Mary, em tantas outras como o Eddy, ficando numa sinuca de bico, indagando-me se o que acontecia era real ou um subterfúgio da minha mente. No entanto, percebi que essa é a intenção do autor, ou seja, levar o leitor do irreal para o real, num jogo investigativo e regado por mentes desestruturadas, mostrando que até mesmo o improvável pode tornar-se provável. 

As cenas de terror são muito boas, típicas de um thriller à la Stephen King e Joe Hill, algo que o autor deixa claro (ainda na sinopse), como inspiração para o enredo. A propósito, em uma das cenas, lembrei-me de "Cemitério Maldito", obra de King que foi adaptada para as telonas —, e isso só me deixou com mais vontade de ver essa história também adaptada para as telonas. A canção "Crazy Mary", que está no book trailer acima, mais conhecida na voz de Eddie Vedder (vocalista da banda Pearl Jam), caiu em perfeição como fundo do enredo. As bandas/cantores citados na trama, do gênero que mais AMO, ou seja, o GRUNGE, me deixou ainda mais envolvida com todos os cenários/cenas. E o final... Ahhh, foi surpreendente e fantástico!!! Se eu gostei? NÃO, EU NÃO GOSTEI! EU AMEI! E leria até mesmo a lista de compras do autor. \o 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornado por papel offset (o branquinho); e a capa condiz com o enredo, estampando a tão obscura estrada que leva até a casa da curva, a mesma que Mary e sua doida família moram. Se você curte o gênero, cai dentro... o/ 


Livro: Crazy Mary 
Autor: Thiago Assoni 
Gênero: Suspense/Terror 
Editora: Aped 
Ano: 2012 
Páginas: 240

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

3 comentários:

  1. Apesar de gostar do Stephen King e tudo parecido com seu estilo não sei se leria, mas que capa sinistra ......
    bjs

    ResponderExcluir
  2. Re, se você curte o King... Vai fundo! E realmente, não só a capa como o enredo é sinistro e muito bom.

    Beijossssssss

    ResponderExcluir
  3. Sempre jogo meu nome no Google e me deparei com sua resenha hoje, tão perfeita! Apesar dos intempéries, #gratidão por toda descrição tão delicada e bondosa (sei que o livro tem alguns erros gritantes ali, vai hahahahahaha)

    Deixo a dica: se tudo der certo, como tenho planejado, teremos novidades em breve sobre CRAZY MARY.

    Sucesso, sempre!

    Se puderem, visitem meu novo blog:

    http://naoresenha.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir