[Resenha]: Não conte a ninguém — de Harlan Coben

Sinopse: Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer. O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail, que, aparentemente, só pode ter sido enviado por sua esposa. Esses novos fatos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem respostas: Como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? E, se estiver, de quem era o corpo enterrado oito anos antes? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido? Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David Beck contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, a modelo Shauna, da célebre advogada Hester Crimstein e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência. Não conte a ninguém foi o livro mais aclamado de 2001, indicado para diversos prêmios, entre eles Edgar, Anthony, Macavity, Nero e Barry. Em 2006 foi adaptado para o cinema numa produção francesa vencedora de quatro Cesars (o Oscar francês), inclusive de melhor ator e diretor.

Eu já li e resenhei esse livro anos atrás, no meu antigo blog. E como estou sem novas leituras em livro físico, resolvi reler algumas preciosidades e fazer novas resenhas. Eis que novamente me deparo com um enredo incrível, escrito por uma mente brilhante. A propósito, tive a oportunidade de ver o autor à distância, em 2014, na Bienal. Agora confira a resenha de “Não conte a ninguém”, obra de Harlan Coben, uma publicação da editora Arqueiro.

"Porque manter segredo pode ser a única opção" 

Um enredo de perder o fôlego! 

David e Elizabeth se conheceram na infância. Desde então ficaram muito amigos, acabando por despertar um sentimento vigente. Aos doze anos, deram o primeiro beijo e passaram a fazer anualmente um ritual romântico, marcando a paixão que ambos sentiam em uma árvore. A paixão infantil tornou-se amor, fazendo com que eles se casassem. Porém, em uma das comemorações, no lago que pertence à família da David, onde se encontra a árvore, acontece uma tragédia... 

Algo que parecia ser um taco de beisebol atingiu-me bem no peito. Meus olhos se arregalaram. Curvei-me, sufocando. Sem ar. Outro golpe. Desta vez no alto do crânio. Senti um estalo na cabeça, como se tivessem enfiado um prego em minha têmpora. Minhas pernas fraquejaram e caí de joelhos no chão. Totalmente desorientado, coloquei as mãos sobre as laterais da cabeça, tentando protegê-la. O golpe seguinte — o último — atingiu-me bem no rosto. Tombei para trás e caí de volta no lago. Meus olhos se fecharam. Ouvi Elizabeth gritar novamente — dessa vez ela gritou meu nome —, mas o som, todos os sons desapareceram quando afundei. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.12) 

David é golpeado, caindo desacordado no lago. Enquanto Elizabeth é raptada, aparentemente por um serial killer. E lá se foram oito anos... David empurra os dias com a barriga, trabalhando como pediatra e tentando se conformar com a perda da esposa, além de estar rodeado por sua melhor amiga, Shauna, uma modelo Pluz Size famosa, que é namorada de sua irmã mais velha, Linda. No entanto, num dia como qualquer outro, David recebe um e-mail. De ímpeto ele se espanta, pois parece que a mensagem foi enviada por sua falecida mulher, com palavras que apenas os dois eram íntimos, fazendo-o acreditar na possibilidade de ela estar viva. 

Ela manteve a mão levantada. Lentamente, consegui levantar a minha mão. Meus dedos tocaram a tela quente, tentando encontrar os dela. Mais lágrimas rolaram. Acariciei suavemente o rosto da mulher e senti meu coração afundar e alçar voo ao mesmo tempo. 
— Elizabeth — murmurei.
Ela permaneceu ali por mais alguns segundos. Depois, disse algo para a câmera. Não pude ouvi-la, mas consegui ler os seus lábios.
— Sinto muito — balbuciou minha esposa morta.
E saiu andando. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.32) 

A mensagem chega como um golpe de misericórdia, fazendo com que ele veja sua mulher viva, disfarçada e desculpando-se. Sendo assim, ele passa a se indagar sobre muitas coisas, procurando respostas nos lugares mais improváveis, sendo perseguido pelo FBI e ficando a mercê de pessoas muito perigosas, da alta sociedade. E no meio de toda essa turbulência, depois de oito anos, David acaba sendo acusado pelo assassinato da mulher e também o 'recente assassinato' de uma das amigas de sua esposa. Contudo, mesmo sendo acusado, ele ainda pode contar com a ajuda da sua melhor amiga, Shauna, a excelente advogada Hester Crimsteim, e também de um traficante chamado Tyrese. 

Mais tiros. Mas — e forcei os ouvidos — já não ouvia a estática do rádio da polícia. Continuei agachado e tentei não pensar demais. Meu cérebro parecia ter entrado em curto-circuito. Três dias antes, eu era um médico dedicado vagando pela minha própria vida como um sonâmbulo. Desde então, eu vira um fantasma, recebera e-mails de minha mulher morta, tornara-se suspeito não de um, mas de dois assassinatos, virara foragido da polícia, atacara um policial e pedira ajuda a um traficante de drogas. (Livro: Não conte a ninguém, Pág.138) 

Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Este é o tipo de enredo que não se pode falar muito... Uma história contagiante do início ao fim, que me fez devorar as páginas e me deixou ansiando pelo desfecho final. O autor, além de ter uma escrita excelente, sabe criar um enredo de cunho investigativo e com muito suspense. Embasado em teorias, a trama me levou para diversos lugares: ora desconfiando de um, ora tendo a certeza de outro. E, por fim, fiquei de queixo caído com o desfecho, que foi se revelando em doses homeopáticas, algo que gosto muito. 

Eu torci demais por David, e queria poder entrar no livro para ajudá-lo. A propósito, imaginei todos os cenários (e cenas) —, e agora, mais do que nunca, quero assistir a adaptação desta maravilhosa história para as telonas, uma produção francesa de 2006. O final foi bombástico, e quando eu digo o final... é o finalzinho mesmo, quando pensei que aquele era o fim, vem o autor com a sua incrível capacidade de surpreender e... Boom! Eu simplesmente AMEI! Este foi o único livro do autor que li, mas depois de toda essa turbulência, eu leria até mesmo a sua lista de compras. o/ 

O enredo é intercalado em primeira e terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen (o amarelinho); e a capa é perfeita, estampando um lago, ou seja, o cenário onde começa a história. Se você é fã do gênero policial/suspense... Cai dentro! 


Livro: Não conte a ninguém 
Autor: Harlan Coben 
Gênero: Policial/Investigativo 
Editora: Arqueiro 
Ano: 2009 
Páginas: 256

Abraços literários,
Simone Pesci
http://simonepesci.blogspot.com.br/

2 comentários:

  1. Cara, esse livro é muito foda, eu achei....adoro o Harlan Coben e tenho lido alguns livros livros dele, se puder leia cilada, não sei se já leu....é bem bacana também....Coben é o cara
    bjs

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  2. Verdade, Re! Esse livro é MARAVILHOSO. Eu assisti a adaptação francesa de 2006 e não curti muito. Valeu pela dica.

    Beijossssss

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